quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Balanço do ano de 2020


Chegado o último dia do ano, o sétimo desde a fundação do blog "Cais do Pico", é altura de cumprir com a tradição anual ininterrupta e fazer um balanço do que se passou neste blog neste ano que agora termina, tendo por base os 305 posts anteriormente publicados durante o ano de 2020.

As minhas primeiras palavras são de agradecimento a todos os leitores deste blog, pois só faz sentido aqui escrever se existir alguém desse lado que tenha interesse em ler. Em particular, tem sido contínuo o sentimento de que escrever sobre um pouco de tudo relacionado com a ilha montanha, sendo dado destaque à zona do Cais do Pico, à vila e ao concelho de São Roque do Pico, é tempo, esforço e dedicação bem empregues, porque o retorno é fantástico; mais precisamente, seja através de comentários neste blog, mensagens para o seu e-mail (mail@caisdopico.pt), contactos via Facebook (facebook.com/blogcaisdopico), Instagram (instagram.com/blogcaisdopico), Twitter (twitter.com/blogcaisdopico) ou abordagem pessoal, várias foram as pessoas que tiveram palavras muito simpáticas para comigo devido ao blog.

Por outro lado, a manutenção de uma das imagens de marca deste blog — ter os separadores "Barcos", "Aviões" e "Autocarros" permanentemente atualizados — continua a ser uma enorme responsabilidade, pois estas páginas são, ano após ano, das mais visitadas; além disso, e a título de exemplo, foi-me transmitido que uma bem conhecida agência de viagens portuguesa recorre aos separadores supramencionados aquando do planeamento de viagens que incluem a ilha montanha. Outros internautas recorrem a este blog para os mais variados fins, desde os emigrantes radicados na diáspora que me confidenciam regularmente como "também matam a saudade" aos ler os post aqui publicados, até às pessoas que querem saber mais sobre o Pico, as suas gentes e/ou estabelecer contactos — muitas vezes fazendo uso do separador "Informações úteis". De certa forma relacionado com o que foi mencionado anteriormente, posso revelar que, através do blog, já recebi inúmeros e-mails para contribuir no planeamento de viagens à ilha montanha, outros contactos para servir de elo de ligação entre entidades externas ao Pico e as locais, bem como pedidos de esclarecimentos de matérias aqui abordadas, de modo a que possam ser utilizadas, por exemplo, por uma universidade italiana (neste caso em particular, uma universidade da Sardenha).

Mais uma vez o afirmo: o retorno obtido continua a superar tudo aquilo que alguma vez poderia imaginar; digo isto porque, à primeira vista, parece um tanto ou quanto impossível escrever regularmente só sobre uma ilha no meio do Atlântico, a qual tem menos de 15 mil habitantes (ou seja, um dos locais mais remotos e menos populosos do país), recorrendo para isso apenas ao tempo livre e tendo em consideração que passo grande parte do ano fisicamente ausente da ilha montanha... Todavia, as estatísticas têm demonstrado que esse desafio quase impossível tem sido superado com distinção: em 2020 manteve-se, à semelhança do ano transato, o valor recorde de 306 posts num só ano (já contando com este) — confesso que continuo sem perceber como o consegui! Do vosso lado, as estatísticas são ainda mais impressionantes, pois é graças a vocês que não só o blog "Cais do Pico" alcançou, no verão passado, os 2351 dias de existência, mas também foi atingida a marca simbólica de dois milhões de visualizações, sendo que atualmente já foram superadas as 2,18 milhões de visitas! Por outro lado, estas estatísticas também despertaram o interesse de algumas empresas de publicidade, as quais demostraram um forte desejo em terem aqui um espaço para divulgação dos seus clientes.

É igualmente justo reconhecer que todas estas marcas também se devem a todos aqueles que deram a conhecer este blog, mais concretamente a outros blogs que incluem o "Cais do Pico" na sua lista de leituras, a quem passou a palavra de boca em boca dos posts aqui publicados e a quem partilhou os mesmos no Facebook/Instagram/Twitter, sendo que a todas estas pessoas renovo o meu agradecimento pela divulgação efetuada.

Em termos de acesso à informação, o blog não registou alterações durante o ano de 2020: o link de acesso continua simples de memorizar — caisdopico.pt — e basta procurar por @blogcaisdopico nas sociais em voga — Facebook, Instagram ou Twitter — para poder facilmente seguir a informação aqui disponibilizada (estas redes sociais juntas somam mais de 2.700 seguidores, contabilizando cada uma 63%, 36% e 1% do total, respetivamente); em alternativa, é possível registar um e-mail e receber automaticamente uma mensagem sempre que existir um novo post (consultem a barra lateral direita ou o final da página deste blog para aderir, consoante estejam a visualizar num computador ou num telemóvel, respetivamente). Ainda sobre este tema, não posso deixar de partilhar a agradável surpresa que tive quando conhecidos apresentadores e atores portugueses decidiram seguir o Instagram deste blog, isto sem contar com igual decisão por parte de uma famosa atriz espanhola!

Tomando agora a liberdade de destacar algumas das publicações efetuadas durante o sétimo "ano de vida" do blog "Cais do Pico", e apesar da pandemia de COVID-19 que assolou todo o mundo (já lá irei), houve um conjunto alargado de posts que terminaram com uma frase comum (para além do habitual "Haja saúde!") e que traduziram aquilo que se sente na ilha montanha: "o Pico está na moda!" Foram inúmeros os indicadores estatísticos que, embora referentes a dados pré-pandemia, mostraram como a ilha do Pico está em franco crescimento na área do turismo, desde um novo recorde de subidas à sua montanha, até ao transporte aéreo verificado nesta ilha. Aliás, a ilha montanha está de tal forma no centro das atenções que voltou a merecer referências por parte de prestigiadas revistas e guias, tais como 'Forbes', 'Condé Nast Traveler', 'Condé Nast Traveller', 'Top Choice', 'Lonely Planet', entre outros; em suma, e tal como foi dito em horário nobre da televisão aberta portuguesa, o Pico é "uma excelência!", sendo essa uma das razões para que vídeos de promoção da ilha montanha feitos por turistas estrangeiros tenham mais de oito milhões de visualizações! Além disto, e considerando o âmbito nacional, a ilha montanha teve um dos seus trilhos reconhecido como um dos melhores do país, bem como a piscina homónima deste blog integrou o lote das melhores piscinas naturais de Portugal — note-se ainda que 2020 representou o ano em que o Pico passou a ser a segunda ilha a nível Açores com mais zonas balneares oficiais, com quase um quarto do total regional. Tudo isto comprova o potencial turístico da ilha montanha, algo que um prestigiado grupo hoteleiro português também salientou, enquanto que outros investidores já têm em andamento o projeto de implementação de um novo grande empreendimento turístico na ilha montanha, isto porque o "Pico é a segunda ilha mais procurada, do ponto de vista turístico, dos Açores".

Mas não só no turismo o Pico mostrou a sua pujança: foi nesta ilha que, mais uma vez, se registou o segundo maior número de edifícios licenciados no arquipélago, bem como foi no Pico que o maior grupo empresarial privado dos Açores decidiu fazer investimentos significativos, desde a área dos combustíveis até ao comércio a retalho, passando por um espaço associado a uma multinacional de fast food e que se tornou no primeiro do género no Triângulo. Por outro lado, a gastronomia picarota mereceu igualmente um elevado destaque pela sua unicidade e qualidade superior: um chef dono de uma estrela Michelin afirmou sobre um queijo produzido no Pico que "é como se fosse um camembert português; é incrível, extraordinário!", bem como este mesmo queijo venceu um prémio nacional; foi comprovado cientificamente que o tradicional Queijo do Pico DOP possui potencial probiótico, nomeadamente bactérias do ácido láctico capazes de baixar o colesterol e a histamina; e, como não há duas sem três, a linguiça do Pico foi reconhecida como um dos melhores enchidos de Portugal. É por estas e por outras que não só os produtos originários do Pico, mas também os próprios picarotos são elogiados a nível nacional.

Houve ainda espaço para outras notícias positivas, tal como a promessa de instalação no Pico do futuro Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores, a classificação da antiga Fábrica das Armações Baleeiras Reunidas, atualmente Museu da Indústria Baleeira, como bem imóvel de interesse público, o lançamento do concurso público para estabilização da zona costeira adjacente ao Museu da Indústria Baleeira (uma ação que pretende resolver um problema denunciado publicamente neste blog), ou a inauguração do primeiro ponto de carregamento para veículos elétricos no Pico. Ademais, a ilha montanha também teve boas novas no âmbito cinematográfico, pois não só um filme rodado no Pico chegou a uma das maiores plataformas de streaming mundiais, mas também outras rodagens com direito a presença em Festivais Internacionais de Cinema tiveram como pano de fundo a ilha montanha. Merece igualmente nota de destaque o que (mais uma vez) uma pessoa com mobilidade muito reduzida demonstrou: o que é preciso para subir a montanha do Pico é força de vontade!

No entanto, o blog "Cais do Pico" também acompanhou alguns dos azares e notícias menos boas para os picarotos, em particular, e para todos em geral. Mais concretamente, e o que marcará para sempre o ano de 2020, o impacto da pandemia de COVID-19 na ilha montanha mereceu uma ampla cobertura aqui: mesmo antes da chegada da COVID-19 ao Pico (no final de março), foram primeiro restringidas as ligações aéreas (quer interilhas, quer territoriais) e marítimas regulares no arquipélago, acabando mesmo por serem suspensas mais tarde, o que também contribuiu para a redução do movimento de pessoas no Pico; após a confirmação do primeiro caso de COVID-19 na ilha montanha, ocorreram restrições nas carreiras públicas regulares de transporte de passageiros no Pico, bem como foi reorganizado todo o serviço de saúde na ilha montanha. Tudo isto teve um impacto notório no dia a dia picaroto; todavia, a estratégia de combate à COVID-19 no Pico tenha dado os seus frutos, pois esta ilha foi (e continua a ser) um dos lugares do mundo menos afetado pela pandemia, não registando (até à data) qualquer óbito relacionado — todas as estatísticas relacionadas com a COVID-19 no Pico podem ser encontradas neste link. Pese embora tenha havido, a partir do final de maio / início de junho, uma retoma gradual da (nova) normalidade (nomeadamente nas ligações aéreas e marítimas), acabou suspensa a operação sazonal de transporte marítimo de passageiros e viaturas, bem como as festividades estivais foram todas canceladas, incluindo as Festas do Divino Espírito Santo.

Mas os efeitos da COVID-19 na ilha montanha não se ficaram por aqui: como o desembarque marítimo esteve interdito durante várias semanas, houve um iate de luxo que decidiu fundear ao largo do Pico, gerando muita curiosidade na população local ao longo de alguns dias; foi também com estupefação que se revelou evidente o desconhecimento, por parte da tutela, da realidade das grávidas da ilha montanha — aliás, registou-se um baby boom no Pico em 2020, algo bastante em contraciclo com a esmagadora maioria das restantes ilhas açorianas. Pela positiva, há a destacar a eleição do Pico como uma das nove ilhas europeias perfeitas para umas férias com distanciamento social, bem como a eleição da ilha montanha como uma das cinco ilhas a descobrir em Portugal, Espanha e Itália; ademais, e apesar de não ter ocorrido os habitais bailes espontâneos de chamarrita, graças a um picaroto foi possível levar este baile para o mundo dos jogos de tabuleiro.

Em todo o caso, e à semelhança dos anos anteriores, houve um tema que continuou a merecer destaque aqui: o Aeroporto da ilha do Pico e o movimento aéreo que serve a ilha montanha. Partindo de um histórico com boas taxas de ocupação, e num ano onde até a Ryanair (que não voa para esta ilha) promoveu a montanha do Pico, a verdade é que a pandemia alterou por completo o rumo dos acontecimentos, resultando num decréscimo acentuado nos passageiros transportados face ao que tinha ocorrido no passado, invalidando assim novos recordes, quer nos passageiros movimentados, quer no movimento de aeronaves. Em todo o caso, foi de forma exemplar e natural que, após um interregno de cerca de três meses, o Pico voltou a ter ligações aéreas diretas com Lisboa, comprovando assim a importância desta rota; além disso, foi necessário reforçar a oferta interilhas para o Pico (mais do que uma vez, inclusive), o que também demonstrou como a demanda pela ilha montanha continuou a superar a oferta, mesmo em tempos de pandemia. Ainda dentro do tema das acessibilidade aéreas para o Pico, pese embora tenha sido anunciado que o estudo sobre ampliação da pista do aeroporto do Pico estaria concluído em 2020, a verdade é que, até à data, o mesmo continua desconhecido — recorde-se que este estudo foi encomendado como consequência indireta da petição pública "Pelo aumento das condições de operacionalidade do Aeroporto da ilha do Pico" (oficializada em 2017).

O Porto do Cais do Pico e o seu movimento também não foram esquecidos, tema este que tem sido recorrente neste blog desde a sua fundação. Em particular, a maior novidade foi o início da construção do novo Terminal Marítimo de Passageiros de São Roque do Pico (gare e espaços envolventes — uma empreitada que tem sido acompanhada fotograficamente aqui). Devido a esta obra, a Atlânticoline suspendeu as escalas no Cais do Pico, mas não sem antes "fazer das suas", um mal que teima em nunca não vir só!

Aproximando-me do final deste balanço anual, quero ainda mencionar alguns posts relacionados com o património e a história da ilha montanha, nomeadamente imagens do Cais do Pico há 100 anos e o carocho do Pico que foi declarado extinto. Por falar em animais, a ilha montanha registou, em 2020, não só a visita de orcas, mas também foi avistado no Pico, e pela primeira vez nos Açores, um estorninho-rosado, o que constituiu uma raridade digna de destaque. Gostaria ainda realçar uns posts que me despertaram alguma curiosidade e/ou de índole mais humorística; em concreto, refiro-me a "Aos seus lugares... prontos... partida dos garajaus!" e "Ilha do Pico está à venda". Quero igualmente fazer referência a outros posts que pretenderam ser um contributo para que se perceba melhor, sobretudo para quem é de fora, a realidade picarota: "A insciência do quotidiano de novidades", "As Sete Cidades no Pico e o Pico nas Sete Cidades", "Turismo na Madeira com vista para o Pico", "A ferida na montanha e o novo regulamento de acesso" e "O pico do RSI e o RSI no Pico".

Mesmo antes de terminar, gostaria de (voltar a) desafiar os leitores deste blog a consultarem o separador "Sabia que..." e a verificarem se já tinham conhecimento das curiosidades lá apresentadas, pois eu próprio desconhecia a maioria delas! Além disso, tomo a liberdade de partilhar de novo uma das fotos originais aqui apresentadas durante 2020 (uma espécie de "imagem do ano", tal como foi feito em balanços anteriores): em plena pandemia de COVID-19, esta foto representa não só a nova normalidade (comprovada pelas máscaras), mas também a retoma das ligações da ilha montanha ao exterior da região, bem como um (muito aguardado) regresso a casa [imagem em anexo]. Permitam-me ainda que recorra aos saberes picarotos para fazer uma analogia e uma futurologia relativamente à COVID-19: uma pandemia é como a neve em junho na montanha do Pico, isto é, embora seja um fenómeno raro, pode sempre ocorrer quando menos se espera; o maior desejo da humanidade é que a COVID-19 "leve a volta dos frades" e desapareça de um dia para o outro; apesar de isso não ser de todo expectável, a natureza é grande e ensina-nos que, perante as dificuldades, há sempre uma solução, havendo apenas que dar tempo ao tempo.

Finalmente, e concluindo este longo post, quero desejar a todos um Feliz Ano Novo de 2021, com muita saúde e boa disposição!

Haja saúde!


4 comentários:

  1. Obrigada pelo bom serviço que nos presta!

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  2. Parabens pelo 7º Aniversário, na pessoa do Ivo Sousaa que tem feito um explêndido trabalho, na informação e na projecção da sua/nossa Ilha montanha. Bem haja. Walter Frota

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