quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Postal São Roque do Pico

Cais do Pico, São Roque do Pico, Ilha do Pico, Açores e Portugal. Uma espécie de construção matrioska da minha projecção de um postal, onde o genuíno impera. Estava um nevoeiro cerrado no Cais do Pico. Assim começa a minha história.
Desta forma tem início um artigo publicado no blog "O Meu Escritório é lá Fora!", da autoria de Carlos Bernardo, sobre a experiência deste blogger em São Roque do Pico, Capital do Turismo Rurallink para o artigo na íntegra.

Haja saúde!

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Se quer beber vinho dos Açores, procure pelos selos de certificação


Os vinhos açorianos são hoje um produto escasso, procurado e quase sempre esgotados e o seu reconhecimento é uma constante por especialistas nacionais e internacionais. Por esta razão, ter a certeza de que uma qualquer garrafa contém vinho produzido nos Açores é também ter a garantida de que se está perante um produto de elevada qualidade a nível mundial.

No arquipélago açoriano existem várias regiões demarcadas, nomeadamente três Denominações de Origem (DO) e uma Indicação Geográfica (IG) [clique nas mesmas para mais informações]:
  • DO - Pico — várias áreas de altitude igual, ou inferior, a 150 m, na ilha montanha, nomeadamente nas freguesias da Candelária, Criação Velha, Bandeiras, Santa Luzia, parte da Prainha (Baía de Canas) e partes da Piedade (Engrade e Manhenha);
  • DO - Graciosa — áreas de altitude igual, ou inferior, a 150 m, na ilha Graciosa;
  • DO - Biscoitos — áreas de altitude igual, ou inferior, a 100 m, na freguesia dos Biscoitos da ilha Terceira;
  • IG - Açores — abrange as 9 ilhas que compõem a Região Autónoma dos Açores.
Estes reconhecimentos servem para garantir ao consumidor que não só os vinhos foram produzidos numa destas áreas geográficas, bem como os mesmos cumpriram com alguns requisitos específicos.

Todos os vinhos genuínos açorianos têm associado um selo emitido pela Comissão Vitivinícola Regional dos Açores (CVR Açores), a qual certifica que o vinho engarrafado é autêntico e que provém de uma determinada região demarcada açoriana.

Assim, se quer beber vinho dos Açores e ter a certeza disso, basta procurar por um selo da CVR Açores na respetiva garrafa.

Haja saúde!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Seja noite ou dia, faça chuva ou faça sol (ou tenha nevado), o "rei da montanha" provavelmente está a subir o Pico


Renato Goulart é, reconhecidamente, o mais famoso guia acreditado da montanha da ilha do Pico. Com uma experiência de mais de duas décadas a subir o ponto mais alto de Portugal, com 2.351 metros de altitude, este picaroto já completou mais de 2.000 subidas e pretende agora chegar às 2.351 vezes em que escalou a montanha do Pico.

Este objetivo é também o mote para um documentário cinematográfico de Pedro Canavilhas, '2351', o qual constrói um retrato intimista e eremítico do Homem e da Ilha – dois discursos onde as narrativas pessoais e picarotas convergem.

Este filme, cujo teaser se encontra em anexo, tem estreia estreia mundial marcada para o dia 25 de janeiro, no auditório da Madalena, pelas 21h00, no âmbito da edição de 2019 do "Montanha Pico Festival".

Haja saúde!


domingo, 20 de janeiro de 2019

Existem baleias na ilha do Pico

Durante o meu “retiro” em São Roque do Pico, perdi conta às vezes que passei junto ao Museu da Indústria Baleeira. Algumas vezes entrei. O museu mantém o seu traço original com muitos pormenores que ficaram congelados no tempo. Adoro museus assim, fazem-me estar dentro da história, vivê-la e senti-la. Muitas vezes me sentei no cais, com a rampa de entrada das baleias ao lado, simplesmente a olhar para a ilha de São Jorge e para o imenso Oceano e a viajar no tempo. Acredito que este povo se soube reinventar, na relação com este maravilhoso animal dos oceanos. Ficam as memórias e as histórias da baleação, que não devem ser esquecidas, e fortalece-se cada vez mais a referência, “existem baleias na ilha do Pico”.
Este é um excerto de um artigo publicado no blog "O Meu Escritório é lá Fora!", da autoria de Carlos Bernardo, sobre a experiência deste blogger na ilha montanha — link para o artigo na íntegra.

Haja saúde!

sábado, 19 de janeiro de 2019

Novo Terminal Marítimo de Passageiros vai ficar no Cais do Pico


A Secretária Regional dos Transportes e Obras Públicas, em reunião ontem [18 de janeiro de 2019] com o executivo camarário de São Roque do Pico, informou que está tomada uma importante decisão: o novo Terminal Marítimo de Passageiros vai ficar na baía do Cais do Pico.

A solução encontrada — aumento do molhe de proteção / cais atual, possibilitando a operação em simultâneo da atividade de passageiros e de carga num cais acostável na ordem dos 300 m — permite uma rentabilização das infraestruturas portuárias atuais, para além de uma localização privilegiada no coração da vila de São Roque do Pico.

Adicionalmente, ficou-se a conhecer que a gare marítima avança para obras de imediato, com o concurso a ser lançado já este ano, prevendo-se que o projeto de aumento do principal porto comercial da ilha montanha possa ficar pronto também em 2019. A estimativa inicial de investimento global é de 30 milhões de euros.

Ana Cunha acrescentou ainda que foram dadas instruções à Portos dos Açores para que fizesse um estudo de ordenamento da baía do Cais do Pico e das suas potencialidades, entre elas a possibilidade de ser criado um núcleo de recreio náutico.

Está assim dado um pequeno mas importantíssimo passo na concretização de um compromisso com São Roque do Pico e com a ilha montanha, o qual também é benéfico para o "Triângulo", em particular, e para os Açores, em geral.

[Fontes: Rádio Pico | Jornal do Pico | RTP Açores | GaCS]

Haja saúde!

Palavras da Secretária Regional dos Transportes e Obras Públicas:




sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Concerto de acordeão no topo de Portugal


No passado dia 12 de janeiro, e no âmbito do Montanha Pico Festival 2019, o músico Nuno Carpinteiro subiu ao ponto mais alto de Portugal e estreou o tema "A Montanha", num dia onde a neve cobria o Pico e as nuvens teimavam em ofuscar este acontecimento único.

Mais do que palavras, aqui ficam várias imagens e vídeos deste concerto de acordeão no cimo da montanha da ilha do Pico, ou seja, no topo de Portugal.

Haja saúde!







quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Contas à moda da SATA


Recentemente foi emitido um comunicado (datado de 11 de janeiro de 2019) a informar que a Azores Airlines vai reforçar as ligações entre Lisboa e o Pico no próximo Verão IATA 2019. Em suma, os principais pontos a reter são os seguintes:
  • Entre abril e outubro serão realizados mais 12 voos nesta rota do que em 2018;
  • No mês de setembro será disponibilizada mais uma frequência semanal, passando-se de 3 para 4;
  • A capacidade oferecida será aumentada em 7,4%.
Vale ainda a pena citar dois parágrafos deste comunicado, para análise posterior:
O planeamento da operação aérea direta entre Lisboa e a ilha do Pico teve em consideração o histórico da taxa de ocupação registada na estação homóloga do ano anterior, a perspetiva de crescimento da procura, que nesta rota está estimada em 5% e, naturalmente, os meios técnicos de que dispõe a Azores Airlines.
De salientar ainda, que a oferta da Azores Airlines é complementada com a da SATA Air Açores cuja operação no próximo verão será incrementada no número de frequências e de lugares oferecidos.
Analise-se, então, o conteúdo deste comunicado, de forma a concluir do seu bom enquadramento (ou não) perante a realidade da ilha montanha.

Como ponto prévio, é justo reconhecer que a SATA, com este comunicado, explicita qual é a sua política para o Pico, ficando toda a gente a saber, logo à partida, com o que é que pode contar.

Recordando que um Verão IATA começa no último domingo de março e termina no último sábado de outubro, ou seja, grosso modo, corresponde ao período de tempo entre abril e outubro, é importante clarificar que aumentar voos num Verão IATA não implica que o "pico" do verão (julho e agosto) seja também contemplado. Aliás, o reforço anunciado pela Azores Airlines na rota Lisboa/Pico/Lisboa terá maioritariamente lugar em setembro, onde serão efetuadas mais quatro rotações face a 2018. E o que é uma rotação? É quando o avião sai de Lisboa, vai ao Pico e regressa à capital portuguesa, isto é, uma rotação Lisboa/Pico/Lisboa corresponde a dois voos — Lisboa/Pico e Pico/Lisboa.

Por outras palavras, o aumento de 12 voos corresponde apenas a 6 rotações Lisboa/Pico/Lisboa, sendo que 4 destas rotações adicionais terão lugar somente em setembro de 2019. Dito de outra forma, nos sete meses do Verão IATA haverá mais 6 ligações Lisboa/Pico/Lisboa — em média, um aumento de menos de uma ligação por mês — sendo que, excluindo setembro, no conjunto dos restantes seis meses em questão (abril, maio, junho, julho, agosto e outubro) pode-se afirmar que haverá um aumento de apenas mais 2 ligações Lisboa/Pico/Lisboa. Por este ponto de vista, parece mesmo muito poucochinho este reforço da SATA...

Concentrando agora as atenções nas percentagens apresentadas no comunicado supracitado, a SATA informou que vai aumentar a capacidade oferecida na rota Lisboa/Pico/Lisboa, no Verão IATA 2019, em 7,4%, isto porque estima um crescimento da procura nesta rota na ordem dos 5%. À primeira vista, as contas parecem bater certo para que a oferta consiga suportar a procura, mas levanta-se uma questão: como se chegou ao valor dos 5% de procura e estará este número de acordo com o historial do Pico?

Analisando os dados estatísticos relativos ao transporte aéreo de 2016, 2017 e 2018, considerando apenas a estação Verão IATA e focando a análise na rota Lisboa/Pico/Lisboa, obtém-se o seguinte:
  • No Verão IATA 2017 foram transportados 22.518 passageiros nesta rota, mais 1.758 do que na estação homóloga anterior, o que deu origem a um crescimento da procura na ordem dos 8,5%;
  • No Verão IATA 2018 foram transportados 27.170 passageiros nesta rota, mais 4.652 do que na estação homóloga anterior, o que deu origem a um crescimento da procura na ordem dos 20,7%.
Recapitulando, há dois anos a rota Lisboa/Pico/Lisboa cresceu 8,5% no Verão IATA, no ano passado cresceu ainda mais, nomeadamente 20,7%, mas as contas da SATA indicam que este ano vai crescer apenas 5%!

Se porventura alguém ainda está com dúvidas da atratividade crescente da ilha montanha e de como é possível haver crescimentos superiores a 20%, vale a pena citar algumas palavras da Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo, recentemente proferidas aquando da assinatura do contrato ARAAL para reabilitação da Casa dos Botes nas Lajes do Pico [áudio completo disponível neste link]:
Mas, e porque nos encontramos na ilha do Pico, não podemos deixar de enfocar que, nos primeiros 9 meses de 2018, se registou novamente um significativo aumento de procura turística.
Foi a ilha que mais cresceu em termos absolutos de dormidas, verificando-se um crescimento em todas as tipologias de alojamento a um ritmo de 21,1% (que compara com uma média Regional de 6%).
Os principais mercados de origem que contribuíram para este ritmo de crescimento turístico verificado foram o português (+15.9%); o Francês (+43.9%); o Alemão (+18.6%); e o Americano (+56.5%).
Não deixa de ser curioso como não só o Pico foi a ilha que mais cresceu em termos turísticos nos Açores, bem como todas as percentagens de crescimento são superiores a 5%! Dá que pensar (e muito) como é que a SATA chegou aos 5% de procura para a ilha montanha...

Contudo, o comunicado da SATA contém uma informação intrigante, isto atendendo ao facto de que o tema era o reforço das ligações entre Lisboa e o Pico. Mais concretamente, a SATA afirma que "a oferta da Azores Airlines é complementada com a da SATA Air Açores cuja operação no próximo verão será incrementada no número de frequências e de lugares oferecidos". Ou seja, a SATA deixa subentendido que a oferta proposta na rota Lisboa/Pico/Lisboa é insuficiente, pois terá de a complementar com voos interilhas!

Em suma, no verão de 2019 existirá um pequenino reforço de voos de Lisboa para o Pico, uma ilha que cresce a olhos vistos de forma tão impressionante quanto a grandiosidade da sua montanha; talvez agora se perceba um pouco as dificuldades porque passa a companhia aérea regional, isto porque as contas à moda da SATA, sobretudo no que concerne ao Pico, claramente não batem certo com a realidade!

Haja saúde!

Post scriptum: Este texto foi igualmente publicado na edição n.º 41.774 do 'Diário dos Açores', de 19 de janeiro de 2019.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Documentário "Les hommes de la baleine" ("Os homens da baleia")


Em 1956, Mario Ruspoli realizou uma curta-metragem sobre a caça à baleia ao largo das ilhas do Pico e do Faial. Intitulado "Les hommes de la baleine" ("Os homens da baleia"), este documentário de extraordinário valor pode ser visualizado em anexo, onde se pode observar alguns dos momentos desta extinta atividade que moldou para sempre a história dos Açores, em geral, e da ilha do Pico, em particular.

Descrita na curta como "uma tourada do mar", a caça à baleia, que apesar de parecer um desporto, não era uma festa, mas sim uma forma de sustento e de evitar a miséria de muitas famílias.

Destaque ainda para uma particularidade deste documentário: a partir do minuto 8:15 é possível recordar alguma da dinâmica do Cais do Pico, nomeadamente no atual "Cais Velho", aquando da partida dos respetivos baleeiros para caçarem durante a "Campanha de Verão".

Hoje em dia, a memória baleeira está perpetuada na ilha montanha através do Museu da Indústria Baleeira e do Museu dos Baleeiros, os quais merecem, sem dúvida, uma visita. Para todos aqueles que (ainda) não puderam visitá-los presencialmente, uma alternativa é efetuar uma visita virtual através deste link.

Haja saúde!

Post scriptum: Graças a uma pesquisa efetuada por Luís Ferreira, a quem agradeço, aqui fica um link para a banda sonora deste documentário, a qual resultou também no lançamento de dois discos.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Ranchos de Natal no Pico 2019


Apresenta-se, em anexo, um vídeo da RTP-Açores sobre o 27.º Encontro de Ranchos de Natal que teve lugar na freguesia da Criação Velha, concelho da Madalena, ilha do Pico, no dia 5 de janeiro de 2019.

Este ano participaram seis ranchos: Casa do Povo da Criação Velha, Centro de Convívio Estrada da Vida da Santa Casa de São Roque, Centro de Convívio de Idosos da Casa do Povo de Santo Amaro, Centro Social e Cultural da Silveira, Casa do Povo de Santo Amaro e Grupo Folclórico da Casa do Povo da Candelária [mais informações neste link].

Nota ainda para a Noite de Reis de 2019, que teve lugar no dia 4 de janeiro em São Roque do Pico, onde também houve atuação de Ranchos de Natal e cujos registos vídeos podem ser encontrados neste link.

Haja saúde!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Taxa de ocupação aérea nos Açores em 2017


Do ponto de vista do negócio da aviação, um dos mais importantes dados estatísticos é a taxa de ocupação, isto é, o número de passageiros transportados face aos lugares oferecidos. A taxa de ocupação resulta normalmente de uma conjunção de fatores — preço, horários, aeronaves utilizadas, etc. — cuja relação entre eles não é de fácil modelação. Em todo o caso, esta estatística permite perceber, de certa forma, qual o sucesso de determinada rota e inferir um pouco sobre a atratividade de um dado destino.

Graças ao Anuário da Aviação Civil relativo ao ano de 2017, recentemente divulgado pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), é possível calcular a taxa de ocupação para cada aeroporto açoriano, ou seja, a taxa de ocupação média considerando todos os voos que serviram determinada ilha dos Açores [relação entre o total dos passageiros transportados num ano e os lugares oferecidos nesse mesmo período].


Analisando com mais detalhe, verifica-se que é possível agrupar os resultados em três grupos:
  • Ilhas onde, em média, mais de metade dos lugares dos aviões estiveram vagos, ou seja, com taxas de ocupação inferiores a 50% — Corvo (21%), Flores (37%) e Graciosa (40%);
  • Ilhas onde, em média, os aviões estiveram praticamente meio cheios — São Jorge e Faial (ambas com uma taxa de ocupação de 55%);
  • Ilhas onde, em média, cerca de dois terços dos lugares nos aviões foram ocupados — Santa Maria (61%), Pico (63%), Terceira (67%) e São Miguel (69%).

Atendendo agora ao pódio da taxa de ocupação aérea nos Açores em 2017, o qual é ocupado pelas ilhas São Miguel, Terceira e Pico, não deixa de ser interessante recordar que, enquanto as duas primeiras ilhas foram as que mais cresceram no que concerne ao movimento de passageiros aéreos em 2017 (face a 2016), a ilha montanha foi precisamente a que registou o menor crescimento percentual nesse mesmo ano. Dito de outra forma, parece haver um certo contrassenso relativamente ao Pico: a taxa de ocupação foi das mais altas dos Açores, mas os passageiros transportados foram quase os mesmos relativamente ao ano anterior...

A verdade é que foram inúmeras as vicissitudes registadas na ilha montanha ao longo de 2017 relacionadas com o transporte aéreo, nomeadamente uma oferta que não esteve ajustada à procura e por ter sido a ilha mais prejudicada no contexto regional em plena época alta — eis alguns exemplos:

Mesmo assim, a ilha montanha registou a terceira taxa de ocupação mais elevada nos Açores, apenas superada por ilhas onde operam companhias low-cost (as quais habitualmente contribuem com taxas de ocupação muito elevadas), o que significa que os voos que serviram o Pico em 2017 estiveram bem cheios, isto quando os mesmos não esgotaram.

Resumindo, os números não enganam: o Pico está na moda!

Haja saúde!

Post scriptum: Este texto foi igualmente publicado na edição n.º 41.771 do 'Diário dos Açores', de 16 de janeiro de 2019.