terça-feira, 9 de março de 2021

Recolha seletiva de biorresíduos no Pico


A rede de ecopontos da ilha montanha, nomeadamente nos concelhos de São Roque do Pico e da Madalena, foi recentemente reforçada com contentores de cor castanha — o biocontentor.

Com o intuito de aumentar a recolha seletiva e diminuir a sua presença no lixo indiferenciado, nestes contentores de cor castanha podem ser depositados resíduos biodegradáveis, como por exemplo sobras de plantas de jardim, restos de legumes, cascas de fruta, peixe/carne cozinhada, sobras de pão e bolos, borras de café, sacos de chá, cascas de ovos, guardanapos e tolhas de papel sujo.

Este tipo de resíduos deve ser devidamente acondicionado em saco de plástico antes da sua deposição no ecoponto castanho. 

A ideia subjacente a este novo contentor para a recolha seletiva de lixo é muito simples: permitir que os resíduos de origem orgânica possam ser transformados em composto, podendo ser utilizados de forma segura como fertilizante natural em jardins, canteiros, hortas e campos agrícolas.

Esta separação e valorização dos resíduos orgânicos, à semelhança do que já acontece com o plástico, metal, papel/cartão, vidro e óleos usados, coloca o Pico na linha da frente das práticas ecológicas nos Açores.

Haja saúde!




segunda-feira, 8 de março de 2021

'Monstro' estreou no meio da mata do Pico


'Monstro', uma peça teatral de um Homem só, começa no meio de uma mata com audiência a uma distância de mais de 20 metros do epicentro do palco natural. Após um longo silêncio, uma série de personagens, cujas vidas parecem estranhamente relacionadas, visitam este local e transportam os seus visitantes para várias paragens no mundo. Explorando os medos que impedem o ser humano de ser feliz, desafiando as audiências a questionarem as suas vivências e os seus preconceitos do que é teatro, Terry Costa apresentou, em formato de teatro em desenvolvimento, a estreia mundial da obra na sua ilha de residência, o Pico.  
 
"Não havia telemóveis, nem bombons, nem sacos ou sacolas" explicou Terry Costa, "apenas seres humanos dispostos a comungar uma abundância de imagens e sons, ao ar-livre, no meio da mata da MiratecArts Galeria Costa." 

Uma experiência única para uma audiência limitada, devido às múltiplas restrições em era de pandemia, Costa apresentou nos últimos dois meses várias vezes este novo trabalho, sempre retocando, e ainda com espaço para momentos improvisados ou incentivados pela audiência. "Nesta primeira saída ao público, eu escolhi ser uma audiência que não nos conhecíamos pessoalmente, assim estando na mesma situação uns para com os outros, e eu próprio como artista, também conseguir uma relação diferente para com quem se aventurou." As pessoas tiveram que se registar com antecedência para serem escolhidas como audiência e tinham que se apresentar sozinhas no local combinado para o evento. 

"Quando cheguei à propriedade e pediram o meu telemóvel e me revistaram fiquei logo a pensar no que me vim meter" escreveu o J, no livro de notas em que todos os participantes tinham que deixar algo escrito antes de abandonarem a experiência, enquanto Mariana deixou uma página de emoções para o artista: "...fez-me rir, pensar e chorar... Tenho que digerir melhor o que acabou de acontecer, é que não pareceu ser real, mas estávamos e estamos todos consigo." 

Monstro Monster é um projeto em coprodução com entidades do Canadá, Japão e MiratecArts em Portugal, com imagem promocional por Helder Gonçalves. Esta fase do projeto, com o apoio da Direção Regional da Cultura, termina na ilha do Pico este mês de Março. Terry Costa pretende desenvolver a peça para futuras apresentações além dos Açores. 

Haja saúde!

domingo, 7 de março de 2021

2000.º post


Todo o tempo, esforço e dedicação despendidos para escrever neste blog traduziram-se, ao longo do tempo, em inúmeros posts, sendo que este ocupa uma posição simbólica: é o dois milésimo post!

Ao longo dos últimos 86 meses (sete anos e dois meses), vários foram os temas abordados neste blog, tendo sempre como inspiração tudo aquilo que esteja relacionado com a ilha montanha, com destaque para a zona do Cais do Pico, para a vila e para o concelho de São Roque do Pico.

Por outras palavras, em média foram publicados cerca de 23 posts por mês, o que significa que com uma regularidade praticamente diária (a cada 1,3 dias) existiu um artigo diferente publicado no blog "Cais do Pico". Além disso, existe um trabalho paralelo e constante de manter atualizadas as páginas deste site, com destaque para os horários dos barcos e dos aviões que servem a ilha montanha de forma regular.

É assim uma enorme satisfação poder celebrar 2000 posts e sentir que os mesmos têm tido um retorno fantástico: não só o número total de visualizações deste blog supera atualmente as 2.240.000, mas também o "Cais do Pico" foi classificado como um dos 50 blogs mais lidos de Portugal!

Por fim, não vou me alongar sobre tudo o aqui foi falado, deixando isso para os balanços anuais passados [2014 / 2015 / 2016 / 2017 / 2018 / 2019 / 2020] e futuros, mas gostaria de terminar destacando e reproduzindo apenas um post — o primeiro de todos, intitulado "Bem-vindos!":
Desde tempos remotos que a zona do Cais do Pico serve como o principal ancoradouro da ilha do Pico. Porta de entrada e saída de pessoas e bens, local fronteiriço entre o interior e o exterior da ilha montanha, no Cais do Pico muita coisa já aconteceu, acontece e acontecerá!
Este blog pretende fazer jus ao seu título: ser um ponto de comunicação do que se passa dentro da ilha do Pico e do que é notícia fora da ilha mas que influencia os picarotos, dando especial destaque à zona do Cais do Pico, à freguesia e ao concelho de São Roque do Pico.
Mais uma vez, bem-vindos! Voltem sempre!
Haja saúde!


sábado, 6 de março de 2021

sexta-feira, 5 de março de 2021

Estará uma delegação da IROA a caminho do Pico?


O Governo dos Açores indigitou recentemente Hernâni Costa para a Presidência do Conselho de Administração da IROA, S.A., uma sociedade anónima de capitais públicos que sucedeu ao antigo Instituto Regional de Ordenamento Agrário (IROA). Na respetiva audiência por parte da Comissão de Economia (uma obrigação no âmbito desta indigitação), Hernâni Costa adiantou uma novidade: o presidente indigitado considerou que se deve equacionar a abertura de uma delegação da IROA na ilha do Pico.

Merece agora ser enquadrada qual é a missão da IROA, S.A.: esta sociedade tem como objetivos a promoção do desenvolvimento sustentável das zonas rurais e o incentivo à modernização e diversificação da agropecuária, contribuindo, assim, para a melhoria da competitividade e da qualidade laboral dos agricultores açorianos. Em termos de competências, destacam-se as seguintes:
  • Realização de estudos de ordenamento agrário e fundiário;
  • Projeção, planeamento e execução de obras de ordenamento agrário, nomeadamente, a construção e beneficiação de caminhos agrícolas, de rede de abastecimento de água e eletrificação agrícola;
  • Desenvolvimento e promoção do emparcelamento fundiário e redimensionamento das explorações agrícolas;
  • Gestão da Reserva Agrícola Regional, nos termos regulados na legislação em vigor;
  • Condução de programas de apoio à reestruturação do sector primário, nomeadamente, a reforma antecipada e o regime de incentivo à compra de terras agrícolas.
De entre as competências enunciadas acima, vale a pena enaltecer aquelas que resultam em ações onde predominam investimentos de Obras Públicas: Abastecimento de Água, Caminhos Agrícolas e Eletrificação Agrícola. E porquê destacar estes investimentos? Porque eles representaram nos últimos anos (mais concretamente de 2016 a 2019, inclusive) cerca de 85% do orçamento total da IROA.

Considerando o caso particular da ilha montanha, e atendendo aos anos de 2016 e 2017, o volume de despesa da IROA respeitante ao Pico não ultrapassou os 5% (3,2% e 4,3%, respetivamente) face ao orçamento global, pese embora a Reserva Agrícola da ilha montanha represente cerca de 5,3% do total dos Açores, bem como a torna na quarta maior a nível regional; esta é uma classificação que nesse período de tempo (2016 e 2017) não teve correspondência no orçamento da IROA, pois o Pico foi a sétima e a quinta ilha, respetivamente, a obter a maior fatia do orçamento. Em 2018 e 2019, a situação alterou-se (eventualmente fruto das críticas efetuadas nessa altura pelas autarquias picoenses): o Pico teve direito a 10,7% e a 8,6%, respetivamente, do orçamento da IROA nesses anos (o que correspondeu à terceira e quinta ilha, respetivamente, por ordem decrescente do dinheiro gasto).

Em todo o caso, os investimentos da IROA no Pico não são tão abrangentes como em algumas outras ilhas. Mais especificamente, nenhum investimento relativo a Caminhos Agrícolas e a Eletrificação Agrícola se encontra plasmado nos relatórios e contas de 2016 a 2019 (os únicos publicamente disponíveis à data). Mesmo notando que, na ilha montanha, os principais caminhos rurais sejam Caminhos Florestais, logo fora da alçada da IROA, bem como o facto de ser no Pico que mais se produz Carne dos Açores IGP, logo um tipo de exploração agrícola que não necessita de eletrificação, não deixa de ser digno de registo esta ausência de investimentos por parte da IROA na ilha montanha.

Pergunta-se, então, qual o interesse/necessidade de abrir uma delegação da IROA no Pico? Uma resposta pode ser dada atendendo aos investimentos no âmbito do Abastecimento de Água. Concretizando, a partir de 2018, a ilha montanha passou a ser a segunda do arquipélago onde a IROA mais aplicou recursos financeiros no âmbito do Abastecimento de Água (indo ao encontro, de certo modo, ao que era reivindicado pelos autarcas picoenses).

Outro fator a pesar na balança é o facto de que presentemente a IROA tem sede na ilha de São Miguel e uma delegação na ilha Terceira, o que significa que embora sirva convenientemente e de forma direta a maioria dos exploradores da Reserva Agrícola Regional (nomeadamente 72% desta), uma delegação na ilha montanha iria permitir alargar esta percentagem até cerca de 94%, pois todas as ilhas do Triângulo (Pico, Faial e São Jorge) passariam a estar bem servidas. Além disso, cumprir-se-ia igualmente o desígnio de descentralizar/desconcentrar a Administração Pública Regional.

Adicionalmente, e para além da já mencionada Carne dos Açores IGP, é também no Pico que se produzem outros produtos agro-alimentares de excelência, como é exemplo, para além do vinho e do mel, o Queijo do Pico, um produto com Denominação de Origem Protegida e que foi considerado como um dos melhores queijos de Portugal, bem como possui potencial probiótico, nomeadamente bactérias do ácido láctico capazes de baixar o colesterol e a histamina. Posto isto, a presença da IROA na ilha montanha certamente iria alavancar ainda mais todo o potencial já comprovado do Pico como um dos principais centros da excelência dos produtos agro-alimentares açorianos.

Resta agora esperar que este anúncio de equacionar a abertura de uma delegação da IROA, S.A., na ilha montanha acabe por resultar na respetiva instalação, uma decisão que seria muito favorável para os picarotos, sobretudo para os seus agricultores; por outro lado, também se deseja que este anúncio não seja como aqueles rumores das contratações futebolísticas, onde muitas vezes ou não se concretizam, ou então acabam indo para outro clube...

Haja saúde!

Post scriptum: Este artigo foi igualmente publicado na edição n.º 42.420 do 'Diário dos Açores', de 6 de março de 2021.

quinta-feira, 4 de março de 2021

Escala de navios de mercadorias no Porto do Cais do Pico — março 2021


A Transinsular publicou no seu site a escala para o mês de março de 2021 dos navios de carga que efetuam a ligação Continente - Açores (clique na tabela seguinte para conhecer esta escala).


Os navios e as datas em que os mesmos vão visitar o Porto do Cais do Pico, na vila de São Roque do Pico, encontram-se indicados na tabela seguinte (clicando no nome do navio abre uma nova janela com a localização atual do mesmo).

DiaNavio
04 de março (quinta-feira)Corvo
10 de março (quarta-feira)Ponta do Sol
18 de março (quinta-feira)Insular
24 de março (quarta-feira)Ponta do Sol

Movimento portuário - Porto do Cais do Pico:
Todas estas informações encontram-se igualmente disponíveis no separador "Barcos" deste blog.

Haja saúde!


quarta-feira, 3 de março de 2021

Radar da PSP no Pico — março 2021


Segundo a PSP, neste mês de março de 2021 serão efetuadas algumas operações de controlo de velocidade por radar na ilha do Pico, nomeadamente em:

  • 04 de março (quinta-feira) / 08h00 / São Mateus (Madalena);
  • 22 de março (segunda-feira) / 08h00 / São Roque do Pico.

Haja saúde!

terça-feira, 2 de março de 2021

'Gilberto Mariano' de volta à operação da Atlânticoline


Comunicado da Atlânticoline:
O ferry Gilberto Mariano regressou no final da noite de sábado [27 de fevereiro de 2021] ao porto da Horta, depois de uma intervenção em estaleiro no continente português. O navio regressou à operação segunda-feira, no horário atualmente em vigor, tendo decorrido a necessária operação de higienização. A partir desta terça-feira, 2 de março, o horário da Linha Verde (ligações entre Faial, Pico e São Jorge) será alterado, regressando ao esquema habitual do período de inverno. Na Linha Azul (ligações Faial/Pico), volta a ser possível transportar viaturas em todas as viagens.
Recorde-se que a imobilização do navio resultou de uma avaria no estabilizador de estibordo, detetada a 11 de dezembro. A avaria obrigou a uma intervenção em estaleiro, que decorreu nas instalações da NAVALRIA, em Aveiro. Para além de revisto todo o sistema estabilizador do navio, de modo a potenciar a imobilização, a Atlânticoline diligenciou a antecipação das intervenções de rotina que iriam imobilizar o Gilberto Mariano no final deste ano, e que desta forma foram realizadas já durante esta sua estada em estaleiro. Assim, ao longo deste período de quase dois meses, procedeu-se, também, à manutenção das máquinas e geradores e à renovação das certificações do navio pelas entidades competentes.

Recorde-se que no separador "Barcos" deste blog é possível encontrar os horários dos navios de passageiros que servem a ilha do Pico de forma regular, bem como os horários dos navios de mercadorias que escalam o principal porto comercial da ilha montanha.

Por fim, anexa-se a este post umas fotografias, gentilmente cedidas por Carlos Teixeira, referentes à presença do 'Gilberto Mariano' em Aveiro.

Haja saúde!



segunda-feira, 1 de março de 2021

Obrigações de Serviço Público do Transporte Aéreo entre Lisboa e Açores – que futuro?


Três das cinco denominadas Gateways aéreas dos Açores (leia-se os cinco aeroportos que recebem voos do exterior da Região, a saber São Miguel, Terceira, Santa Maria, Pico e Faial) têm estado na ordem do dia relativamente ao plano de reestruturação do Grupo SATA. A Azores Airlines é a única companhia a servir essas três Gateways (Santa Maria, Pico e Faial), desde 2015 em exclusividade (nas rotas com Lisboa) ao abrigo de Obrigações de Serviço Público (OSP). Nas outras duas Gateways (Terceira e São Miguel) o mercado está liberalizado desde esse mesmo ano de 2015, pelo que, qualquer companhia aérea pode realizar voos nas condições em que bem entender (frequências semanais, aeronave utilizada, tarifário praticado, etc.). De referir que o “pacote” de rotas OSP em causa incluí também a rota entre Madeira e São Miguel, que será excluída desta nossa abordagem.

A recente exposição mediática deve-se sobretudo à cobertura dada (sobretudo pela RTP e Antena 1 Açores) às preocupações levantadas por diversas entidades (públicas, privadas e cívicas) da ilha do Faial. Infelizmente a cobertura e exposição mediática é bastante menor (ou mesmo nula) noutras ilhas com problemas semelhantes (ou até piores) de acessibilidades. Em concreto, não foram ouvidas as preocupações das outras duas rotas OSP com o Continente: Pico e Santa Maria. Todo este mediatismo repentino fez crer em alguma opinião pública que as rotas OSP são o “grande problema” financeiro do Grupo SATA, e que o Governo dos Açores se preparava para encerrar as 3 Gateways em discussão (o que já foi desmentido por diversas vozes, incluindo pelo Presidente do Governo dos Açores). Gostaríamos de tentar desmistificar um pouco essa visão por via deste artigo, elucidando os leitores com factos e (no final) opiniões pessoais.

As OSP atuais são muito semelhantes às que existiam até 2015, que na altura incluíam as rotas entre o continente português e as ilhas São Miguel e Terceira. De realçar que a companhia aérea concessionada tem de cumprir com o número de rotações e lugares disponibilizados, caso contrário incorre em multas aplicadas pela Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC). Por outras palavras, e na prática, mesmo que uma determinada rotação esteja com ocupação prevista muito baixa, a concessionada não pode cancelar a referida rotação para não incumprir nas OSP [chamamos a atenção para o facto de ao longo deste artigo uma rotação representar dois voos, o de ida mais o de regresso (e.g. Lisboa – Santa Maria + Santa Maria – Lisboa)].

Desde 2015 e até 2019 (inclusive), todas as rotas OSP tiveram um crescimento assinalável no número de passageiros movimentados (Santa Maria + 50%, Pico + 100%, Faial + 20%). A rota do Pico foi aliás a que mais cresceu nesse período entre o Continente e os Açores (incluindo rotas liberalizadas). As três Gateways OSP garantem maior coesão territorial e com as rotações com Lisboa libertaram, em 2019, certa de 892 rotações inter-ilhas (SATA Air Açores), garantindo assim indiretamente, por disponibilidade de frota da SATA Air Açores, melhores ligações para as outras ilhas sem ligações com Lisboa (Corvo, Flores, São Jorge e Graciosa).

Recorrendo a dados mais recentes do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), verificou-se a seguinte procura por rota OSP no Inverno IATA 2019-2020 (de Novembro a Março), em relação à oferta mínima de lugares definida:

Rota OSP Mínimo de oferta
(lugares por rota)
Passageiros Transportados
Inverno IATA 2019-2020
Lisboa / S. Maria 5.500 *7.611 2 Rotações Semanais
Lisboa / Pico 5.500 8.115 2 Rotações Semanais
Lisboa / Faial 28.000 19.806 4 Rotações Semanais
*3.776 + 3.835 passageiros em trânsito para São Miguel

Salta à primeira vista que, na rota Lisboa – Faial – Lisboa, as OSP exigem mais lugares do que a procura real. Na prática, as OSP exigem três rotações semanais, mas para cumprir a meta dos 28.000 lugares, a Azores Airlines tem de realizar 4 rotações. Na rota Lisboa – S. Maria – Lisboa, por ser na realidade uma rota circular (Lisboa – S. Maria – S. Miguel – Lisboa), o número de passageiros com destino à ilha do Sol está abaixo da oferta mínima de lugares. Na rota Lisboa – Pico – Lisboa, a oferta de lugares definida pelas OSP é inferior à procura.

A título de curiosidade, os 8.194 lugares não preenchidos na rota do Faial no Inverno IATA de 2019 equivale a 24 rotações da Azores Airlines com o avião vazio. As OSP não permitem à concessionada cancelar voos que estejam com pouca ocupação ou mesmo vazio (ou seja por razões comerciais), já que no Inverno IATA a Azores Airlines cumpre as rotações mínimas definidas em OSP.

Em relação ao Verão IATA 2019 e 2020 (de Abril a Outubro), e recorrendo novamente ao dados do SREA, segue-se o comparativo da oferta mínima de lugares (naturalmente superior em relação ao Inverno IATA) com a procura verificada:

Rota
OSP
Mínimo de oferta
(lugares por rota)
Passageiros Transportados
Verão 2019 Verão 2020
Lisboa /
S. Maria
9.500 10.652 2 Rotações
Semanais
2.291 2 Rotações
Semanais
Lisboa /
Pico
9.500 29.650 3 a 4 Rotações
Semanais
10.292 2 a 4 Rotações
Semanais
Lisboa /
Faial
60.000 69.054 8 a 10 Rotações
Semanais
15.616 5 a 7 Rotações
Semanais

Em 2019 (em pré-pandemia, portanto) o número de lugares definido em OSP foi excedido em todas as rotas, verificando-se que a oferta de lugares exigida está altamente desajustada na rota Lisboa – Pico – Lisboa.

Lisboa – S. Maria – Lisboa (2019 e 2020): Número de voos realizado: 111 / Número equivalente de “voos vazios”: 48

Número de voos realizado: 72 / Número equivalente de “voos vazios”: 48


Lisboa – Pico – Lisboa (2019 e 2020): Número de voos realizado: 143 / Número equivalente de “voos vazios”: 29

Número de voos realizado: 96 / Número equivalente de “voos vazios”: 46


Lisboa – Faial – Lisboa (2019 e 2020): Número de voos realizado: 353 / Número equivalente de “voos vazios”: 70

Número de voos realizado: 189 / Número equivalente de “voos vazios”: 100


A tabela que se segue resume a ocupação média das rotas OSP em 2019 (pré-pandemia) e em 2020 (pandemia). Através de resposta a requerimento de deputados do PSD na ALRA em 2017, inclui-se também a tarifa média anual por passageiro no ano de 2017, por rota OSP.

Rota OSP Tarifa Média Anual
(por passageiro 2017)
Taxa de Ocupação
Média 2019
Taxa de Ocupação
Média 2020
Lisboa / S. Maria 80€ 57% 34%
Lisboa / Pico 95€ 81% 52%
Lisboa / Faial 95€ 80% 47%

A procura pelas rotas do Pico e Faial é bastante elevada no Verão IATA, média/baixa no Inverno IATA e relativamente baixa em Santa Maria todo o ano. É sabido que as tarifas são superiores no Verão IATA, mas não chegam para compensar as perdas do Inverno IATA. Para além disso, a tarifa média é muito inferior à praticada nas Gateways liberalizadas de São Miguel e Terceira, o que ajuda a explicar a operação muito menos rentável nos meses de Verão destas rotas OSP.

Quando se questiona a viabilidade destas rotas, não podemos ter em conta apenas as taxas de ocupação das mesmas. Com a alteração das OSP em 2015, a companhia aérea concessionada deixou de ser compensada pela operação, pelo menos em valores equivalente a pré-2015. Anteriormente, cada passageiro residente e estudante tinha uma tarifa máxima definida e a companhia aérea recebia ainda, diretamente do Estado, uma compensação por cada passageiro transportado, a qual variava entre 86€ e 105€.

Com a criação do subsídio de mobilidade, a diferença entre a tarifa praticada e o valor máximo definido nas OSP para residentes (os conhecidos 134€ para residentes e 99€ para estudantes nas rotas Açores/Continente) reverte a favor do passageiro via reembolso nos CTT, em vez de reverter para a concessionada. Na prática esta alteração veio beneficiar os passageiros com passagens mais baratas após reembolso. A tarifa máxima flexível (ida e volta) nas rotas OSP para residentes (máximo 300€) e estudantes (230€) é agora bastante inferior às tarifas praticadas nas rotas liberalizadas (São Miguel e Terceira), onde por força da liberalização não existe um teto tarifário, verificando-se tarifas que em épocas de maior procura podem ultrapassar os 600€. Nestes casos, apesar de o residente acabar por pagar a tarifa definida, a companhia aérea irá receber uma diferença muito maior por passageiro em rotas liberalizadas, logo mais facilmente poderá rentabilizar essas rotas, em comparação com as rotas OSP. A baixa tarifa média anual por passageiro, em 2017, é explicada também pela conhecida menor procura pelas rotas OSP no Inverno IATA, que obrigam a concessionada a vender bilhetes por preços muito mais baixos, com o objetivo de diminuir o prejuízo dessas rotações deficitárias. Tudo somado, o melhor desempenho financeiro no auge do Verão IATA não chega para compensar os prejuízos no resto do ano.

Ainda no que toca à viabilidade das rotas OSP, a Azores Airlines (como concessionada) está atualmente obrigada a cumprir um número mínimo de rotações e lugares a oferecer por rota e por época IATA (demonstrados nas tabelas iniciais), os dias da semana em que as rotações devem ocorrer, a oferta mínima de carga (que não pode ser recusada pela concessionada se houver disponibilidade na aeronave, tendo prioridade sobre a bagagem dos passageiros), o número mínimo de lugares na aeronave (90, o que condiciona os aviões/companhias que podem concorrer a estas rotas).

Outros fatores que inflacionam os custos operacionais nas rotas OSP são (sobretudo nas Gateways do Faial e Pico) os cancelamentos por motivos meteorológicos, sobretudo no Inverno, e no Verão as frequentes limitações operacionais, sobretudo relacionadas com o comprimento das duas pistas, que impedem o Airbus A320 de operar com capacidade máxima de carga, bagagem e combustível. Note-se que o Airbus A320 é a única aeronave da frota da Azores Airlines que pode atualmente operar (com limitações) nas pistas do Faial e Pico, o que impede a Azores Airlines de uniformizar a sua frota com A321 (atualmente com quatro aeronaves deste modelo). Estão atualmente ao serviço da Azores Airlines três aeronaves A320, sendo que uma terá o seu leasing terminado a médio-prazo, ficando, portanto, dois A320 na frota (frota Grupo SATA: https://www.azoresairlines.pt/pt-pt/frota).

A título de exemplo, se um cancelamento afetar 250 passageiros (ex., 100 ida + 150 volta), e se for aplicável a indemnização compensatória de 400 € (ao abrigo do regulação europeia 261/2004), serão necessários 100.000 € só para suportar estas indemnizações; se houver uma média de dez situações de cancelamento por ano com direito a indemnização (o que está em linha com o que se tem verificado em anos pré-pandemia no Pico e no Faial, atendendo aos cancelamentos por razões operacionais), em 15 anos, por exemplo, serão necessários cerca de 15 milhões de euros só para suportar indemnizações compensatórias.

É possível fazer os necessários ajustes às OSP tendo em conta a procura real de cada rota. Para isso, o Governo dos Açores deverá compensar devidamente a companhia aérea concessionada pelos Serviços Públicos que presta, o que não acontece desde 2015 nestas rotas, podendo começar por eliminar o teto tarifário existente nas rotas OSP. Também consideramos que deve ser introduzida nas OSP alguma flexibilidade comercial permitindo à concessionada cancelar um determinado número de rotações em que a procura é muito baixa, mesmo que isso implique ficar abaixo do número mínimo de rotações semanais. Nesse caso, deve ser assegurado o reencaminhamento dos passageiros por outras Gateways da Região num prazo inferior a 24 horas e com o menor constrangimento possível em tempo total de ligação. O Governo dos Açores deve salvaguardar nas OSP a possibilidade de suspender as mesmas em casos extremos (como a situação de Pandemia que vivemos). Nesta época de pandemia, não se justifica obrigar a concessionária a fazer rotações com 20/30 passageiros (ou até menos) numa aeronave (A320) com capacidade para 165 passageiros, quando há possibilidade de encaminhar os passageiros por outras Gateways.

Lançamos a questão: faz sentido manter OSP todo o ano para as Gateways de Santa Maria, Pico e Faial? Faria sentido ter OSP apenas para o Verão IATA, trabalhando-se em paralelo na melhoria significativa das ligações destas três Gateways a São Miguel no Inverno IATA? Na prática acabar com as ligações diretas com Lisboa, nos cinco meses de menor procura? Ou fará mais sentido ter OSP no Interno IATA, devidamente recompensadas, liberalizando parcialmente as três rotas no Verão IATA?

Nada impede a Azores Airlines de continuar a voar para as três Gateways fora de obrigações OSP, cumprindo a sua missão de serviço público. Por fim, há que considerar a liberalização total e acabar com as OSP, salvaguardando que o Governo Regional, acionista único do Grupo SATA, irá dar instruções para garantir um serviço mínimo adequado ao longo de todo o ano para estas três Gateways, naturalmente sujeito à possibilidade de entrada de outros operadores sazonais nas rotas em causa.

É também pertinente discutir a eventual alteração da frota da Azores Airlines para mitigar os custos operacionais. Pela programação existente à data para o Verão IATA 2021, é percetível que a Azores Airlines terá na sua frota as duas aeronaves A320 já mencionadas e dedicadas quase em exclusivo às rotas OSP do Pico e Faial. As restantes quatro aeronaves A321 ficam dedicadas às restantes malhas de rotas da Azores Airlines.

O A320 é a aeronave ideal para esta operação tendo em conta os dados pré-pandemia patentes neste artigo? Talvez seja adequada no Verão IATA, mas nem tanto no Inverno IATA. Poderiam as OSP ser ajustadas à operação de outra aeronave de menores dimensões (como o Airbus A220-100 ou Embraer E-190-E2) que poderia operar nas pistas do Pico e Faial sem limitações, com menor capacidade de passageiros e carga, permitindo assim adequar o número de frequências com a procura sobretudo no Inverno IATA (procura mais baixa), reforçando-se o número de ligações no Verão IATA em linha com a procura mais elevada destas rotas?

Qual a estratégia do Governo dos Açores para o transporte de carga, agora que se discute novamente a questão do avião cargueiro interilhas, o que pode dispensar grande capacidade de carga para uma aeronave alternativa (com menor capacidade de carga) nas rotações OSP entre as três Gateways e Lisboa?

Assumindo o cenário de que tudo ficará como está a longo prazo em termos de frota na Azores Airlines (que será sempre a mais provável concessionada destas rotas OSP), urge adequar as infraestruturas aeroportuárias ao equipamento existente (aeronaves A320 e A321). Da parte do Governo dos Açores, a ampliação da pista do Aeroporto do Pico (cujo estudo já deveria ter sido tornado público) permitiria a operação dos A321 (impossível hoje!). De referir que a melhoria da pista permitirá também a operação dos A320, sem as já mencionadas limitações de operacionalidade (peso/carga/bagagem/combustível), bem como possibilitará outros voos pontuais do exterior da região no mesmo tipo de aeronaves ou equivalentes (como o Boeing 737).

Era importante ver esclarecido em pormenor a ordem de grandeza do défice de exploração do Grupo SATA ao longo dos anos nas várias vertentes mencionadas pelo Presidente do Conselho de Administração do grupo SATA, em recente entrevista à RTP Açores. Em quantos milhões de Euros as rotas OSP contribuíram (e contribuem) para os resultados negativos do Grupo SATA? Em quantos milhões de Euros outros fatores contribuíram (e contribuem) ao longo dos anos para a situação a que se chegou, nomeadamente os prejuízos com rotas europeias, com rotas da macaronésia, com o A310, com o A330, com os largos períodos em que a frota ficou inativa em terra, com os ACMI (aluguer de aviões a terceiros) em época alta para satisfazer a rede de rotas e maior procura, etc.

As rotas OSP são deficitárias, que ninguém tenha dúvidas disso, mas acreditamos que não são o principal problema da situação financeira grave em que se encontra o Grupo SATA, tal como tem sido apontado por diversos comentadores, em vários artigos de opinião regional, ainda para mais tratando-se de serviço público essencial ao desenvolvimento harmonioso da nossa Região.

A pandemia atrasou o processo de novo concurso de OSP, que neste momento se encontram concessionado à Azores Airlines (voos Territoriais) e SATA Air Açores (interilhas) em regime de ajuste direto. Em 2022, deverão entrar em vigor as novas OSP, após concurso público internacional, quer para voos entre Lisboa e as três Gateways (Santa Maria, Pico, Faial), quer para voos entre São Miguel e Madeira, e também para os voos inter-ilhas (que poderemos abordar noutro artigo).

Muito trabalho de casa se espera por parte do Governo dos Açores e do Grupo SATA, pois são muitas as questões em cima da mesa, sendo certo que é ao Governo dos Açores que cabem as decisões.

Grupo Aeroporto do Pico

Bruno Rodrigues
Ivo Sousa
Luis Ferreira

https://www.facebook.com/groups/aeroportodopico/
https://www.caisdopico.pt/

Haja saúde!

Post scriptum: Este artigo foi igualmente publicado na edição n.º 42.415 do 'Diário dos Açores', de 28 de fevereiro de 2021.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Crónicas na Rádio Pico


No seguimento de um convite formulado pela Rádio Pico, retomei a colaboração com esta estação, agora no programa 'Bom Dia Alegria', de Manuel Luz, mais precisamente na rubrica 'A Crónica com...'.

Assim, todas as 6.ª-feiras, pelas 11h15 [hora dos Açores], falarei um pouco sobre o Pico, com especial destaque para os seus pontos fortes.

Na medida do possível, tentarei que os temas abordados em cada crónica também estejam, de algum modo, representados neste blog, de forma a que ambas as formas de divulgação (radiofónica e escrita) se interliguem.

Para quem não conseguir ouvir em direto cada crónica semanal — por exemplo, via transmissão online em www.radiopico.com — a mesma estará disponível durante uma semana no site da Rádio Pico (tal como as outras crónicas do restante painel), bem como será criado um repositório em anexo a este post [link para o repositório da colaboração anterior].

Haja saúde!


Crónica de 26 de fevereiro de 2021
Museu(s) do Pico


Crónica de 5 de março de 2021
Delegação da IROA a caminho do Pico? [e ainda o Futuro das OSP]