domingo, 31 de dezembro de 2017

Balanço do ano de 2017


Cumprindo com uma prática que se iniciou no ano de fundação do blog "Cais do Pico", em 2014, e que foi mantida em 2015 e 2016, permitam-me que faça um balanço do que passou por este blog neste ano que agora termina, atendendo aos 271 posts aqui publicados durante 2017.

Quero, nestas primeiras palavras, agradecer a todo o universo de leitores deste blog, pois algo escrito só faz sentido se houver quem o queira ler. Sinto que escrever sobre um pouco de tudo relacionado com a ilha montanha, sendo dado destaque à zona do Cais do Pico, à vila e ao concelho de São Roque do Pico, é tempo, esforço e dedicação bem empregues, porque o retorno é fantástico: sejam comentários neste blog, mensagens para o seu e-mail (mail@caisdopico.pt) ou abordagem pessoal, várias foram as pessoas que tiveram palavras muito simpáticas para comigo devido ao blog.

Contudo, não poderia deixar de destacar o Voto de Louvor que recebi da Assembleia Municipal de São Roque do Pico, o qual muito me honrou e sensibilizou. De igual forma, foi com emoção e muita alegria que registei outro momento onde o noticiador se tornou na notícia, mais concretamente através do destaque dado ao blog "Cais do Pico" no jornal 'Açoriano Oriental'.

Por outro lado, houve outras situações que também que me sensibilizaram e que, ao mesmo tempo, relembram-me constantemente a responsabilidade de manter atualizada a informação aqui disponibilizada, sobretudo no que se refere aos separadores "Barcos", "Aviões" e "Autocarros". A título de exemplo, recebi mensagens de outras ilhas dos Açores, do Continente e até de Itália a perguntar sobre várias informações relacionadas com as melhores formas de comprar bilhetes de barco ou de avião, locais de paragens dos autocarros, como se fazia para alugar carro, bicicletas, tendas, etc. Além disso, não esqueço o agradecimento que um jovem picaroto me fez, quando me contou que fora a uma festa em São Jorge e que "se não fosse o blog e os seus horários atualizados, eu teria ficado atrás aquando do regresso ao Pico".

Também achei muito curiosa uma história que me foi relatada por uma amiga minha do Continente: estava ela em Braga, a falar com um familiar, quando a conversa passa pelos Açores e o familiar lhe diz "Sabias que há uma pessoa que tem um blog só sobre o Pico?" Realmente, pode parecer um tanto ou quanto impossível escrever regularmente só sobre uma ilha no meio do Atlântico, a qual tem menos de 15 mil habitantes, recorrendo para isso apenas ao tempo livre e tendo em consideração que passo grande parte do ano fisicamente ausente da ilha montanha... Pois bem, foi um desafio que decidi enfrentar e que até ao momento está a superar todas as expectativas, incluindo aquelas que achava serem impossíveis de alcançar! Fazendo uma análise estatística ao blog, no início de 2017 foi atingida a marca simbólica das 500.000 visualizações, sendo que atualmente já foram superadas as 900 mil visitas! Por outro lado, em meados do ano foi escrito o 1000.º post, o qual representa uma prova clara da regularidade de publicação de informação ao longo dos quatro anos de existência deste blog. Mas o momento mais marcante do ano, e igualmente inesperado, foi quando o blog "Cais do Pico" entrou na lista dos 100 blogs mais lidos de Portugal, sendo inclusivamente líder na sua categoria — Cidade / Local! Para mim, este foi um momento de enorme alegria e, simultaneamente, de comoção, pois escrever sobre um dos locais menos populosos de Portugal, dos mais remotos do país, e mesmo assim ter imensas visualizações no contexto nacional demonstrou-me que, por vezes, algo só é pequeno na nossa imaginação e não na prática!

É igualmente justo reconhecer que todas estas marcas também se devem a todos aqueles que deram a conhecer este blog, mais concretamente a outros blogs que incluem o "Cais do Pico" na sua lista de blogs, a quem passou a palavra de boca em boca dos posts aqui publicados e a quem partilhou os mesmos no Facebook e noutras redes sociais, sendo que a todas estas pessoas renovo o meu agradecimento pela divulgação efetuada.

Em termos de acesso à informação, o blog não registou alterações durante o ano de 2017, excetuando a adição de alguma publicidade, de forma a cobrir os custos associados ao uso de um domínio registado: o link de acesso continua simples de memorizar — caisdopico.pt — é possível fazer um gosto na página de Facebook associada (a qual já conta com mais de 1.200 gostos), bastando para isso procurar por @blogcaisdopico, e ainda pode se registar um e-mail e receber automaticamente uma mensagem sempre que existir um novo post (consultem a barra lateral direita deste blog para aderir ou o final da página, consoante estejam a visualizar num computador ou num telemóvel, respetivamente).

Permitam-me agora que evidencie algum do trabalho desenvolvido no blog "Cais do Pico" mas que é menos visível. Tal como anteriormente referido, nos separadores "Barcos", "Aviões" e "Autocarros" tento manter atualizado ao máximo os horários dos navios de passageiros, aviões e autocarros que servem regularmente a ilha do Pico, respetivamente (muitas vezes incluindo alterações aos horários anunciadas apenas na véspera). Os restantes separadores, "Informações úteis" e "Sabia que...", foram também atualizados ao longo de 2017 — renovo aqui o meu desafio aos leitores deste blog para que visitem este último separador e verifiquem se já tinham conhecimento de todos os factos curiosos sobre a ilha do Pico lá descritos.

Outro trabalho igualmente menos visível, mas que desempenho com a missão de mostrar que a afirmação "aqui não se passa nada" não é de todo verdadeira, prende-se com o facto de tentar manter atualizada a mini agenda "Acontece por aí", onde na parte superior da barra lateral direita deste blog (ou em baixo, na versão para telemóvel) estão os links para alguns eventos que estão acontecendo ou que vão acontecer nas redondezas. Em paralelo, graças a esse trabalho de pesquisa constante, foi também possível ir colecionando vários links para fotografias e vídeos de eventos já passados (desde 2014 até ao presente), os quais estão reunidos num só local deste blog, mais concretamente através da "Máquina do Tempo — São Roque do Pico", de forma a que todas estas recordações fiquem mais facilmente acessíveis a toda a comunidade e para memória futura.

Tomando agora a liberdade de destacar algumas das publicações efetuadas durante o quarto "ano de vida" do blog "Cais do Pico", houve um conjunto alargado de posts que terminaram com uma frase comum (para além do habitual "Haja saúde!") e que traduziram aquilo que se sente na ilha montanha: "o Pico está na moda!" Foram inúmeros os indicadores estatísticos que mostraram que a ilha do Pico está em franco crescimento na área do turismo, desde o museu mais visitado dos Açores, as dormidas que se registaram, os números recordes diário e total de subida à montanha, o grande afluxo à Gruta das Torres, a elevada procura em sites internacional de reserva, enfim, a ilha montanha recebeu tantos turistas que até chegaram a esgotar temporariamente algumas das suas atrações! Mas não só no turismo o Pico mostrou a sua pujança; foi nesta ilha que se registou o segundo maior número de edifícios licenciados no arquipélago, bem como foi a terceira ilha onde se descarregou mais pescado. Aliás, o turismo e a economia da ilha montanha está de tal forma a crescer que não só o Pico integra uma lista dos 26 melhores destinos mundiais a visitar em 2018 e existem figuras públicas que querem ter uma casa no Pico, bem como até empresários de outras ilhas submeterem um projeto para um grande novo hotel na zona da paisagem protegida da cultura da vinha, projeto esse que também foi alvo de um parecer feito neste blog.

Em todo o caso, e à semelhança de anos anteriores, houve um tema que mereceu um amplo destaque aqui: o Aeroporto da ilha do Pico e o movimento aéreo que serve a ilha montanha. No ano do 35.º aniversário da infraestrutura aeroportuária que serve o Pico, as estatísticas mostraram uma liderança regional no início do ano, um decréscimo ao longo do primeiro trimestre e uma inexplicável (à primeira vista) última posição a meio de 2017. No entanto, uma análise mais cuidadosa revelou uma outra realidade: as taxas de ocupação dos aviões têm vindo a subir, os voos para o Pico são os primeiros a esgotar nos Açores, quer no verão, quer na época natalícia, e as viagens são mais caras quando comparadas com destinos vizinhos. Mais, foi provado que o crescimento negativo registado não se deveu a voos vazios, mas sim à falta de ligações, pois inclusivamente foi atingido o resultado paradoxal de voos com taxas de ocupação de 100% e um decréscimo nos passageiros transportados!

Também foram efetuados estudos de fundo sobre como os aeroportos do "Triângulo" servem o conjunto das três ilhas — onde ficou provado que o aeroporto do Pico é a infraestrutura que consegue maximizar o benefício para todas estas três ilhas — e sobre a importância da ligação Lisboa-Pico-Lisboa no contexto do "Triângulo" — ligação esta que está sujeita a obrigações de serviço público que se têm revelado completamente subdimensionadas face à realidade observada na ilha montanha.

No entanto, o evento mais marcante do ano relacionado com o Aeroporto da ilha do Pico foi a oficialização da petição "Pelo aumento das condições de operacionalidade do Aeroporto da ilha do Pico" — em julho, a petição "levantou voo" rumo ao parlamento açoriano com uma "montanha de apoio", traduzida de forma simbólica em 2351 assinaturas (tantas quantas a altura do ponto mais alto de Portugal, o nosso Pico!), sendo que, em novembro, a petição foi debatida em sede da Comissão de Economia. Entendo que esta iniciativa não foi apenas uma mera formalidade, mas sim marcou para sempre o dia em que as pessoas se uniram em defesa de melhoramentos na infraestrutura aeroportuária do Pico; além disso, e como primeiro subscritor da mesma, nunca esquecerei o enorme apoio das pessoas que a assinaram e a união pública demonstrada — incluindo as vertentes empresarial e política — gestos que a mim, bem como aos meus amigos primeiros subscritores, fizeram sentir que não estamos sós na defesa desta causa, mas sim que representamos um conjunto alargado e muito coeso de cidadãos!

O Porto do Cais do Pico e o seu movimento também não foram esquecidos. Apesar de terem surgido alguns sinais de que algo talvez estava a mudar, desde atracagens invertidas até ajustes de horários de forma a que a Atlânticoline não cancelasse escalas em São Roque do Pico (!!!), a verdade é que, no final do ano, tudo voltou "à normalidade": esta infraestrutura portuária, o maior porto comercial da ilha montanha, voltou a ficar com a sua rampa ro-ro inoperacional devido à substituição de cabeços de amarração, o que implicou a supressão de várias escalas da Atlânticoline, pese embora a substituição de cabeços só tenha efetivamente começado mais de 15 dias depois do cancelamento das primeiras viagens... Pois bem, foi assim reativado neste blog um contador de quanto tempo já passou desde que a rampa ro-ro do Porto do Cais do Pico voltou a ficar inoperacional para os navios 'Gilberto Mariano' e 'Mestre Simão', ambos da Atlânticoline; note-se que a inoperacionalidade da rampa não é razão para inviabilizar as escalas em São Roque do Pico das viagens de passageiros (apenas invalida o embarque/desembarque de viaturas), se bem que as pessoas continuam a questionar as razões para a Atlânticoline cancelar tanto nesta vila nortenha da ilha montanha, sobretudo em dias onde até operaram outros navios no mesmo porto durante largas horas...

Aproximando-me do final deste balanço anual, quero ainda mencionar alguns posts relacionados com o património e a história da ilha montanha, nomeadamente como nasceu a "Fábrica da Baleia" de São Roque do Pico, os motivos na calçada do Cais do Pico, algumas estatísticas de como era o Pico há cerca de 200 anos e um mapa da ilha montanha com quase 450 anos. Quero também realçar outros posts que destacaram a internacionalização da divulgação do nosso património, mais concretamente a publicidade à paisagem da cultura da vinha da ilha do Pico feita no passaporte português e a chamarrita à moda do Pico que chegou a integrar um casamento americano. No meio do extenso rol de publicações, houve ainda tempo para algumas de índole mais humorística, como "O Despacito do D. Dinis" e "O portão mais filosófico do mundo".

Mesmo antes de terminar, gostaria de voltar a partilhar uma das fotos originais aqui apresentadas durante 2017 (uma espécie de "imagem do ano", tal como foi feito em balanços anteriores): uma fotografia tirada pela altura do pôr do sol, onde, em harmonia com a montanha, também o céu sobre o Cais do Pico, na vila de São Roque do Pico, assumiu umas fantásticas cores no final da tarde da Quinta-feira Santa de 2017 [imagem em anexo].

Finalmente, e concluindo este longo post, quero desejar a todos um Feliz Ano Novo de 2018, com muita saúde e boa disposição!

Haja saúde!

sábado, 30 de dezembro de 2017

Montanha Pico Festival 2018


Ao longo do mês de janeiro de 2018 terá lugar na ilha do Pico a quarta edição do "Montanha Pico Festival", um festival que pretende estimular iniciativas concretas a todos os níveis para enfrentar as ameaças, melhorar a qualidade de vida e sustentar ambientes saudáveis nas regiões montanhosas do mundo, mais especificamente na ilha montanha dos Açores.

Haverá exposições de arte, apresentação de filmes, eventos musicais, aventuras na montanha, etc.

Aqui fica o programa oficial [link para versão Facebook], o vídeo-spot e o cartaz deste festival.

Haja saúde!

Post scriptum: links relacionados — álbum do festival | Gaita de foles toca no topo de Portugal.




sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Cem mil visitantes na Gruta das Torres


O Centro de Visitação da Gruta das Torres, inaugurado em maio de 2005, registou recentemente a visita número 100 mil a esta cavidade vulcânica, um percurso visitável com cerca de 450 metros, conduzido por um guia e em grupo de 15 visitantes, no máximo.

Originada por escoadas lávicas basálticas, a Gruta das Torres é o maior tubo lávico conhecido em Portugal, com uma extensão de 5.150 metros e uma altura máxima de 15 metros, sendo constituída por um túnel principal de grandes dimensões e por vários túneis secundários, laterais e superiores, os quais possuem estruturas geológicas muito variadas, e está classificada como Monumento Natural desde 18 de março de 2004.

Atualmente, e devido à elevada procura pela Gruta das Torres, as visitas a esta cavidade costumam esgotar, sugerindo-se, por isso, que as mesmas sejam reservadas com antecedência [link para contactos].

Resumindo, os números não enganam: o Pico está na moda!

Haja saúde!

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Almeida Firmino ainda existe?

Almeida Firmino deixou mais do que uma gabardine e um guarda-chuva quando adormeceu nas águas salgadas, junto ao moinho da Lapinha, em São Roque do Pico, na manhã de 14 de novembro de 1977. O poeta de "Ilha Maior", que não sendo picoense de berço deixou-se adotar pela ilha, quis aqui ter a sua sepultura. No ano do 40.º aniversário do seu falecimento, procuramos o seu legado e a memória que a ilha guardou de um dos seus maiores poetas.
É assim que se inicia um artigo publicado no jornal 'Açoriano Oriental' sobre Almeida Firmino, o poeta que conseguiu sentir as dores do ser ilhéu e elevou o Pico a "Ilha Maior" [link para reportagem completa].

Em sua homenagem, apresenta-se, em anexo, o seu poema "Ilha Maior".

Haja saúde!



Ilha Maior

Minha ilha sem bruma
Sem distância a percorrer
Onde o vento é o donatário
Único senhor e rei
Sem eu mesmo o saber.

Ilha Maior no sonho e na desgraça
Sempre a acenar a quem ao longo passa
Nos navios rumo ao Canadá e América.
Ancoradouro de aves, poetas e baleeiros,
Heróis sem nome, com um pé em terra e outro no mar,
Quantas vezes em vão a balear.

Negra, negra, negra e cativa
Ilha Maior, minha Ilha-Mãe adoptiva,
Maravilha de lava e altura!
El-rei Sebastião, o Desejado,
Veio um dia, nunca mais voltou.
E é aqui, cavada a seu lado,
Que eu quero ter a minha sepultura.

Almeida Firmino


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O desajuste nas Obrigações de Serviço Público Aéreas entre os Açores e o Continente


O arquipélago dos Açores apresenta, nas ligações aéreas com o Continente portugês, um modelo misto de serviço, o qual depende da gateway açoriana que se escolha (uma gateway corresponde a uma porta de entrada/saída dos Açores, sendo que existem cinco):
  • As rotas entre o Continente e as ilhas de São Miguel e Terceira operam em mercado livre, ou seja, sem qualquer obrigação por parte das companhias aéreas;
  • As ilhas de Santa Maria, do Pico e do Faial são servidas respeitando umas Obrigações de Serviço Público Aéreas (OSPA), as quais regulam a frequência mínima de viagens por semana, a obrigatoriedade em transportar carga, o tipo de aeronave que deve ser utilizado, etc.
A existência de obrigações de serviço público prende-se com a necessidade de garantir continuidade territorial (quer para passageiros, quer para carga) em locais onde o mercado por si só não tornaria viável uma operação regular. Por exemplo, a garantia de que irá ser realizado um voo sujeito a obrigações de serviço público, independentemente do número de passageiros a bordo, permite que se possa planear o transporte de correio ou carga muito importante para os residentes (ex. importação de medicamentos ou exportação de pescado). Assim, as obrigações de serviço público são essenciais para combater o isolamento das ilhas abrangidas por estas regulamentações.

Contudo, e como tudo na vida, estas obrigações têm um custo associado para todos nós contribuintes, pois é necessário compensar a companhia aérea que opera nestes moldes. Por outras palavras, poder-se-ia impor vários voos diários para o mesmo destino durante todo o ano, mas tal decisão não só estaria desfasada da realidade (provavelmente a maioria dos voos teria uma baixa taxa de ocupação), bem como isso seria extremamente dispendioso para o erário público.

Torna-se importante, por isso, impor umas obrigações de serviço público que façam sentido para cada um dos destinos em questão, bem como ir avaliando permanentemente se as mesmas se mantêm ajustadas à realidade. E é nesse sentido que aqui se analisa as atuais Obrigações de Serviço Público Aéreas (OSPA) entre os Açores e o Continente, focando a análise nas capacidades globais mínimas de lugares.

Para uma determinada rota, a capacidade global mínima de passageiros corresponde à soma dos lugares que têm de ser oferecidos na ida e na volta durante um determinado período de tempo — no caso das OSPA, um ano é dividido em duas partes, correspondendo uma ao Inverno IATA (do último domingo de outubro ao último sábado de março) e outra ao Verão IATA (do último domingo de março ao último sábado de outubro).

As capacidades globais mínimas de lugares são um factor menos visível para os passageiros (quando comparado com as frequências mínimas, por exemplo) mas são de extrema importância quer para a transportadora aérea, quer (indiretamente) para todos nós:
  • A companhia de aviação tem de garantir que disponibiliza, pelo menos, o número de lugares indicado nas obrigações de serviço público, o que significa que, na prática, o planeamento é feito considerando que vão sempre viajar aquele número de pessoas, quer depois o façam ou não;
  • Se a capacidade mínima imposta for muito superior à ocupação real, então não só a transportadora aérea tem um planeamento completamente desajustado face à realidade, bem como o prejuízo que daí advém tem de ser compensado pelos contribuintes;
  • No caso de existirem muito mais pessoas a querer viajar do que aquelas previstas nas obrigações de serviço público, então podem ocorrer situações menos benéficas para os passageiros, quer sejam voos que só são programados "em cima da hora" porque a procura excedeu a oferta imposta pelas OSPA, quer seja mesmo a inexistência de "voos extra" devido ao facto de a companhia de aviação já estar a cumprir com "os mínimos" e não ser obrigada a mais.
Resumindo, é fundamental garantir um equilíbrio entre as capacidades de lugares oferecidas e os passageiros efetivamente transportados.

Analise-se, então, como correram as últimas duas estações IATA para as rotas sujeitas a OSPA entre os Açores e o Continente, recorrendo ao Serviço Regional de Estatística dos Açores, e compare-se com as respetivas capacidades globais mínimas de lugares — vide tabelas.

Inverno IATA 2016/2017
Rota Cap. mínima PAX transportados Diferença
LIS - S. Maria - LIS 5 500 3 457 -2 043
LIS - Pico - LIS 5 500 6 251 751
LIS - Horta - LIS 28 000 17 129 -10 871

Verão IATA 2017
Rota Cap. mínima PAX transportados Diferença
LIS - S. Maria - LIS 9 500 10 480 980
LIS - Pico - LIS 9 500 22 585 13 085
LIS - Horta - LIS 60 000 62 064 2 064

Começando pelo Inverno IATA, verifica-se que a rota Lisboa - Pico - Lisboa é a única onde viajaram mais pessoas face aos lugares mínimos disponibilizados. Relativamente às rotas que servem Santa Maria e o Faial, em ambas foram disponibilizados muitos mais lugares do que os passageiros transportados, o que significa que as capacidades globais mínimas para estas rotas estão bastante desajustadas por excesso face à realidade (a diferença em número absoluto é maior na rota Lisboa - Horta - Lisboa, pese embora em ambos os casos verifica-se que mais de um terço dos lugares oferecidos não foram utilizados).

Considerando agora o Verão IATA, em todas as rotas foram transportadas mais pessoas em comparação com os lugares mínimos disponibilizados. Contudo, a rota Lisboa - Pico - Lisboa volta a ter uma posição de destaque, desta vez porque viajaram mais do dobro dos passageiros face à capacidade global mínima — mais nenhuma outra rota apresenta um tão grande desajuste por defeito face à realidade.

Em suma, a grande conclusão a tirar é que as três rotas aéreas sujeitas a obrigações de serviço público entre os Açores e o Continente não têm as capacidades globais mínimas ajustadas à realidade: no inverno há excesso de oferta nalgumas rotas, enquanto no verão há um défice de oferta mínima face ao número de passageiros transportados. Assim, é importante que a próxima revisão das obrigações de serviço público corrija este desajuste que se verifica atualmente.

Por fim, é justo reconhecer que quando se fala em quebrar o isolamento de ilhas e em serviço público, é preferível que as contas sejam feitas ligeiramente por excesso, de forma a garantir um bom equilíbrio entre servir toda a gente e os impactos para os contribuintes. Por outro lado, também é justo afirmar que a ilha do Pico pode ser classificada como a mais prejudicada pelas atuais obrigações de serviço público, pois as capacidades globais mínimas que lhe estão atribuídas estão claramente subdimensionadas.

Haja saúde!

Post scriptum: Esta análise foi igualmente publicada na edição n.º 41.457 do 'Diário dos Açores', de 28 de dezembro de 2017, bem como na edição n.º 715 do 'Jornal do Pico', de 12 de janeiro de 2018.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Programa de três dias da MiratecArts encerra 2017


Os dias 29, 30 e 31 de dezembro ficarão marcados na ilha do Pico por um roteiro que inclui a exibição de conteúdo cinematográfico, um diálogo sobre a atualidade da arte contemporânea e, a encerrar o certame, a inauguração de uma exposição.

“O Quadrado”, de Ruben Östlund, estará em exibição no auditório do Museu dos Baleeiros, nas Lajes do Pico, na sexta-feira, dia 29, às 21h00, com entrada gratuita. O filme ganhou o prémio “Palma de Ouro” no Festival de Cannes 2017, bem como as categorias de melhor filme, realizador e ator no European Film Awards, tendo ainda sido nomeado para Melhor Filme Estrangeiro para os Óscar e Globos de Ouro 2018 [trailer em anexo].

A programação prossegue no sábado, dia 30, pelas 10h00, com um passeio e diálogo na MiratecArts Galeria Costa, sobre o modo como a televisão apresenta o mundo da arte – os interessados na participação podem fazer o seu registo através de info@mirateca.com ou do contato telefónico 963 639 996.

Finalmente, no domingo, dia 31, a exposição “pink season by tc” marca o final da programação, estando a sua abertura agendada para as 19h00 do último dia do ano, na Galeria A Brasa, situada à margem do Hotel Caravelas, na Madalena.

Haja saúde!

domingo, 24 de dezembro de 2017

Prenda de Natal: estereograma de Boas Festas!


Como prenda de Natal para todos os seguidores deste blog, oferece-se aqui um estereograma de Boas Festas (sugere-se que se clique na imagem para a ver maior e com mais definição).

Um estereograma é uma técnica de ilusão de óptica, onde é possível visualizar uma imagem tridimensional a partir de uma imagem a duas dimensões. Existem várias técnicas para poder observar um estereograma:
  • A ideia é desfocar a vista da imagem, de maneira que as diferentes perspectivas sejam captadas respetivamente por cada olho;
  • Alguns recomendam olhar o infinito, ou seja, fixar a vista num objeto distante e, sem desfocar, voltar a olhar a imagem;
  • Outros preferem fixar a visão em um dedo sobre a imagem e lentamente retirá-lo, ou observar o reflexo da imagem num vidro, ou olhar a imagem bem de perto e, mantendo o foco, ir afastando a cabeça, de forma que o foco saia do papel até encontrar o ponto ideal.
Em qualquer caso, basta clicar aqui para saber a solução deste estereograma de Boas Festas do blog 'Cais do Pico'.

Feliz Natal!

Haja saúde!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

As gémeas da Escola Regional de Artesanato de Santo Amaro do Pico

As irmãs Alzira e Conceição Neves fundaram a Escola Regional de Artesanato de Santo Amaro (ERASA), na ilha do Pico, em 1986 por onde passaram largas dezenas de pessoas para aprender a confecionar produtos tradicionais mas, mais do que a instituição, os nomes das gémeas acabam por ser também uma marca indissociável das tradições açorianas.
É assim que se inicia um artigo publicado no jornal 'Açoriano Oriental' sobre duas irmãs gémeas picarotas que têm uma vida dedicada ao artesanato [link para reportagem completa].

Visitar hoje a ERASA não se cinge apenas a conhecer um museu, oficina e salas de trabalho; tal como as artesãs mencionam, "agora somos também um ateliê aberto aos turistas. Chegam cá, veem um trabalho, querem aprender como se faz e nós ensinamos logo".

Como sugestão final, nada como passar pela freguesia de Santo Amaro, concelho de São Roque do Pico, e descobrir um fantástico acervo em constante atualização relacionado com o artesanato regional açoriano.

Haja saúde!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Eis um mapa da ilha do Pico com quase 450 anos


Diogo Barbosa Machado foi o autor da "Bibliotheca Lusitana", impressa entre 1741 e 1759, e considerada o primeiro grande catálogo de obras e autores portugueses. Depois de sua morte, em 1772, a sua biblioteca foi doada à "Real Bibliotheca", organizada por D. José I para substituir a antiga "Real Livraria", a qual havia sido destruída pelo terramoto de 1755. Quando a corte portuguesa foi para o Brasil, em 1808, levou a "Real Bibliotheca", a qual se tornaria a "Biblioteca Nacional do Brasil".

Entre as obras sob a autoria deste bibliófilo, o 'Mappas do Reino de Portugal e suas conquistas' destaca-se pela compilação de diversos atlas, livros e mapas elaborados entre os séculos XVI e XVIII. Este atlas factício (isto é, constituído por documentos de origens diversas) possui 137 folhas, que incluem uma página de título, 183 mapas e quatro atlas, alguns dos quais manuscritos e gravados.

Graças à disponibilização online de parte do acervo da Biblioteca Nacional do Brasil, é possível aceder a um mapa da ilha do Pico que data de 1570, tornando-o assim em mais uma fonte para perceber o passado da ilha montanha [para visualização detalhada do mapa, visitar os links seguintes: link 1 | link 2].

Analisando este documento, embora a forma da ilha do Pico não corresponda bem à representação atual, o pormenor com que foi desenhada a montanha claramente não deixa margem para dúvidas de que se trata do Pico.

Sendo um mapa com quase 450 anos, é natural que apresente várias outras diferenças quando comparado com a atualidade. Por exemplo, o número de povoações era bastante inferior face às existentes no presente, sendo que naquela época ainda só existiam duas vilas no Pico, nomeadamente a "Vila das Lageas" e a "Vila de S. Roqve".

Em todo o caso, várias "pontas" e baixios já estavam identificadas no mapa, informações estas que eram (e ainda são) de enorme valor para todos aqueles que navegam nas águas que circundam a ilha montanha.

Para finalizar, apenas mais uma referência para outra curiosidade: este antiquíssimo mapa já contém uma menção à atual zona do Cais do Pico, mais concretamente identificando a mesma simplesmente por "o Caes" e mostrando que esta zona já era habitada em 1570; assim, é possível afirmar que frases muito habituais no Pico do século XXI, tais como "sou do Cais" ou "moro no Cais", afinal já são ditas há mais de quatro séculos!

Haja saúde!

[Post relacionado: 'Como era o Pico há 155 anos']

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Pico integra lista dos 26 melhores destinos mundiais a visitar em 2018


A companhia de notícia norte-americana "MIC" elaborou uma lista dos 26 melhores destinos espalhados pelo globo que merecem uma visita em 2018. Cobrindo todos os continentes, as sugestões de viagem incluem os mais variados tipos de destino, desde grandes cidades a zonas com a natureza mais intacta.

E é assim que surge a indicação de que, em 2018, os Açores são um destino de eleição: segundo a descrição feita pelos jornalistas, as ilhas açorianas fazem lembrar, à primeira vista, o arquipélago do Havai, sobretudo devido à atividade vulcânica existente, ao contraste entre o verde e o azul (dando como exemplo a Lagoa das Sete Cidades, na ilha de São Miguel), bem como pela prática de vela, mergulho e paraquedismo.

Contudo, os autores afirmam que as semelhanças com o "primo" do Pacífico ficam-se por aqui e passam a destacar a vitivinicultura:
De facto, a cultura da vinha aqui é tão única que a UNESCO conferiu o estatuto de Património Mundial à ilha do Pico, onde os muros de pedra entrelaçam a paisagem de forma a proteger as videiras dos elementos hostis.

Numa lista de destinos que também integra lugares como Amesterdão, Singapura ou Buenos Aires, não deixa de ser curioso tomar nota que os jornalistas poderiam ter destacado imensas imagens de marca dos Açores, mas fizeram questão de mencionar a ilha montanha e o legado deixado pelos nossos antepassados, algo que só nos pode orgulhar e comprovar aquilo que todos os picarotos sentem:

O Pico está na moda!

Haja saúde!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Lutar contra as alterações climáticas a partir da ilha do Pico

Thomas Dufour é um engenheiro florestal francês, tem 41 anos e, nos últimos 14, trabalha como consultor internacional no sector florestal, desenvolvendo diversos projetos que visam minimizar os efeitos das alterações climáticas, reduzir a vulnerabilidade dos povos a essas alterações e lutar contra este problema global.
É assim que se inicia um artigo publicado no jornal 'Açoriano Oriental' sobre um francês que, juntamente com a sua família, trocou a cidade de Paris pela ilha do Pico [link para reportagem completa].

Não deixa de ser interessante tomar nota daquilo que a ilha montanha consegue oferecer e que Thomas Dufour não tinha na capital francesa, uma das mais importantes cidades do mundo: no Pico há "um vínculo social que, infelizmente, se perdeu nos grandes centros urbanos".

Haja saúde!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Pai Natal, eu só queria mais um voo para o Pico...


Querido Pai Natal,

Como sabes, a época natalícia é quando a esmagadora maioria dos portugueses se reunem juntos dos seus familiares e, por vezes, isso implica algumas deslocações entre lugares longínquos.

Ora bem, para muitos açorianos, por serem ilhéus, o carro, o autocarro, o comboio e até mesmo o barco geralmente não são meios de transporte suficientes para as pessoas poderem alcançar o destino pretendido; o avião acaba sendo a única solução para que o Natal seja, efetivamente, passado em família.

Talvez um ajudante teu já te tenha informado que eu sou picaroto, o que significa que gostava de ir passar o Natal à ilha montanha, estar junto da família e sentir aquele friozinho característico de quando há neve no ponto mais alto de Portugal...

Contudo, fiz uma simulação de voos para a semana que antecede o Natal e descobri que, partindo de São Miguel ou da Terceira, a maior parte dos voos para o Pico estão esgotados! Mais concretamente, apenas há vaga em dois dos sete dias considerados!!!

Eu confesso, Pai Natal, que durante o ano às vezes peço alguns voos para a ilha do Pico, mas eu só o faço quando é para igualar a oferta que as restantes ilhas têm e que bem merecem. Pois bem, este Natal de 2017 não foge a esta regra, ou seja, eu só te faço o seguinte pedido porque a ilha montanha tem menos voos disponíveis do que qualquer outra ilha dos Açores:

Pai Natal, eu só queria mais um voo para o Pico nos dias em que os outros voos já estão esgotados!

Haja saúde!

Post scriptum: Pai Natal, em anexo estão as simulações de voos que fiz, recorrendo ao site da 'Azores Airlines', em 8 de dezembro de 2017.




quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Açores, a próxima certeza dos vinhos de Portugal

No meio do negrume das rochas vulcânicas da ilha do Pico, as folhas verdes das videiras parecem um milagre. Durante séculos, é fácil compreender que os habitantes da ilha lutassem contra essa natureza agreste para produzirem os vinhos que dificilmente conseguiriam obter por causa da distância e do isolamento. Hoje, a cultura da vinha está a expandir-se rapidamente não por causa dessa necessidade, mas porque os vinhos do Pico e, num plano mais abrangente, dos Açores, estão a tornar-se casos muito sérios junto dos enófilos que procuram autenticidade, originalidade e um carácter indiscutível.
É assim que se inicia uma reportagem sobre vinhos açorianos, da autoria do jornal 'Público', na qual o vinho produzido na ilha do Pico assume um lugar de destaque, naturalmente por ser o local de onde provém a esmagadora maioria da produção [link para reportagem completa].

Recorde-se que a vinha da ilha do Pico é uma autêntica lição de vida, tendo sido, por isso, classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade.

Haja saúde!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Mas porque é que a Atlânticoline cancela tanto em São Roque do Pico?


A empresa pública açoriana de transporte marítimo de passageiros, a Atlânticoline, dispõe de uma rota que liga diariamente as três ilhas do "Triângulo". Denominada 'Linha Verde', esta rota parte da cidade da Horta (ilha do Faial), escala a ilha do Pico (ou na Madalena ou em São Roque, ou até em ambas as vilas) e termina a viagem de ida na vila de Velas (ilha de São Jorge); o regresso é feito invertendo este percurso.

A 'Linha Verde' assume-se, assim, como a mais importante rota marítima de passageiros para quem pretenda chegar ou sair da ilha de São Jorge (pois é a única que serve esta ilha todo o ano). Por isso, há que servir condignamente os utentes e lhes oferecer ligações fiáveis e rápidas, de forma a potenciar o crescimento desta verdadeira rota do "Triângulo".

Do ponto de vista de quem viaja entre a ilha montanha e a sua vizinha a norte (ou em sentido contrário), a viagem mais rápida é aquela que une as vilas de São Roque do Pico e Velas. Mais do que um sentimento de que é a esta é a ligação natural entre Pico e São Jorge, está comprovado que esta rota é a que melhor serve todas as pessoas que estejam em qualquer lugar do Pico e que pretendam ir a São Jorge, ou vice-versa.

Ora bem, acontece que, não raras vezes, as escalas em São Roque do Pico (no respetivo Porto do Cais do Pico) são canceladas devido a razões meteorológicas. No entanto, são inúmeras as situações em que o mar parece calmo e que estes cancelamentos geram estranheza entre os passageiros marítimos [exemplo 1 | exemplo 2 | exemplo 3]. As pessoas questionam-se "Mas porque é que a Atlânticoline cancela tanto em São Roque do Pico?", pois o transtorno vivido parece não ter justificação aparentemente...

Ressalvando que a segurança marítima está acima que tudo, e que mais vale prevenir do que remediar, mesmo assim a questão anterior não é de fácil resposta. Ainda por cima, existem certas ocorrências que tornam verdadeiramente enigmáticos alguns cancelamentos em São Roque do Pico...

Para exemplificar uma destas situações que causam confusão nas pessoas, atente-se ao que aconteceu no dia 4 de dezembro de 2017:
  • A ondulação prevista era proveniente do quadrante oeste/sudoeste, ou seja, não provoca um grande impacto no Porto do Cais do Pico devido à proteção natural dada pela própria ilha;
  • Mesmo assim, a Atlânticoline informou no próprio dia que, "devido às condições meteorológicas em São Roque", as escalas da 'Linha Verde' seriam canceladas na vila nortenha da ilha montanha;
  • Contudo, e no mesmo dia, dois navios de carga da empresa Transportes Marítimos Graciosenses operaram normalmente no Porto do Cais do Pico — o navio 'Paulo da Gama' chegou antes das 7 da manhã e partiu já depois das 20h30, enquanto o 'Ponta da Barca' entrou cerca das 16h e saiu pouco depois das 19h.
Dito de outra forma, o navio de passageiros (neste caso o ferry 'Gilberto Mariano') não podia operar em São Roque do Pico duas escalas de 15 minutos cada, mas, perante as mesmas condições meteorológicas, um navio de carga (da mesma ordem de grandeza do ferry) operou cerca de 3h, enquanto outro navio semelhante operou mais de 13h!

Por tudo isto, reforça-se de novo a questão: "Mas porque é que a Atlânticoline cancela tanto em São Roque do Pico?"

Enquanto se aguarda por uma justificação plausível para este tipo de cancelamentos (se é que algum dia isso acontecerá), talvez o melhor seja tentar não perceber (para alívio de alguns) e responder, tal como no passado, a célebre frase: "Sei lá!"

Haja saúde!

Nota: Anexam-se vários dados a este post [fontes: Windguru, Atlânticoline e MarineTraffic] para sustentar o que foi mencionado no mesmo.




segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Como era o Pico há 155 anos


A internet consegue, por vezes, ser uma ferramenta fantástica para encontrar e partilhar informações sobre o nosso passado. Hoje vamos viajar até ao ano de 1862 e perceber como era a ilha do Pico há 155 anos, isto graças à "Carta topographica da Ilha do Pico":
Principiada a levantar no anno 1810 por ordem do Ill.mo e Ex.mo Senhor D. Miguel Antonio de Mello, sendo Governador o Capitam General das Ilhas dos Açores , e concluida por ordem do Ill.mo e Ex.mo Senhor Ayres Pinto de Souza Governador o Capitam General das ditas Ilhas no anno de 1812, pelo Segundo Tenente do Real Corpo d'Engen.ros Athanasio Desiderio Gomes Mendes Adler ; Copiou o Desenhador Urbano Augusto Cesar da Fonsêca, Horta 2 de Dezembro de 1862.

Integrando o espólio da Biblioteca Nacional de Portugal, esta carta topográfica da ilha montanha está disponível online, o que permite que qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, a possa visualizar sem sair de casa. Este documento pode ser dividido em três partes:
  • Uma planta da ilha do Pico (escala cerca de 1:68000);
  • Na margem inferior esquerda, sob o título "Ideia succinta e geographica da Ilha do Pico", uma nota com dados históricos, geográficos e económicos;
  • Na margem inferior, ao centro, um "Mappa dos habitantes segundo as listas de 1810".
Torna-se, assim, muito interessante analisar com mais atenção todas estas informações (recorrendo também à língua portuguesa da época, para experienciar melhor esta viagem no tempo) e fazer a respetiva comparação com o presente.

Começando pela planta, salta logo à vista a forma geométrica assumida pela ilha do Pico, a qual certamente não se alterou tanto em 155 anos, mas sim pode ser resultado de métodos de medição mais primitivos e que induziam em erro várias distâncias. Em todo o caso, é muito curioso observar como os nomes dos lugares, na sua esmagadora maioria, não se alteraram (salvo a evolução da língua portuguesa, como por exemplo "bahia", "Prahinha", "Magdalena", etc.). Além disso, o mapa é bastante informativo no que respeita aos principais lugares habitados da ilha, bem como à distribuição das diferentes culturas agrícolas, tipos de solo e cursos de água.

Atendendo agora à "Ideia succinta e geographica da Ilha do Pico" [destaque em anexo], encontra-se lá indicado as coordenadas geográficas da ilha, a data da sua descoberta ("depois de 1453") e a menção de que fora povoadas pelos "Portuguezes". É ainda referido que o Pico "tem 3 Villas, 15 Freguezias, 2 Conventos Fraciscanos, 2 Igrejas da Mizericordia, e 34 Ermidas" — note-se que a ilha montanha tem 17 freguesias presentemente, sendo que na altura ainda não existiam as freguesias da Ribeirinha (Lajes) e de São Caetano (Madalena). Cada uma das vilas formava, à época, uma "Capitania de Ordenanças", tendo cada uma a sua guarnição e que no seu conjunto dava origem a um total de 4.607 homens.

Adicionalmente, as culturas predominantes da ilha são destacadas: produções de vinha em grande quantidade, frutas, plantas, grandes matos e criações de gado; contudo, é também mencionado a falta de terreno para grão, o qual tem de vir das ilhas vizinhas do "Fayal, Terceira, e S. Jorge". O chão da ilha é identificado como sendo na maior parte de "pedra queimada", tendo grandes cavernas subterrâneas, "tudo produzido pelo fogo". São ainda indicadas as erupções desde o povoamento (1573, 1718 e 1720) e explicado o que significa o termo mistério: "o campo inutelizado pela lava dos Volcons". A água, essencial à sobrevivência da população, tem também o seu destaque, sendo mencionado que provém "dos poços profundados na terra, e das chuvas, as quaes formaõ as ribeiras notadas na Planta".

Sobre o "Mappa dos habitantes segundo as listas de 1810" [destaque em anexo], são várias as curiosidades que merecem ser realçadas. Para além da já mencionada inexistência de duas freguesias atuais, outras mudaram de nome: a Piedade era conhecida oficialmente por "Ponta da Ilha" (hoje é um nome que não assume esse caráter oficial mas que continua a ser amplamente usado); a Criação Velha assumia o nome da sua paróquia, mais concretamente "N. Sr.ª das Dores"; e a Prainha perdeu não só a letra h devido à evolução linguística, mas também a indicação da sua localização geográfica, pois antigamente designava-se oficialmente por "Prahinha do Norte".

Além disso, foi feito um levantamento dos habitantes por freguesia, fazendo a distinção de género, bem como o número de fogos. Ora bem, embora a distribuição por concelhos seja condizente com a atual, isto é, o mais populoso era e é o da Madalena, sendo o de São Roque o que registava e regista menos habitantes, a distribuição pelas freguesias é bastante diferente da que se observa no presente. Por exemplo, a "Prahinha do Norte" tinha mais habitantes do que a "Villa de São Roque" (1687 vs. 1457) e a "Ponta da Ilha" era mais populosa do que a "Villa das Lages" (2510 vs. 2255) — aliás, a "Ponta da Ilha" era, em 1810, a freguesia com mais habitações no Pico (647) e a segunda com mais habitantes, superada somente pela "Villa da Magdalena" por apenas mais cinco pessoas, embora na zona da atual Piedade existissem mais mulheres (1411 vs. 1314).

Sugere-se que quem queira explorar mais em detalhe esta carta, clique no link seguinte, o qual remete para uma versão onde é possível fazer um melhor zoom da mesma: Carta topographica da Ilha do Pico

Nota final para uma curiosidade muito peculiar: na toponímia do mapa em questão, o termo "do Pico" apenas ocorre uma única vez, mais concretamente para indicar onde fica o "Caes do Pico", mostrando assim a importância que a zona do Cais do Pico já assumia há 155 anos no contexto da ilha montanha!

Haja saúde!

[Post relacionado: 'Eis um mapa da ilha do Pico com quase 450 anos']


domingo, 3 de dezembro de 2017

Andamento da substituição de cabeços no Porto do Cais do Pico (1)


[Link para fotos posteriores]

Apresentam-se, em anexo, algumas fotografias (datadas de 2 de dezembro de 2017) relativas ao andamento da empreitada de substituição de cabeços no Porto do Cais do Pico, localizado na vila de São Roque do Pico.

Recorde-se que esta obra obrigou a que a respetiva rampa ro-ro ficasse inoperacional desde o dia 3 de novembro [link sobre o assunto], situação que levou à redução de escalas neste porto por parte da Linha Verde da Atlânticoline, pese embora a substituição de cabeços só tenha começado efetivamente a 21 de novembro [link para mais informações].

Uma nota final para uma curiosidade factual: as fotos foram capturadas num dia em que o mar e a respetiva ondulação apresentavam-se calmos dentro da baía do Cais do Pico e, em particular, junto ao porto (isto devido ao facto de a ondulação ser proveniente do quadrante sudoeste, ou seja, não tem grande impacto neste porto nortenho devido à proteção natural dada pela própria ilha — ver informação em anexo); contudo, a Atlânticoline cancelou a escala prevista para este dia em São Roque do Pico devido às condições meteorológicas, o que causou alguma estranheza entre os passageiros...

Haja saúde!

Post scriptum: Eis o stop feito ao contador de quanto tempo esteve inoperacional a rampa ro-ro do Porto do Cais do Pico antes das escalas dos navios 'Aqua Jewel' e 'Gilberto Mariano' em 4 de maio de 2018.







sábado, 2 de dezembro de 2017

O maior para-raios de Portugal


O arquipélago dos Açores esteve debaixo de trovoada no último dia de novembro de 2017. Este fenómeno atmosférico costuma chamar a atenção devido ao forte barulho e clarões que provoca, aos quais podem se tornar em autênticos espetáculos da natureza.

Pois bem, algumas pessoas decidiram registar para memória futura esta trovoada da noite de 30 de novembro e conseguiram capturar em imagens [vídeos e fotos em anexo] as descargas elétricas sobre a ilha do Pico. Como os raios tendem a atingir o ponto mais alto de uma área, naturalmente estes dirigiram-se para o "piquinho" da ilha montanha; ora bem, como este é o ponto mais alto do território nacional, é caso para dizer que entrou em ação o maior para-raios de Portugal!

Haja saúde!

Post scriptum: Neste dia 30 de novembro de 2017, uma estação meteorológica no Pico detetou 183 descargas elétricas em 10 minutos.


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Escala de navios de mercadorias no Porto do Cais do Pico — dezembro 2017


A Transinsular publicou no seu site a escala para o mês de dezembro de 2017 dos navios de carga que efetuam a ligação Continente - Açores (clique na tabela seguinte para conhecer esta escala).


Os navios e as datas em que os mesmos vão visitar o Porto do Cais do Pico, na vila de São Roque do Pico, encontram-se indicados na tabela seguinte (clicando no nome do navio abre uma nova janela com a localização atual do mesmo).

DiaNavio
07 de dezembro (quinta-feira)Laura S
12 de dezembro (terça-feira)Insular
21 de dezembro (quinta-feira)Furnas
27 de dezembro (quarta-feira)Sete Cidades

Previsão de entradas e saídas de navios - Porto do Cais do Pico: Todas estas informações encontram-se igualmente disponíveis no separador "Barcos" deste blog, apresentando-se também em anexo um mapa contendo, em tempo real, as embarcações que navegam na vizinhança da ilha montanha.

Haja saúde!

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

AnimaPIX 2017


Promovido pela MiratecArts, a segunda edição do AnimaPIX decorre entre 6 e 10 de dezembro na ilha do Pico.

O programa [em anexo] inclui uma mostra de inúmeros filmes, para além de animações com artistas ao vivo.

Haja saúde!



quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Magazine Açores — São Roque do Pico


Apresenta-se, em anexo, o episódio dedicado ao concelho de São Roque do Pico da série televisiva 'Magazine Açores', a qual pretender dar a conhecer os 19 concelhos do arquipélago açoriano, destacando os seus valores patrimoniais, culturais e ambientais.

Haja saúde!

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Pico — o vulcão n.º 382020 do Smithsonian


O Smithsonian Institution é um instituto fundado e administrado pelo governo dos Estados Unidos da América, cuja missão é promover e disseminar o conhecimento. De entre os vários museus e programas que estão sob a égide do Smithsonian, existe um — o Global Volcanism Program (GVP - Programa de Vulcanismo Global) — que contém uma menção à ilha do Pico.

Mais concretamente, o GVP (que está sob a alçada do Museu Nacional de História Natural) tem a missão de entender melhor os vulcões ativos da Terra e as suas erupções durante os últimos 10.000 anos; isto é alcançado através da documentação, entendimento e disseminação da informação sobre a atividade vulcânica global.

Assim, por ser um dos vulcões ativos do mundo (embora adormecido), o Pico integra este programa do Smithsonian, tendo lhe sido atribuído o número 382020 [link para mais informações]. Além disso, consta da base de dados do GVP a descrição geológica do vulcão do Pico, o historial de erupções conhecidas e as deformações ao longo do tempo, entre outros.

Para finalizar, apenas mais uma curiosidade: para além de toda informação escrita sobre o vulcão da ilha montanha, o Smithsonian tem também uma amostra de pedra picarota — um ancaramito da zona de Santa Luzia — o que significa que um "bocadinho" do Pico está presente num dos museus mais famosos a nível mundial.

Haja saúde!

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A chamarrita mais inesperada do mundo


San Diego, sul da Califórnia, Estados Unidos da América — num magnífico dia de sol e temperatura amena, como é habitual nesta cidade, estão reunidos todos os ingredientes para celebrar a união entre duas pessoas nascidas e criadas naquele país...

A cerimónia do casamento parece tirada de um filme de Hollywood: o celebrante (que atualmente até já recorre a um smartphone para o alinhamento da cerimónia) conversa com os noivos, fala do amor que os uniu e, no fim, diz a famosa frase: "I now pronounce you husband and wife; you may now kiss the bride!"

Após a oficialização do matrimónio, os convidados dirigem-se para o weeding reception (o copo-d'água). É chegada, então, a hora da primeira dança dos noivos. A noiva e o noivo lá tomam o seu lugar no centro da pista e começam a dançar. Os convidados encontram-se todos sentados à mesa e a aplaudir os noivos. Termina a música e eis que o noivo dirige-se ao DJ de serviço, sussurra-lhe algo e pega no microfone...

Antes de continuar a história, é importante voltar a referir que ambos os noivos são nascidos e criados nos Estados Unidos. Contudo, enquanto a família da noiva é totalmente americana, o noivo tem 100% sangue picaroto, pois todos os seus avós são naturais da ilha montanha. Além disso, ele tem imenso orgulho nas suas raízes, como adiante se verá.

O noivo começa a falar para todos os presentes, primeiro em inglês, seguindo-se a tradução em português, e diz que vai haver uma chamarrita do Pico, sendo que gostaria de convidar todos aqueles que a sabem bailar a se juntarem aos noivos...

Tem lugar, nesse momento, uma chamarrita à moda do Pico, com o noivo a ser o mandador (em português, claro), isto num casamento na América, a mais de 7700 km de distância da ilha montanha... Uau! Mas que bela surpresa que o noivo fez! E o à-vontade da noiva a bailar a chamarrita, ainda por cima tendo em conta o vestido que está a usar, é também admirável!

Enquanto assimilo tudo o que esta inesperada chamarrita significa, engano-me no passo... Sou prontamente corrigido pelo meu par: "one, two, left, right; it's easy, just follow me!" Fantástico! Não só a sabem bailar, como fazem questão de o fazer bem-feito! Dir-me-ão mais tarde, com um enorme sorriso no rosto, que a comunidade portuguesa de San Diego tem imenso orgulho na sua chamarrita.

O noivo cumpre com a tradição e termina este baile de roda com a expressão habitual: "olh'ó Pico!"

Sento-me e reflito novamente sobre o que ali se passou... Quase do outro lado do mundo da ilha do Pico, num salão onde metade das pessoas (ou talvez mais) não percebe português, um casal de jovens americanos recorre à chamarrita para celebrar o início da sua vida a dois; se é certo que o noivo tem ascendência picarota, e procura manter viva a herança cultural dos seus avós, a verdade é que a noiva passou a fazer da chamarrita também a sua cultura. Além disso, sente-se que a comunidade emigrante envolvente tem orgulho nas suas raízes e está sempre pronta para ouvir o emblemático "olh'ó Pico!" É, sem dúvida, um momento extraordinário e que ficará para sempre gravado na memória!

A chamarrita do Pico já tinha entrado para o Guiness World Records. Agora foi a vez de ter lugar a chamarrita mais inesperada do mundo, demonstrando, assim, que o único baile espontâneo ainda vivo em Portugal não só está para ficar, como também se está a alastrar!
Olh'ó Pico!

Haja saúde!

sábado, 25 de novembro de 2017

Bote baleeiro açoriano em destaque na National Geographic


Através do artigo online intitulado "From Whales to Buoys: Finding a New Sport in an Old Custom" ("Das baleias às bóias: descobrindo um novo desporto num antigo costume"), a prestigiada National Geographic Society dá assim destaque internacional ao bote baleeiro açoriano.

A reportagem é extensa, abordando sobretudo a evolução do uso dos botes desde a caça à baleia até às atuais regatas [link para o artigo completo]. Eis algumas passagens que merecem destaque:
  • "Estes botes baleeiros históricos estão fazendo a ligação entre os jovens tripulantes açorianos e o seu passado poderoso."
  • "O bote baleeiro é uma embarcação de uma beleza particular. Com cerca de 12 metros, os botes de madeira artesanais e coloridos deslizam na água com uma facilidade e um silêncio que fazem uma pessoa se sentir como se estivesse flutuando logo à tona do mar."
  • "Não mais utilizados na caça à baleia, os botes são agora um ícone da cultura açoriana e a peça central de um desporto vibrante entre as gerações mais jovens, as quais os usam para remar e velejar."

Em suma, o bote baleeiro açoriano conseguiu acompanhar a evolução dos tempos e vingar na sociedade atual, assumindo-se assim como um grande exemplo de que é possível preservar o património e ao mesmo tempo mantê-lo vivo. Por outras palavras, e parafraseando um 'oficial' de um bote baleeiro do Pico, "nós removemos a baleia, mas o interesse não desapareceu!"

Haja saúde!