quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Quando a Atlânticoline faz bons horários, o número de passageiros dispara!


As estatísticas de passageiros transportados permitem a uma qualquer empresa de transporte averiguar se as decisões tomadas no planeamento da respetiva operação foram as acertadas. No caso da Atlânticoline, empresa pública açoriana de transporte marítimos de passageiros, as estatísticas divulgadas na sua recente newsletter de junho/julho de 2016 (AtlânticOnLine n.º 3) merecem uma análise especial.

Intitulada "A nossa operação em números | Atlânticoline em alta", esta secção da newsletter em questão revela o êxito da operação de transporte marítimo de passageiros entre as ilhas do "Triângulo" (Pico, São Jorge e Faial) durante algumas das maiores festividades de 2016 em diferentes ilhas. Comparando com os respetivos períodos homólogos de 2015, em todas as situações houve um aumento no número de passageiros transportados, registando-se um crescimento de 8% para a "Semana do Mar", 9% para as "Festas do Bom Jesus Milagroso", 14% para as "Festas da Madalena" e 30% para o festival "Cais Agosto".


Não deixa de ser curioso que, apesar de o crescimento ser comum a todas situações analisadas, o festival "Cais Agosto" (que incorretamente aparece mencionado na newsletter como "Festas do Cais de Agosto") registou um "extraordinário aumento de mais de 30%!", valor este que também corresponde a mais do dobro do segundo maior crescimento registado.

Há que tirar, então, conclusões deste excelente resultado alcançado pela Atlânticoline. Se é certo que o cartaz do "Cais Agosto 2016" pode ter sido um bom chamariz, neste ano houve uma grande diferença, e da responsabilidade da Atlânticoline, face a 2015: existiram bons horários! Compare-se as diferenças entre estes dois anos:

Em suma, a Atlânticoline serviu de forma adequada e justa todos aqueles que pretendiam usufruir do festival "Cais Agosto 2016", sendo este um excelente exemplo de serviço público. Outro bom exemplo foi dado recentemente, com o prolongamento das viagens das 09h00 e 9h45 da Linha Azul até ao dia 11 de setembro de 2016.

Moral da história (onde todos ficam a ganhar): quando a Atlânticoline faz bons horários, o número de passageiros dispara!

Haja saúde!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Tot de volgende keer, TUI

O aproximar do fim do verão representa igualmente a partida de muitos familiares, turistas e não só: é também chegada a hora de dizer adeus ao voo da TUI, o qual ligou a cidade de Amesterdão à ilha do Pico nos últimos meses.

Desde o dia 25 de abril deste ano de 2016, data do primeiro (e histórico) voo, até ao dia de ontem (29 de agosto), todas as segundas-feiras (excepto três, devido a condições meteorológicas adversas) o aeroporto da ilha do Pico recebeu um Boeing 737-800 da TUI - a maior companhia a nível mundial na área do lazer, viagens e turismo. Em suma, foram 16 as escalas de voos internacionais regulares para a ilha montanha.

Apesar de esta operação sazonal terminar um pouco mais cedo do que o previsto inicialmente, o precedente ficou aberto para sempre: é possível a ilha do Pico, mais concretamente o seu aeroporto, servir como mais uma porta de entrada nos Açores para quem vem diretamente de fora do país!

Como dizer adeus custa sempre, e como se deseja que a TUI volte, o melhor é mesmo dizer "até à próxima", ou melhor, "tot de volgende keer"!

Haja saúde!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Andamento das obras na nova rotunda de São Roque do Pico (6)

Apresentam-se de seguida algumas fotografias (datadas de 28 de agosto de 2016) relativas ao andamento das obras na futura nova rotunda de São Roque do Pico, localizada na entrada nascente desta vila da ilha montanha (junto ao início da estrada transversal) [links para fotos mais antigas e para fotos aéreas].

Haja saúde!




domingo, 28 de agosto de 2016

Estado do restauro da lancha "Espalamaca" (2)

Apresentam-se de seguida algumas fotografias (datadas de 27 de agosto de 2016) relativas ao estado do restauro da lancha "Espalamaca", o qual está a ser efetuado na freguesia de Santo Amaro, concelho de São Roque do Pico [link para imagens mais antigas].

Haja saúde!




sábado, 27 de agosto de 2016

Casa Âncora - o restaurante

Situada no coração do Cais do Pico, a "Casa Âncora" foi um espaço por onde passaram vários negócios e muitas histórias, tal como relatado no post "Rua do Cais do Pico na década de 60 do século passado". Agora, e no âmbito da revitalização empresarial que se tem observado recentemente na vila de São Roque do Pico, eis que chega a vez da "Casa Âncora" ganhar uma nova vida.

Sob a gerência do casal russo Pável e Marina, o restaurante "Casa Âncora" apresenta-se como um espaço acolhedor e com uma magnífica vista sobre a baía do Cais do Pico. Aliás, quem visita este espaço pode usufruir não só do edifício principal, mas também da eira adjacente que se situa do outro lado da Rua do Cais, mesmo sobre o mar.

A ementa deste restaurante tem em destaque os produtos locais e foi idealizada por Timur Abuzyarov, um chef moscovita que conta com uma vasta experiência por ter trabalhado com chefs de renome nos melhores restaurantes de Paris, Cannes, Copenhaga e Moscovo. Os pratos confecionados seguem os princípios da haute cuisine, isto é, existe uma apresentação cuidadosa e artística de pratos, produzidos com produtos da mais alta qualidade (como curiosidade, a comida é servida em pratos feitos à mão e oriundos de Moscovo).

Visitar presentemente a "Casa Âncora" é embarcar numa experiência única de sabores. Mais ainda, usufruir deste espaço é atestar que os marcos históricos de uma comunidade continuam todos os dias a serem locais onde se contribui para a história!

Haja saúde!



sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Cordas - Festival de Músicas do Mundo


De 11 a 18 de setembro deste ano de 2016, a ilha do Pico recebe o "Cordas", o primeiro festival a nível mundial dedicado aos instrumentos de corda.

O bandolim, a bandola, o violino, a guitarra clássica e muitos outros instrumentos de corda vão ser apresentados neste festival, o qual tem em destaque a viola da terra, um instrumento de corda dos Açores.

Aqui fica o programa do festival "Cordas", sendo que mais informações podem ser obtidas através do seguinte link: www.festivalcordas.com

Haja saúde!



quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Farol da Ponta da Ilha

Os faróis sempre foram um local de fascínio para as populações e para os turistas, quer pela ideia mística do seu isolamento, quer pelo riquíssimo património arquitetónico e cientifico que lhe está associado. O Farol da Ponta da Ilha, o maior e mais emblemático farol da ilha do Pico, não foge a esta regra.

Situado na ponta leste da ilha montanha, mais propriamente no lugar da Manhenha, freguesia da Piedade, concelho das Lajes do Pico, o Farol da Ponta da Ilha entrou em funcionamento a 21 de julho de 1946, sendo por isso um dos mais recentes dos Açores. O edifício apresenta uma construção em forma de "U", o qual inclui a parte destinada a habitação dos faroleiros, e a torre do farol que se localiza na parte central do "U", a qual tem uma altura de 19 metros. Em termos náuticos, este farol está a uma altitude de 29 metros, tem um alcance de 22 milhas (44,5 km) e apresenta como característica 3 (três) flashes brancos em cada ciclo de 15 segundos [mais sobre este farol: link 1 | link 2].

Graças a uma excelente iniciativa da Autoridade Marítima Nacional, é possível visitar gratuitamente este farol todas as quartas-feiras à tarde, sem ser necessário fazer marcação prévia. O horário das visitas é:
  • Período de verão (hora legal de verão): quartas-feiras, 14h00 – 17h00.
  • Período de inverno (hora legal de inverno): quartas-feiras, 13h30 – 16h30.
Fora deste período, o farol pode ser visitado por marcação [dfarois@amn.pt]. ​

Da torre do Farol da Ponta da Ilha é possível observar o mar tanto a norte como a sul do Pico, incluindo muitas vezes os efeitos das diferenças de ondulação e de marés na zona de confluência destes "mares". Mais ao longe, também é possível observar grande parte da ilha de São Jorge, incluindo a zona leste desta ilha (ponta do Topo), e, em dias de boa visibilidade, parte da ilha Terceira.

Em anexo encontram-se algumas imagens deste farol da ilha do Pico e das vistas proporcionadas pelo mesmo. Contudo, nada substitui uma visita a este local, de forma a poder sentir a verdadeira essência do Farol da Ponta da Ilha.

Haja saúde!




quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Transporte marítimo de mercadorias e dependência económica dos Açores face ao exterior

Pela natureza arquipelágica dos Açores, o transporte marítimo de mercadorias assume uma função essencial no que concerne ao abastecimento das ilhas, bem como permite a exportação de muitos dos bens produzidos nas diversas ilhas açorianas: sejam alimentos, medicamentos, materiais de construção, carros, combustíveis, etc., de tudo um pouco chega às ilhas por via marítima; por outro lado, leite e derivados, carne, vinhos, entre outros, saem para o exterior da Região Autónoma dos Açores através dos navios porta-contentores.


Torna-se assim interessante analisar algumas estatísticas relacionadas com a carga transportada por navios, de forma a conhecer melhor a realidade açoriana. Segundo os dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores relativos aos o transporte marítimo de mercadorias, em 2015 foram descarregadas cerca de um milhão e meio de toneladas de carga nos portos comerciais açorianos, as quais se dividiram pelas diversas ilhas como se apresenta na tabela seguinte (nota: não estão disponíveis dados relativos à ilha do Corvo).


Como se pode observar, mais de metade da carga destina-se à ilha de São Miguel, sendo que a distribuição percentual entre as ilhas segue a mesma distribuição da população dos Açores, à exceção das ilhas do Pico e do Faial (a ilha montanha tem menos população mas regista mais mercadoria descarregada do que a vizinha ilha do Faial).

Estas estatísticas podem também ser analisadas de uma outra forma, de modo a tentar descobrir indiretamente outras informações sobre a economia açoriana. Assim, a tabela seguinte apresenta a relação entre a carga descarregada e a carga carregada em cada ilha.


A primeira conclusão a que se chega é que todas as ilhas dos Açores importam muitos mais bens do que exportam. A título de exemplo, mesmo a ilha de São Miguel, aquela que apresenta o rácio mais elevado, exporta menos de metade da quantidade de bens do que aqueles importados. No todo regional, a média situa-se em um pouco mais de um terço de carga exportada face à importada.

Ressalvando que o valor económico de um qualquer bem não se mede ao peso, ainda assim os valores da última tabela permitem fazer uma aproximação grosseira da dependência económica de cada ilha face ao exterior. Por outras palavras, quando maior for o valor do rácio, então provavelmente maior será a capacidade de uma determinada ilha gerar riqueza a partir dos produtos locais, de forma a sustentar os bens vindos do exterior que consome.

Analisando de novo a tabela, os dados permitem inferir que a ilha de São Miguel é aquela cujos produtos locais mais contribuem na geração de riqueza, sendo acompanhada no pódio pelas ilhas Terceira e Graciosa, respetivamente. Verifica-se também que, considerando todas as ilhas açorianas, a economia menos dependente dos produtos locais e provavelmente mais dependente de outras atividades, como turismo ou serviços, é a economia da ilha do Faial.

Em suma, este pequeno estudo teve por objetivo conhecer melhor a realidade dos Açores, de forma a que os açorianos (e não só) fiquem com a noção de qual é a dependência económica desta Região Autónoma face ao exterior. No entanto, saliente-se que os Açores têm muito valor que não é mensurável em quantidades objetivas, como a riqueza natural, a gastronomia, a simpatia das suas gentes, enfim, tudo aquilo que verdadeiramente torna o arquipélago açoriano magnífico e único em todo o mundo!

Haja saúde!

Post scriptum: Este artigo foi publicado posteriormente na edição n.º 41.060 do 'Diário dos Açores', de 25 de agosto de 2016, e deu origem a uma reportagem na edição n.º 21.884 do 'Diário Insular', de 26 de agosto de 2016.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

A lenda dos caranguejos do poço de maré do Convento de São Pedro de Alcântara

Os poços de maré existentes um pouco por toda a ilha montanha são também um símbolo da gigantesca epopeia da labuta do Homem do Pico, na transformação da paisagem desta ilha em proveito da sua própria sobrevivência. Muitas vezes, devido à inexistência de fontes, nascentes ou ribeiras, foram os poços de maré que garantiram o único acesso à água durante séculos em algumas comunidades.

Por muitas peripécias passaram certamente os nosso antepassados aquando da construção dos poços de maré, mas há um destes poços que ficará certamente para a história pela forma como foram motivados os seus obreiros: o poço de maré do Convento de São Pedro de Alcântara, situado no Cais do Pico, vila de São Roque do Pico (nas traseiras da atual Pousada de Juventude do Pico).

Este poço tem cerca de 30 metros, o que o torna num dos mais profundos de toda a ilha do Pico (se não mesmo o mais profundo). Numa zona caracterizada pela existência de muita pedra, escavar até encontrar água não foi tarefa fácil, mas recorrendo a uma motivação original, lá se conseguiu atingir o objetivo pretendido. Segundo os escritos do Padre José Idalmiro Ferreira em "Esta Terra Esta Gente", reza assim a lenda:
Exaustos e desanimados pelas buscas infrutíferas de poços ditos de maré, nessa tarde, frades e leigos arrojaram pás, picaretas e enxadas, únicos apetrechos das escavações de então.
Terra, pedra e mais pedra, era o que se lhes deparava a toda a hora sem esperança alguma de verem brotar o precioso líquido. Mas, na madrugada seguinte, ao raiar de uma manhã de sol, à mistura com o gorjeio da passarada, barulho estranho é sentido nesse cerrado circundante.
Diz a tradição que o superior para encorajar os trabalhadores encarregues da abertura do poço de maré, nem mais nem menos, alta noite, dirige-se à costa e apanhando um bom número de caranguejos inseriu-os secretamente nessa escavação, como que para demonstrar a existência do seu "habitat", a água.
Nova esperança raia então nos ânimos dos operários. As escavações continuam e o precioso líquido a alguns metros de profundidade, realmente lá estava, fresco, dessalinizado, para consumo de todos.

Hoje em dia, o poço de maré do Convento de São Pedro de Alcântara integra uma propriedade privada e não está de momento acessível ao público. Contudo, os atuais proprietários estão a recuperar a zona envolvente e planeiam permitir futuramente que todos aqueles que pretendam aceder a este poço o possam fazer.

Em todo o caso, a lenda dos caranguejos do poço de maré do Convento de São Pedro de Alcântara é e será sempre uma parte integrante da história da comunidade do Cais do Pico, em particular, e da ilha montanha, em geral. Esta lenda é também uma lição de vida: com a motivação certa, tudo aquilo que parece extremamente difícil pode ser alcançado!

Haja saúde!




segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Andamento das obras na nova rotunda de São Roque do Pico (5)

Apresentam-se de seguida algumas fotografias (datadas de 21 de agosto de 2016) relativas ao andamento das obras na futura nova rotunda de São Roque do Pico, localizada na entrada nascente desta vila da ilha montanha (junto ao início da estrada transversal) [links para fotos mais antigas e para fotos aéreas]. De salientar que, nesta fase das obras, o trânsito encontra-se interrompido na zona alvo de intervenção, implicando assim que os percursos habituais de muitos automobilistas sofram desvios.

Recorde-se que esta empreitada está orçamentada em cerca de 250 mil euros e que contempla uma rotunda com caraterísticas urbanas, iluminação pública e execução de redes de abastecimento de águas, rede de rega e de drenagem pluvial (imagem do projeto também em anexo).

Haja saúde!

Post scriptum: Outros links para fotos aéreas (verão 2016): 22 de agosto; 25 de agosto; 26 de agosto | link para fotos mais recentes.