sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Eis um mapa da ilha do Pico com quase 450 anos


Diogo Barbosa Machado foi o autor da "Bibliotheca Lusitana", impressa entre 1741 e 1759, e considerada o primeiro grande catálogo de obras e autores portugueses. Depois de sua morte, em 1772, a sua biblioteca foi doada à "Real Bibliotheca", organizada por D. José I para substituir a antiga "Real Livraria", a qual havia sido destruída pelo terramoto de 1755. Quando a corte portuguesa foi para o Brasil, em 1808, levou a "Real Bibliotheca", a qual se tornaria a "Biblioteca Nacional do Brasil".

Entre as obras sob a autoria deste bibliófilo, o 'Mappas do Reino de Portugal e suas conquistas' destaca-se pela compilação de diversos atlas, livros e mapas elaborados entre os séculos XVI e XVIII. Este atlas factício (isto é, constituído por documentos de origens diversas) possui 137 folhas, que incluem uma página de título, 183 mapas e quatro atlas, alguns dos quais manuscritos e gravados.

Graças à disponibilização online de parte do acervo da Biblioteca Nacional do Brasil, é possível aceder a um mapa da ilha do Pico que data de 1570, tornando-o assim em mais uma fonte para perceber o passado da ilha montanha [para visualização detalhada do mapa, visitar os links seguintes: link 1 | link 2].

Analisando este documento, embora a forma da ilha do Pico não corresponda bem à representação atual, o pormenor com que foi desenhada a montanha claramente não deixa margem para dúvidas de que se trata do Pico.

Sendo um mapa com quase 450 anos, é natural que apresente várias outras diferenças quando comparado com a atualidade. Por exemplo, o número de povoações era bastante inferior face às existentes no presente, sendo que naquela época ainda só existiam duas vilas no Pico, nomeadamente a "Vila das Lageas" e a "Vila de S. Roqve".

Em todo o caso, várias "pontas" e baixios já estavam identificadas no mapa, informações estas que eram (e ainda são) de enorme valor para todos aqueles que navegam nas águas que circundam a ilha montanha.

Para finalizar, apenas mais uma referência para outra curiosidade: este antiquíssimo mapa já contém uma menção à atual zona do Cais do Pico, mais concretamente identificando a mesma simplesmente por "o Caes" e mostrando que esta zona já era habitada em 1570; assim, é possível afirmar que frases muito habituais no Pico do século XXI, tais como "sou do Cais" ou "moro no Cais", afinal já são ditas há mais de quatro séculos!

Haja saúde!

[Post relacionado: 'Como era o Pico há 155 anos']

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