domingo, 21 de março de 2021

Vinho licoroso 'Czar' de 2013 distinguido com "Prémio de Excelência"


A revista 'Paixão pelo Vinho' atribuiu recentemente o "Prémio de Excelência" à colheita de 2013 do vinho licoroso 'Czar', o qual é produzido numa vinha classificado pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade, mais concretamente na única vinha do Pico (e dos Açores) classificada como pertencendo à elite das "Vinhas Velhas de Portugal".

Este é um vinho DOP, Reserva Single Harvest Seco, feito a partir das castas Verdelho, Arinto dos Açores e Terrantês do Pico, e que atingiu (naturalmente e sem fortificação) um volume de 19%.

Segundo a revista supramencionada, o 'Czar' de 2013 obteve uma classificação de 18.5 (em prova cega) e foi descrito da seguinte forma:
  • Cor: castanho com intensos tons laranja e dourados, limpo.
  • Aroma: exuberante, original, fresco, com notas iodadas, fruto citrino, frutos secos, pinhões, caramelo, rico.
  • Sabor: envolvente, encorpado, com excelente relação doçura / acidez, seco, com toque especiado, salino, é um vinho ousado, saboroso, que deixa um final prolongado e promissor.
A descrição detalhada deste vinho apresenta-se em anexo.

Por fim, este reconhecimento comprova aquilo que os picarotos já sabem há muito: que o que têm no Pico e o que se faz na ilha montanha é de muita, mas mesmo de muita qualidade! 

Haja saúde!


VINHO LICOROSO CZAR

CZAR é um vinho licoroso não fortificado, que após uma prolongada fermentação, entre 8 a 11 meses, atinge naturalmente mais de 18% Vol, seguindo-se um estágio de 5 anos em barricas velhas de carvalho francês, resultando um vinho de cor castanho dourado/âmbar, com grande complexidade aromática, um volume gustativo acentuado muito equilibrado e um final de boca muito persistente. 

Deve servir-se à temperatura de 12 a 14ºC, e pode acompanhar uma diversidade de pratos, desde entradas a sobremesas pouco doces, ou simplesmente beber-se.

As vinhas onde é produzido o CZAR, são centenárias e localizam-se na zona dos lajidos da Criação Velha, da ilha do Pico, zona património mundial classificada pela UNESCO em 2004 devido às suas características únicas. 

Por se tratar de um vinho totalmente natural, sem adição de qualquer tipo de álcool, açúcar ou leveduras, a sua composição varia de acordo com o grau de maturação atingido pelas uvas, a resistência das leveduras as condições climatéricas incertas de cada ano, podendo aparecer como seco, ou meio seco e muito raramente como meio doce. Em alguns anos simplesmente não aparece, por não atingir a qualidade necessária para ser chamado CZAR.

É um vinho que naturalmente atinge 18% de graduação e muitas vezes mais. Essa virtude, deve-se às características peculiares das uvas de que é feito, ao tipo de solo vulcânico e à desfolha realizada alguns dias antes da vindima tardia, ajudando na sobre maturação das uvas. No ano de 2009, uma das barricas demorou mais tempo em fermentação, surgindo um vinho não fortificado com 20,1% o que o torna caso único no mundo desafiando as leis de enologia.

Já ganhou vários prémios e medalhas, incluindo uma medalha de ouro na feira internacional de Moscovo em 2011. É considerado por muitos como o melhor licoroso dos Açores e também já foi considerado como um dos melhores vinhos Portugueses pela revista "Néctar" em 2005. Mais recentemente, em 2014, o Público, considerou a colheita de 2008 como um fenómeno da natureza, que certamente iria ficar na história de vinhos dos Açores. Também, no mesmo ano, o mesmo jornal escolheu o CZAR como um dos 20 melhores vinhos portugueses para se oferecer no Natal. Em fevereiro de 2017 foi realizada uma prova vertical do CZAR, primeira prova vertical de licorosos nos Açores, de onde saíram críticas de surpresa e admiração pela qualidade e longevidade deste vinho não fortificado em várias revistas e jornais do nosso país e também na revista londrina Decanter. Em 2019, foi escolhido novamente como um dos melhores vinhos de Portugal pela revista “Visão”.

Após a revolução Russa em 1917, foi encontrado vinho licoroso da ilha do Pico nas caves do palácio do último Czar, Nicolau II. Este vinho era embarcado em barricas na ilha do Pico, por barcos enviados propositadamente pelos Czares para os seus banquetes reais. Chegou a constar de receitas médicas como cura para certos males e até Tolstoi o menciona nos seus escritos. Daí se ter considerado que o nome mais apropriado para este vinho seria CZAR. 

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