sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Multibanco e estrangeiros nos Açores


As ilhas açorianas são cada vez mais conhecidas por esse mundo fora. Graças às suas paisagens deslumbrantes de natureza intacta, às suas gentes e aos seus produtos únicos, não é de admirar os inúmeros destaques que os Açores têm tido em jornais e revistas internacionais de referência, tais como 'Bloomberg', 'Condé Nast Traveler', 'Financial Times' ou 'The New York Times', entre outros.

Fruto desta notoriedade do arquipélago açoriano, mais estrangeiros têm vindo visitar as nove ilhas, sobretudo no verão e com uma elevada concentração nos meses de julho e agosto — o denominado "pico" do verão. Assim, é nesta altura do ano que mais dinheiro estrangeiro entra na economia regional, nomeadamente em diversos setores: hotelaria, restauração, rent-a-car, táxis, museus, centros interpretativos, supermercados, lojas de recordações, etc.

Atualmente, muitas das transações monetárias são eletrónicas e não envolvem dinheiro vivo. Contudo, ter dinheiro na carteira funciona também como uma garantia de que se consegue efetivamente adquirir um bem ou serviço desejado. A forma mais eficaz de se obter dinheiro vivo é recorrer a uma caixa multibanco, sistema este que é ainda mais essencial para os estrangeiros, não só porque estes estão longe das suas instituições bancárias, mas também porque os estrangeiros conseguem, assim, obter euros, moeda esta que pode ser diferente daquela do seu país de origem.

Partindo da premissa de que onde os estrangeiros levantam dinheiro é onde passam mais tempo, torna-se interessante analisar o valor de levantamentos internacionais em cada ilha dos Açores, estatística esta que é disponibilizado pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA). Focando a atenção na época alta do turismo do ano passado, isto é, meses de julho e agosto, a figura anexa indica, por ilha, o valor de levantamentos internacionais registados no "pico" do verão de 2018.


A primeira conclusão que se pode tirar é que metade dos euros levantados por estrangeiros nos Açores tiveram lugar em São Miguel (50,0%), seguindo-se Terceira (18,8%) e Pico (10,5%) nos restantes lugares do pódio.

Por outro lado, é curioso observar que a distribuição do valor de levantamentos internacionais por ilha está desfasada da população residente — a título de exemplo, em São Miguel, Terceira e Pico residem, respetivamente, 56%, 23% e 6% das pessoas do total regional [dados PORDATA]; mais ainda, no conjunto das três ilhas do "Triângulo" (São Jorge, Pico e Faial) mora cerca de 15% da população dos Açores (menos do que na Terceira, portanto), mas nestas três ilhas registou-se quase um quarto dos euros levantados por estrangeiros na região (24,6%, valor este bastante acima dos 18,8% registados na Terceira).

Atendendo ainda ao facto de que a capacidade de alojamento turístico de cada ilha está, essa sim, em linha com a distribuição do valor de levantamentos internacionais por ilha, pode-se concluir que a atratividade turística de cada ilha açoriana não é diretamente proporcional à respetiva população residente, sendo que ilhas menos populosas estão a ser mais procuradas do que seria inicialmente expectável. Esta é uma importante conclusão e que deve ser tida em conta quer pelas entidades oficiais, quer pelos privados, sobretudo aquando da tomada de decisões sobre como abordar a época alta do turismo (por exemplo, licenciamento de atividades, planeamento de voos, etc.).

Os dados do SREA também revelam que, nos últimos cinco anos (entre 2014 e 2018), a ilha na qual se verificou maior variação absoluta relativamente às operações internacionais foi a de São Miguel (166,8%), seguida do Pico (120,7%) e de São Jorge (111,0%).

Assim, e tendo por base tudo o que foi mencionado até agora, outra conclusão torna-se também evidente: a seguir a São Miguel, o "Triângulo" afirma-se cada vez mais como o principal destino turístico nos Açores, com o Pico a ocupar a liderança dentro do conjunto destas três magníficas ilhas.

Por fim, esta análise estatística comprova igualmente aquilo que os picarotos já sentem há algum tempo: o Pico está na moda!

Haja saúde!

Post scriptum: Este texto foi igualmente publicado na edição n.º 41.786 do 'Diário dos Açores', de 2 de fevereiro de 2019.

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