quinta-feira, 15 de abril de 2021

Caminhos de ferro do Cais do Pico


À exceção dos comboios de brincar, a ilha montanha nunca registou a presença deste tipo de locomotivas sobre linhas férreas, designadamente comboios de grande porte e com uma elevada capacidade de carga e/ou com um grande alcance.

No entanto, isso não invalidou a instalação de caminhos de ferro, nomeadamente no Cais do Pico. Mais concretamente, em dois locais do coração da vila de São Roque do Pico é possível encontrar barras de ferro paralelas fixas no solo:

No primeiro caso, as linha férreas tinham uma função protetora do piso alcatroado envolvente, isto é, sobre o ferro circulavam máquinas pesadas (por exemplo, "lagartas") que, sem esta proteção no chão, causariam muitos danos a uma via partilhada com viaturas ligeiras. Por outras palavras, os 'caminhos de ferro da Florestal' foram um investimento que permitiu poupar recursos, os quais por sua vez serviram para a criação de inúmeros caminhos florestais, igualmente conhecidos por "caminhos do mato".

Em relação aos carris do "Cais Velho", sobre estes deslizou um guindaste movimentando um conjunto infindável de mercadorias, quer fossem a entrar ou a sair da ilha montanha, permitindo assim uma otimização do processo de trocais comerciais vitais ao dia a dia picaroto. Por outras palavras, os 'caminhos de ferro do Cais Velho' foram um investimento que levaram a uma substancial economia de tempo e, como "tempo é dinheiro", certamente contribuíram para a riqueza local, em particular, e da ilha montanha, em geral.

Posto isto, os comboios podem não ter chegado ao Pico, mas os caminhos de ferro já cá estão e são hoje, indubitavelmente, um património e uma marca da história do viver destas gentes, neste caso da comunidade do Cais do Pico.

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