domingo, 29 de setembro de 2019

Os lapsos da SATA em relação ao Pico


O Grupo SATA assume-se como tendo "uma importância capital enquanto meio regulador das acessibilidades dos habitantes das ilhas dos Açores". Além disso, é afirmado por este conjunto empresarial que ele "tornou-se ainda, e cada vez mais, um instrumento indispensável à consolidação e desenvolvimento do Turismo da Região Autónoma".

Com estas missões bem delineadas, seria de esperar que a SATA transmitisse, em todos os seus documentos e ações, uma visão bem clara do arquipélago açoriano e de como o seu foco é servir bem todos os açorianos. Pois bem, a verdade é que, no que toca à ilha montanha, tem havido uma relação sui generis entre a incumbência da SATA e o tratamento dado aos picarotos e a quem visita o Pico, relação diferencial essa que até está plasmada em relatórios oficiais da companhia aérea regional.

Mais concretamente, atente-se ao Relatório de Gestão 2018 - SATA Air Açores, S.A., o qual visa comunicar, a todos os stakeholders, o desempenho da SATA Air Açores durante o ano de 2018. Consultando a página 9 deste relatório, é possível encontrar as rotas operadas por destino (em 2018) por parte desta empresa do Grupo SATA. Recordando que a SATA Air Açores serve atualmente as nove ilhas do Arquipélago dos Açores e opera as ligações entre os Açores, Madeira, Canárias, em nome da SATA Internacional - Azores Airlines, seria de esperar uma de duas coisas em relação às rotas: ou eram mencionadas todas aquelas onde os aviões da SATA Air Açores operam (Açores, Madeira, Canárias), ou havia uma menção apenas aos nove aeroportos açorianos. Pois bem, este relatório apresenta, de forma surpreendente, as rotas correspondentes a todas as ilhas açorianas exceto Pico, havendo ainda (e de certa forma fora de contexto) uma menção ao Funchal — Madeira.


É obvio que este "esquecimento" do Pico por parte da SATA pode ser encarado como um lapso. Contudo, ele mostra como não houve um cuidado em garantir que todas as ilhas açorianas estavam representadas num documento oficial e muito significativo para os stakeholders, o que resultou num claro prejuízo para a ilha montanha (e só para esta!).

Há quem afirme que a transportadora aérea açoriana tem um ditado próprio: um descuido nunca vem só! Se isto é verdade ou não, isso dependerá muito de cada situação, mas o que é factual é que os lapsos da SATA em relação ao Pico não se ficam pelo relatório anterior. Atendendo agora ao Relatório Integrado 2018 - Desempenho Financeiro, Social e Ambiental - SATA Internacional - Azores Airlines, nomeadamente à página 9, é possível encontrar quase todas as rotas operadas por destino (em 2018) por parte do Grupo SATA. E quase todas porquê? Porque estão lá todos os destinos da SATA referentes à América do Norte, a África, à Europa, mas falta um destino nacional: o Pico!


Mais uma vez, pode-se considerar que se está perante um novo lapso da SATA em relação à ilha montanha. Uma questão se levanta: havendo a preocupação de tentar mencionar todas as rotas operadas pela SATA, porque é que não houve igual atenção em garantir que pelo menos todas as nove ilhas açorianas — o foco da SATA — estavam representadas?

É importante notar que a inclusão do Pico nestes relatórios de contas não acarretava nenhum custo adicional, ou seja, era possível ter mais e melhor sem qualquer encargo. Por outro lado, a ausência de menção da rota Pico (e apenas desta!) nestes relatórios traz consigo um dano, o qual porventura é pequeno mas não deixa de ser bastante simbólico.

Existe um famoso ditado, validado pela sabedoria popular, de que não há duas sem três! Se o terceiro lapso da SATA em relação ao Pico vem a caminho, isso ainda não se sabe, mas os ingredientes já estão reunidos: em janeiro deste ano de 2019, a SATA estimou um crescimento da procura de 5% na operação aérea direta entre Lisboa e a ilha do Pico para o Verão IATA 2019 (de abril a outubro), tendo programado uma operação em conformidade, isto apesar de, no Verão IATA de 2017, a rota Lisboa/Pico/Lisboa ter tido um crescimento da procura na ordem dos 8,5%, e de o crescimento nesta rota ter atingido os 20,7% no Verão IATA de 2018.

Aguarde-se, então, pelo final de outubro, de forma a saber como cresceu a procura pelo destino Pico no Verão IATA de 2019. Se, como tudo tem indicado até agora, a ilha montanha voltar a apresentar crescimentos notáveis, os picarotos dirão que já o esperavam, enquanto a SATA poderá sempre dizer que nas suas previsões para o Pico houve... um lapso!

Haja saúde!

Post scriptum: Este artigo foi igualmente publicado na edição n.º 41.987 do 'Diário dos Açores', de 1 de outubro de 2019.

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