A produção de 2009 do vinho licoroso do Pico 'Czar' ficará certamente para a história: após 10 meses de fermentação e um estágio de 4 anos, surgiu numa das dez barricas um vinho totalmente natural com uma graduação de 20 graus álcool, um produto único em todo o mundo!
Segundo o produtor, Fortunato Garcia, esta "agradável partida da natureza" não tem comparação: "fiz buscas relacionadas com vinhos totalmente naturais, sem serem aguardentados, e não consigo encontrar registos".
Este lote muito especial e com carácter único é um importante instrumento para valorizar a Região Açores e os produtos açorianos, mostrando que vale a pena a preservação e continuação do trabalho heróico dos nossos antepassados - "o testemunho de gerações de pequenos agricultores que, num ambiente hostil, criaram um modo de vida sustentável e um vinho muito apreciado" (
palavras do relatório de um órgão consultivo da UNESCO).
A produção de 2009 do vinho licoroso 'Czar' está dividida em dois lotes:
- Meio Doce - 18,5 graus (2400 garrafas)
- Seco - 20,0 graus (200 garrafas)
A apresentação pública do 'Czar' de 2009 será feita no Wine in Azores, de 24 a 26 de Outubro, em Ponta Delgada. Trata-se do maior festival de vinhos dos Açores, com uma forte componente gastronómica.
Descrição do vinho licoroso 'Czar', de José Duarte Garcia
O vinho Verdelho do Pico e o 'Czar', em particular, é um vinho peculiar pela
morfologia do solo onde as suas videiras se expandem, ao clima e à
minuciosidade do tratamento das suas vinhas, à forma como é feita a sua
vindima e até a maneira como é elaborado e guardado. Daí que seja único
no seu aroma, no seu paladar na sensação que deixa em quem o degusta
e como tal incomparável pela sua singularidade.
Por se tratar de um vinho totalmente natural, sem adição de qualquer tipo
de álcool, açúcar ou leveduras, a sua composição varia de acordo com o
grau de maturação e as condições climatéricas incertas de cada ano,
podendo aparecer como seco, meio seco, meio doce ou doce.
Provém de uma vinha centenária que se encontra na zona dos lajidos da
Criação Velha, da ilha do Pico, zona património mundial classificada pela
UNESCO em 2004 devido às suas características únicas.
É um vinho que naturalmente atinge 18% de graduação e às vezes mais.
Essa virtude, deve-se às características peculiares das uvas de que é
feito, Verdelho, Arinto dos Açores e Terrantês do Pico, ao tipo de solo de
pedra vulcânica (lajido), à desfolha realizada alguns dias antes da vindima
tardia, para permitir uma maior exposição solar dos cachos, ajudando na
sobre maturação das uvas.
Já ganhou vários prémios sendo considerado por muitos como o melhor
licoroso dos Açores.
A sua medalha de ouro mais recente foi ganha numa
feira internacional de vinhos em Moscovo em Novembro de 2011. Também
já foi considerado como um dos melhores vinhos Portugueses pela
revista "Néctar" em 2005.
Mais recentemente, em Novembro de 2013 o
conceituado crítico de vinhos Português, Nelson Moreira, considerou a
colheita de 2008 como um fenómeno da natureza, que certamente irá ficar
na história de vinhos dos Açores.
Foi-lhe dado o nome 'Czar', porque após a revolução Russa em 1917, foi
encontrado vinho licoroso da ilha do Pico nas caves do palácio do último
Czar, Nicolau II. Este vinho era embarcado em barricas na ilha do Pico,
por barcos enviados propositadamente pelos Czares para os seus banquetes reais. Chegou a constar de receitas médicas como cura para
certos males e até Tolstoi o menciona no seu livro “Guerra e Paz”.
Contacto:
verdelhoczar@yahoo.com |
www.czarwine.pt
Haja saúde!
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