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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Balanço do ano de 2025


Termina hoje mais um ano civil e, por essa razão, cumpre-se a tradição ininterrupta (com mais de uma década) desde a fundação do blog "Cais do Pico": fazer um balanço anual (neste caso a décima segunda edição) do que se passou neste blog, com especial atenção para os 53 posts anteriormente publicados durante o ano de 2025.

Antes de mais, quero agradecer aos arraigados seguidores deste blog, pois só faz sentido escrever artigos e atualizar páginas se existir alguém desse lado que os queira ler. Recordo que 2025 (à semelhança dos dois anos anteriores) foi marcado por uma atividade bem menos intensa neste blog do que aquela que teve lugar há alguns anos, isto devido à nomeação para um alto cargo público em julho de 2022, renovada em abril de 2024, o que fez diminuir enormemente o meu tempo livre nos últimos três anos e meio. Todavia, pensar em escrever sobre um pouco de tudo relacionado com a ilha montanha, sendo dado destaque à zona do Cais do Pico, à vila e ao concelho de São Roque do Pico, faz com que surja logo a vontade de, entre o meio de outros afazeres, empregar algum tempo, esforço e dedicação para vos continuar a trazer continua e ininterruptamente aquilo que está subjacente à criação desde blog — em particular, o maior interessado na divulgação contínua feita pelo blog "Cais do Pico" sou eu, daí que é com enorme felicidade e sentimento de dever cumprido que, após mais uma ano, o mesmo continua em atividade, estando permanentemente atualizado — e isso pode ser comprovado por respostas dadas a comentários neste blog, a mensagens para o seu e-mail (mail@caisdopico.pt) e a contactos via Facebook (facebook.com/blogcaisdopico), Instagram (instagram.com/blogcaisdopico) ou X [ex-Twitter] (twitter.com/blogcaisdopico).

Aliás, fazendo uso das estatísticas (e não, hoje não são as oficiais do dia-a-dia profissional :p), é simplesmente extraordinária a conclusão que se extrai quando se analisa este ano aparentemente calmo: foi precisamente no dia de ontem (30 de dezembro de 2025) que este blog superou a marca das 4.000.000 visualizações, ou seja, quatro milhões de visitas! Mais ainda, foram registadas 602 mil visualizações só neste ano, um recorde anual de visitas, ao qual corresponde uma média superior a 50 mil visualizações por cada mês de 2025!

Esta é, indubitavelmente, a maior prova de que manter permanentemente atualizados, num trabalho quase invisível mas muito exigente, os separadores "Barcos", "Aviões" e "Autocarros" — separadores estes cuja informação representa uma enorme responsabilidade para a sociedade e que são não apenas a razão de existência deste blog, mas também uma das suas principais imagens de marca — é altamente reconhecido através do elevadíssimo número de consultas feitas ao "Cais do Pico"; por outras palavras, o blog está vivo e recomenda-se!

Assim, os mais de 3.500 seguidores registados no Facebook, Instagram ou Twitter (64%, 35% e 1% do total, respetivamente), bem como os registados por e-mail (consultem a barra lateral direita ou o final da página deste blog para aderir, consoante estejam a visualizar num computador ou num telemóvel, respetivamente), contaram — e conto que continuem a contar — com um blog permanentemente atualizado, nomeadamente cumprindo a missão de ser um portal onde se pode encontrar os horários dos barcos, aviões e autocarros que servem a ilha montanha, além de algumas informações úteis e curiosidades sobre o Pico — portal este disponível na web em caisdopico.pt e nas redes sociais em @blogcaisdopico.

Continuando com um novo hábito iniciado há exatamente dois anos, neste décimo segundo "ano de vida" do blog "Cais do Pico" vou simbolicamente voltar destacar um e um só post aqui publicado (no início de julho): "6.º voo Lisboa/Pico tem início esta sexta-feira" — este post representa não só (mais uma) demonstração de como "o Pico está na moda!", mas também de como devemos sempre sonhar em altos (e muitos) voos, e o picaroto pode e merece: se no ano de fundação deste blog (2014) havia, durante o verão, dois voos semanais entre a capital portuguesa e a ilha montanha, enquanto no inverno era só um (e com escala na Terceira), a verdade é que a chegada ao sexto voo semanal deve-se à labuta, perseverança e tenacidade das gentes do Pico, algo que também está no ADN deste blog.

Mesmo antes de terminar, gostaria de (voltar a) desafiar os leitores deste blog a consultarem o separador "Sabia que..." e a verificarem se já tinham conhecimento das curiosidades lá apresentadas, pois eu próprio desconhecia inicialmente a maioria delas! Além disso, tomo a liberdade de partilhar, em destaque diferente, imagem que tem acompanhado os momentos festivos deste blog, elevada desta vez a "imagem do ano" em jeito de agradecimento a todos os visitantes do "Cais do Pico", especialmente àqueles que o seguem fielmente e a todas as pessoas que têm ajudado a divulgar o mesmo, pela marca das quatro milhões de visualizações, por estarem sempre aí desse lado e pelas palavras de apreço e apoio contínuo ao longo dos anos que me têm transmitido pessoalmente — obrigado!

Finalmente, e concluindo este longo post, quero desejar a todos um Feliz Ano Novo de 2026, com muita saúde e boa disposição!

Haja saúde!


terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Balanço do ano de 2024


O ano civil acaba hoje e, por esse motivo, é chegada a hora da tradição ininterrupta (com mais de uma década) desde a fundação do blog "Cais do Pico": fazer um balanço anual (neste caso a décima primeira edição) do que se passou neste blog, com especial atenção para os 49 posts anteriormente publicados durante o ano de 2024.

Em primeiro lugar, agradeço aos perduráveis seguidores deste blog, pois só faz sentido produzir conteúdo se existir alguém desse lado que o queira ler. O ano de 2024 (à semelhança do anterior) foi marcado por uma atividade bem menos intensa neste blog do que ocorreu no passado, isto devido à nomeação para um alto cargo público em julho de 2022, renovada em abril de 2024, o que fez diminuir de forma drástica o meu tempo livre nos últimos dois anos e meio. No entanto, graças à vontade, determinação e satisfação em escrever sobre um pouco de tudo relacionado com a ilha montanha, sendo dado destaque à zona do Cais do Pico, à vila e ao concelho de São Roque do Pico, houve cá e lá um tempinho, esforço e dedicação bem empregues para vos continuar a trazer sempre e sem interrupções aquilo que levou à criação desde blog — por outro lado, dito de uma forma um tanto ou quanto paradoxal, ninguém sente mais falta do blog "Cais do Pico" do que eu próprio, mas apraz-me ver que o mesmo continua em atividade, estando permanentemente atualizado — e isso pode ser comprovado por respostas dadas a comentários neste blog, a mensagens para o seu e-mail (mail@caisdopico.pt) e a contactos via Facebook (facebook.com/blogcaisdopico), Instagram (instagram.com/blogcaisdopico) ou X [ex-Twitter] (twitter.com/blogcaisdopico).

Metaforicamente, blog está como o mar naqueles dias de acalmia, sem levantar grandes ondas, mas que continua a ser olhado permanentemente, ou seja, o blog não se evaporou e mantém o interesse de quem o procura, os quais contribuiram, nos últimos 11 anos e até ao momento, com mais de 3,40 milhões de visualizações! Mais concretamente, apresentando algumas estatísticas, estamos a falar de 250 mil visitas durante este ano, o que corresponde a uma média superior a 20 mil visualizações por cada mês de 2024 — um valor curiosamente superior ao registado em muitos outros anos da primeira década de existência do blog.

Este resultado demonstra claramente como o "Cais do Pico" nunca parou a sua atividade, tendo eu mantido permanentemente atualizados os separadores "Barcos", "Aviões" e "Autocarros", separadores estes cuja informação representa uma enorme responsabilidade para a sociedade e que são não apenas a razão de existência deste blog, mas também uma das suas principais imagens de marca — este é um trabalho porventura menos visível, mas constante na sua exigência.

Assim, os mais de 3.500 seguidores registados no Facebook, Instagram ou Twitter (64%, 35% e 1% do total, respetivamente), bem como os registados por e-mail (consultem a barra lateral direita ou o final da página deste blog para aderir, consoante estejam a visualizar num computador ou num telemóvel, respetivamente), contaram — e conto que continuem a contar — com um blog permanentemente atualizado, nomeadamente cumprindo a missão de ser um portal onde se pode encontrar os horários dos barcos, aviões e autocarros que servem a ilha montanha, além de algumas informações úteis e curiosidades sobre o Pico — portal este disponível na web em caisdopico.pt e nas redes sociais em @blogcaisdopico.

Continuando com um novo hábito iniciado há exatamente um ano, neste décimo primeiro "ano de vida" do blog "Cais do Pico" vou simbolicamente voltar destacar um e um só post aqui publicado: 'Megaiate Aquarius visita o Cais do Pico' — este post acaba representando o seguinte: por um lado, como "o Pico está na moda!", pois certamente quem é dono ou alugou este megaiate tem capacidade (leia-se tempo e dinheiro) para ir a qualquer parte do mundo (e quicá até ao espaço!), mas mesmo assim decidiu passar alguns dias de vida nesta ilha montanha no meio do Atlântico, a qual tem menos de 15 mil habitantes (ou seja, um dos locais mais remotos e menos populosos do país e da Europa); por outro, como vale sempre a pena visitar o "Cais do Pico" — uma bela silepse que se aplica tanto ao local físico, como a este blog!

Mesmo antes de terminar, gostaria de (voltar a) desafiar os leitores deste blog a consultarem o separador "Sabia que..." e a verificarem se já tinham conhecimento das curiosidades lá apresentadas, pois eu próprio desconhecia inicialmente a maioria delas! Além disso, tomo a liberdade de partilhar, em destaque diferente e inovador (embora seguindo tendências atuais), o que a inteligência artificial entendeu ser uma imagem que representa a essência do blog "Cais do Pico", de forma a ser aqui divulgada como "imagem do ano" — em particular, a resposta do ChatGPT foi um cais de pedra vulcânica com a majestosa montanha do Pico ao fundo, traduzindo assim o nome do blog; o mar tranquilo (tal como a fase atual do blog) contendo um barco e o céu contendo uma ave em grande destaque, símbolos dos primeiros separadores do blog (e a razão da sua existência); e por fim um farol, representando a ligação entre o "Cais do Pico" e as pessoas que o visitam, nomeadamente apontando horários, informações úteis, curiosidades, etc.

Finalmente, e concluindo este longo post, quero desejar a todos um Feliz Ano Novo de 2025, com muita saúde e boa disposição!

Haja saúde!


domingo, 31 de dezembro de 2023

Balanço do ano de 2023


Neste último dia do ano cumpre-se, mais uma vez, com a tradição ininterrupta desde a fundação do blog "Cais do Pico": fazer um balanço anual (neste caso a décima edição) do que se passou neste blog, com especial atenção para os 46 posts anteriormente publicados durante o ano de 2023.

A primeira palavra é de agradecimento para os perseverantes seguidores deste blog, pois só faz sentido aqui escrever se existir alguém desse lado que tenha interesse em ler. Em particular, 2023 foi marcado pela atividade menos intensa de sempre neste blog durante um ano civil, fruto da nomeação para um alto cargo público em julho de 2022, o que fez diminuir o meu tempo livre drasticamente desde então, tal como já havia dado nota há exatamente um ano. Mesmo assim, tendo subjacente o enorme gosto e prazer de escrever sobre um pouco de tudo relacionado com a ilha montanha, sendo dado destaque à zona do Cais do Pico, à vila e ao concelho de São Roque do Pico, houve cá e lá tempo, esforço e dedicação bem empregues para vos continuar a trazer a essência do que conduziu à criação desde blog — aliás, apesar de ter recebido várias manifestações de que sentem falta das publicações do blog "Cais do Pico", a resposta tem sido sempre a mesma: "Embora eu também tenha saudades de ter mais algum tempo livre para poder escrever mais coisas, o blog continua em atividade, estando permanentemente atualizado" — e isso pode ser comprovado por respostas dadas a comentários neste blog, a mensagens para o seu e-mail (mail@caisdopico.pt) e a contactos via Facebook (facebook.com/blogcaisdopico), Instagram (instagram.com/blogcaisdopico) ou X [ex-Twitter] (twitter.com/blogcaisdopico).

Curiosamente, foi durante este período de acalmia que se alcançou as três milhões de visualizações, uma marca simbólica que comprova não só como este blog está vivo, mas também como ele mantém o interesse da sua audiência, a qual até ao momento contribuiu com mais de 3,15 milhões de visualizações!

Este resultado é o retorno indireto de o "Cais do Pico" nunca ter parado a sua atividade, tendo eu mantido permanentemente atualizados os separadores "Barcos", "Aviões" e "Autocarros", separadores estes cuja informação representa uma enorme responsabilidade para a sociedade e que são não apenas a razão de existência deste blog, mas também uma das suas principais imagens de marca — este é um trabalho porventura menos visível, mas constante na sua exigência.

Assim, os cerca de 3.500 seguidores registados no Facebook, Instagram ou Twitter (63%, 36% e 1% do total, respetivamente), bem como os registados por e-mail (consultem a barra lateral direita ou o final da página deste blog para aderir, consoante estejam a visualizar num computador ou num telemóvel, respetivamente), contaram — e conto que continuem a contar — com um blog permanentemente atualizado, nomeadamente cumprindo a missão de ser um portal onde se pode encontrar os horários dos barcos, aviões e autocarros que servem a ilha montanha, além de algumas informações úteis e curiosidades sobre o Pico — portal este disponível na web em caisdopico.pt e nas redes sociais em @blogcaisdopico.

Ao contrário do habitual, neste décimo "ano de vida" do blog "Cais do Pico" vou simbolicamente destacar um e um só post aqui publicado: 'Pico volta ao Guiness World Records com a Maior Roda de Chamarrita do Mundo' — este post acaba sendo uma metáfora de como o viver e o fazer do picaroto volta a reforçar como "o Pico está na moda!", de como uma ilha no meio do Atlântico, a qual tem menos de 15 mil habitantes (ou seja, um dos locais mais remotos e menos populosos do país), consegue ombrear com qualquer parte do mundo, e de como, mais pessoalmente, um dia, no futuro, certamente voltará a haver mais tempo livre para se bater novos recordes estatísticos neste blog.

Mesmo antes de terminar, gostaria de (voltar a) desafiar os leitores deste blog a consultarem o separador "Sabia que..." e a verificarem se já tinham conhecimento das curiosidades lá apresentadas, pois eu próprio desconhecia inicialmente a maioria delas! Além disso, tomo a liberdade de partilhar, em destaque diferente, a capa que tem acompanhado o "Cais do Pico" ao longo dos últimos 10 anos e que simbolicamente é desta vez batizada como "imagem do ano" — ela tem nos acompanhado, a mim e a vocês, nesta última década, sendo que ela continuará por aí, pois mesmo com uma atividade mais reduzida deste blog e mesmo com menos tempo livre, haverá sempre algum para dedicar ao "Cais do Pico"!

Finalmente, e concluindo este longo post, quero desejar a todos um Feliz Ano Novo de 2024, com muita saúde e boa disposição!

Haja saúde!


sábado, 31 de dezembro de 2022

Balanço do ano de 2022


Chega hoje ao fim mais um ano civil e, por essa razão, é chegada a hora de cumprir com a tradição ininterrupta desde a fundação do blog "Cais do Pico", ou seja, fazer um balanço anual (neste caso a nona edição) do que se passou neste blog, tendo em atenção os 180 posts anteriormente publicados durante o ano de 2022.

Começo por agradecer aos fiéis seguidores deste blog, pois só faz sentido aqui escrever se existir alguém desse lado que tenha interesse em ler. Em particular, 2022 ficou marcado neste blog por dois períodos distintos — já lá irei — mas sempre tendo subjacente o enorme gosto e prazer de escrever sobre um pouco de tudo relacionado com a ilha montanha, sendo dado destaque à zona do Cais do Pico, à vila e ao concelho de São Roque do Pico: é tempo, esforço e dedicação bem empregues, sentindo esse retorno através de comentários neste blog, mensagens para o seu e-mail (mail@caisdopico.pt), contactos via Facebook (facebook.com/blogcaisdopico), Instagram (instagram.com/blogcaisdopico), Twitter (twitter.com/blogcaisdopico) ou abordagem pessoal, pois várias foram as pessoas que tiveram palavras muito simpáticas para comigo devido ao blog, bem como houve quem demonstrasse publicamente saudades do mesmo quando este ficou menos ativo.

Concretizando, e como notou quem segue este blog, a atividade no primeiro semestre de 2022 foi bem mais intensa (162 posts nesses seis meses) do que na segunda metade do ano (somente 18 posts).

Tendo presente uma resolução de 2021, na qual lancei o desafio pessoal de ter um post diário neste blog pelo menos até ao final desse ano, a verdade é que, excetuando o primeiro dia de 2022, isso foi mantido até meados de maio do ano que agora finda — ou seja, foram 147 publicações consecutivas; se juntarmos às 311 consecutivas que terminaram em 2021, obtém-se um total de 458 posts em 459 dias! Curiosamente, foi durante este período de intensidade recorde do blog que se alcançou o simbólico 2351.º post, uma marca que representa a superação de ter alcançado uma "montanha" de publicações, as quais tiveram, no seu todo e até ao momento, mais de 2,92 milhões de visualizações!

Recordando agora o que disse no passado:
À primeira vista, parece um tanto ou quanto impossível escrever regularmente só sobre uma ilha no meio do Atlântico, a qual tem menos de 15 mil habitantes (ou seja, um dos locais mais remotos e menos populosos do país), recorrendo para isso apenas ao tempo livre e tendo em consideração que passo grande parte do ano fisicamente ausente da ilha montanha...
Aconteceu que, fruto da nomeação para um alto cargo público em julho de 2022, o meu tempo livre diminuiu drasticamente, o que se refletiu na atividade do blog e no menor número de publicações num ano desde a sua fundação.

No entanto, o "Cais do Pico" nunca parou a sua atividade, tendo eu mantido permanentemente atualizados os separadores "Barcos", "Aviões" e "Autocarros", separadores estes cuja informação representa uma enorme responsabilidade para a sociedade e que são não apenas a razão de existência deste blog, mas também uma das suas principais imagens de marca — este é um trabalho porventura menos visível, mas constante na sua exigência.

Assim, os mais de 3.200 seguidores registados no Facebook, Instagram ou Twitter (62%, 37% e 1% do total, respetivamente), bem como os registados por e-mail (consultem a barra lateral direita ou o final da página deste blog para aderir, consoante estejam a visualizar num computador ou num telemóvel, respetivamente), contaram — e conto que continuem a contar — com um blog permanentemente atualizado, nomeadamente cumprindo a missão de ser um portal onde se pode encontrar os horários dos barcos, aviões e autocarros que servem a ilha montanha, além de algumas informações úteis e curiosidades sobre o Pico — portal este disponível na web em caisdopico.pt e nas redes sociais em @blogcaisdopico.

Tomo agora a liberdade de recordar alguns temas abordados durante o nono "ano de vida" do blog "Cais do Pico", um ano onde se antevia que os efeitos da pandemia de COVID-19 se fossem esfumando, melhorando assim a vida em sociedade, mas que ficou marcado a nível mundial por uma guerra na Europa e, a nível mais local, pela crise sismovulcânica na vizinha ilha de São Jorge — onde a ilha montanha serviu de apoio logístico até para o Presidente da República.

Poderia começar por destacar publicações que demonstraram como "o Pico está na moda!", bem como os seus produtos, mas foram tantas que seria exaustivo e maçudo — assim, ilustro este sentimento de qualidade superior e de reconhecimento através do vinho do Pico, o qual está cada vez mais forte, consistente e com um legado para defender e levar mais longe, fazendo igualmente dele uma marca valiosa não apenas para os respetivos proprietários, mas também para a história nacional.

No tema das acessibilidade aéreas para a ilha montanha, um dos destaques vai para um novo recorde de voos de horários por semana na época alta, o que representou um incremento muito significativo de movimentos de aviões na infraestrutura aeroportuária do Pico, isto no ano em que celebrou o seu 40.º aniversário. Por outro lado, houve uma decisão unânime na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores para que a ampliação da pista do aeroporto do Pico avance, uma decisão histórica e que certamente vincula os decisores políticos ao futuro a dar à maior infraestrutura aeroportuária totalmente gerida e detida pela Região.

Passando do ar para o mar, o Porto do Cais do Pico e o seu movimento também não foram esquecidos, tema este que tem sido recorrente neste blog desde a sua fundação. Em particular, duas notas merecem ser destacadas: primeiro, o novo Terminal Marítimo foi inaugurado em junho, o que veio trazer conforto e qualidade aos passageiros marítimos que entram ou saem da ilha montanha pelo seu lado norte; segundo, a criação de uma ligação marítima dedicada Pico / São Jorge, ligação esta que corresponde à histórica linha Cais do Pico / Velas.

Aproximando-me do final deste balanço anual, quero ainda mencionar alguns posts que me despertaram alguma curiosidade e/ou de índole mais humorística; em concreto, refiro-me a "A montanha do Pico vê-se de São Miguel?! E das Flores?", "Solução para a praga de ratos que está a invadir o Pico", "O caracol esbranquiçado do Cais do Pico", "Jornais históricos do Caes do Pico" e "O Pico lunar". Quero igualmente fazer referência a outros posts que pretenderam ser um contributo para que se perceba melhor, sobretudo para quem é de fora, a realidade picarota: "A insensibilidade de um sindicato", "Uns envelopes para os apanhados" e "Uma revista com miopia". Outro contributo que foi dado por este blog, neste caso como forma primordial de promoção, refere-se a uma proposta vencedora da quarta edição do Orçamento Participativo dos Açores, designadamente "Bicicletas Elétricas Públicas Inteligentes na ilha do Pico".

Mesmo antes de terminar, gostaria de (voltar a) desafiar os leitores deste blog a consultarem o separador "Sabia que..." e a verificarem se já tinham conhecimento das curiosidades lá apresentadas, pois eu próprio desconhecia a maioria delas! Além disso, tomo a liberdade de partilhar de novo duas das fotos aqui apresentadas durante 2022, as quais não são estreias, mas que representam, para mim, as "imagens do ano": refiro-me às fotos presentes nos separadores "Barcos" e "Aviões", as quais também são usadas aquando de posts sobre alterações aos horários dos respetivos transportes que servem a ilha do Pico; estes foram os dois primeiros separadores a serem criados neste blog (tal como comprova o segundo post de sempre), são a (já supramencionada) razão de existência do "Cais do Pico" e, mesmo com uma atividade mais reduzida deste blog, estes separadores mantiveram-se constantemente atuais — uma prova, para mim, de que mesmo com menos tempo livre, houve e haverá sempre algum para dedicar a este blog!

Finalmente, e concluindo este longo post, quero desejar a todos um Feliz Ano Novo de 2023, com muita saúde e boa disposição!

Haja saúde!



sábado, 28 de maio de 2022

Jornais históricos do Caes do Pico


Na ilha montanha já se publicaram cerca de três dezenas de jornais desde 1874, sendo que à volta de um terço destes foram editados no lugar do Cais do Pico, vila de São Roque do Pico.

Excluindo o "Jornal do Pico", o periódico da vila nortenha da ilha montanha que foi fundado em 2004, bem como o "Cais Dez", o jornal associado à Escola B/S de São Roque do Pico e que foi fundado em 1987, todos os restantes jornais associados de alguma forma ao Cais do Pico já se extinguiram, sendo que todos estes têm igualmente a particularidade de terem sido fundados no século XIX, ou seja, na época onde o Cais era "Caes do Pico".

Desta lista de jornais históricos fazem então parte os seguintes oito periódicos, cuja breve descrição aqui se apresenta [tendo por base a informação disponibilizada no site CulturAçores]:
  • O Eco Picoense
    • Folha política, instrutiva e noticiosa publicada semanalmente em São Roque do Pico. Iniciou a publicação a 20 de outubro de 1878, publicando 48 números no primeiro ano de existência. A numeração do segundo ano retoma o número um, tendo terminado com o número 21, a 18 de fevereiro de 1880. Foi seu editor J. F. d'Escobar. Era impresso em tipografia própria, na Canada das Almas, 10, naquela localidade. Nas suas quatro páginas procurou chamar a atenção para os principais problemas que afetavam a ilha, nomeadamente transportes marítimos, baldios e educação. Politicamente esteve próximo do Partido Progressista, apoiando o seu candidato. Publicou um folhetim, 'A cruz de prata e a cruz de ferro', da autoria de A. L. Bulcão. Foi seu colaborador Ernesto Rebello e inclui correspondência de outras ilhas. Formato 45,5 cm x 32,3 cm, 4 páginas a 3 colunas.
  • Boletim Judicial
    • Jornal quinzenal, literário e noticioso publicado em São Roque do Pico e impresso na Tipografia Picoense. Foi seu editor Manuel José Dias Júnior e proprietário Manuel Maria de Mello, também redator, com Arsénio Leonel de Medeiros, guarda-mor de saúde. Entre outros colaboradores, destaca-se Manuel Henrique Dias. Publicou o primeiro número em 16 de novembro de 1879 e o último a 5 de maio de 1885.
  • O Picarôto
    • Quinzenário, instrutivo e noticioso. O número 1 data de domingo 1 de janeiro de 1882. Folha pequena. A três colunas. Publicado em São Roque do Pico, Typ. do Boletim Judicial. Do número 13 em diante dobrou o formato com 5 colunas, passando a ser semanal e a imprimir-se na Typ. Picoense de Manoel Dias de Lima, rua do Caes, cujo nome só por acaso está declarado em alguns números salteados. Continuou pelo menos até 15 de fevereiro de 1883.
  • O Pico
    • Com a epígrafe «Semanal consagrado a todos os interesses desta ilha», foi fundado em S. Roque do Pico em 17 de maio de 1885, por Domingos Machado Soares e Manuel Henrique Dias. Em 1 de julho de 1885, Domingos Machado Soares passou a editor responsável e proprietário. Em 19 de maio de 1889, Manuel Emílio e D. Machado Soares aparecem como redactores e D. Machado Soares como proprietário e administrador. Era impresso na Typ. Picoense, rua do Caes, 39 (loja), onde também funcionava a redação. Formato 41 cm x 27 cm, 4 páginas, 4 colunas, a primeira página era ocupada pelo editorial com o título genérico "S. Roque do Pico". Incluía um folhetim, noticiário local e anúncios judiciais. Foi publicado, pelo menos, até 7 de julho de 1889.
  • O Independente
    • Jornal, semanário popular, que começou a ser editado na vila de São Roque em 28 de fevereiro de 1886. Manuel Henrique Dias era redator principal e proprietário. Formato 42,8 cm x 29,1 cm, primeiro, 38 cm x 28 cm, depois, ambos com 4 páginas, 4 colunas, inclui um editorial com o título genérico "Caes do Pico", notícias locais, folhetim, anúncios judicias e outros, muitos de editoras do continente. Era impresso na Typ. Popular, de João Francisco Escobar.
  • O Picoense
    • Semanal, com a epígrafe «Folha Progressista», começou a ser publicado em São Roque do Pico em março de 1890. Tinha como diretor Manuel Emílio e administrador A. Leal Júnior. Em 1899, M. Emílio Herz era administrador e M. d'Oliveira Júnior editor. A redação e a administração funcionaram na rua de S. Francisco, Caes do Pico. Era impresso em tipografia própria, no n.º 6 daquela rua. Formato, inicialmente, 38,4 cm x 25,5 cm, em 26 de abril de 1891 entrou no segundo ano de publicação, retomando o número 1 e passando ao formato 45 cm x 32,7 cm, inicialmente 2 páginas, depois, geralmente 4, 4 colunas. A primeira página é, em geral, ocupada pelo editorial com o título genérico «S. Roque». Inclui artigos de opinião política, notícias do Pico e do Faial e publicidade. A segunda série, iniciada em 1904, tem como epígrafe «Folha Semanal». Tinha como editor e administrador Manuel d'Oliveira Júnior e tipografia e administração na rua do Poço, 6, Caes do Pico. Em 1912 era redator principal, editor e proprietário João Bento de Lima e a redação, a administração e a impressão estavam no n.º 3 da rua do Poço. Em 1918, era proprietário João Pereira Dutra e editor Emílio Linhares de Andrade. Funcionava no mesmo local. Em 1929, João Pereira Dutra era administrador e proprietário e Gustavo Goulart diretor, redator e editor. A epígrafe passa a «Semanário Republicano». Em 1931, João Pereira Dutra era diretor, redator e editor, e proprietário-administrador. Continuava no mesmo local. Formato variável, cerca de 41,5 cm x 28,5 cm, 4 páginas, 4 colunas, deixou de incluir o editorial «S. Roque» mas continuou a interessar-se pelas questões locais. A 3.ª série começou em 29 de dezembro de 1932. Era publicada semanalmente com a epígrafe «O jornal mais antigo do distrito». João Pereira Dutra era diretor, redator e editor, e proprietário-administrador. Tinha redação e administração no mesmo local das séries anteriores. Era impresso nas oficinas da Empreza de O Telégrafo, na Horta. Formato 41,5 cm x 29 cm, 4 páginas, 4 colunas, inclui um folhetim, noticiário de várias proveniências e publicidade. Deixou de ser publicado em 1933.
  • O Popular
    • Jornal que começou a ser publicado em 8 de março de 1890, no concelho de São Roque do Pico, mas dele saíram poucos números. Tinha como redator e proprietário Manuel Henrique Dias. Prometia advogar a sua política e as suas ideias, sem descer a excessos de linguagem que julgava impróprios da imprensa. Ligado ao Partido Regenerador.
  • O Futuro
    • Folha espírita. Publicação quinzenal era propriedade de Manuel F. Goulart que administrava. Tinha redação e edição de F. A. Ramos da Silveira. A redação e a administração funcionavam na Typographia do Futuro, rua de S. Francisco, 2, Caes do Pico, onde era impresso. Começou a publicar-se em junho de 1894. Formato 43 cm x 31,6 cm, 4 páginas, 4 colunas. Publicava artigos sobre temas religiosos e anúncios.

Por fim, apresenta-se o que foi escrito no primeiro número do editorial do jornal 'O Pico', em 1885, com o título "S. Roque do Pico" e assinado «A redacção» — palavras de quem decidiu dar do seu tempo em prol da sua terra e que também são válidas para a motivação subjacente ao blog 'Cais do Pico':
A ideia da criação de um periódico nesta vila que advogasse os interesses morais e materiais dela, assim como os da ilha em geral, sempre em nós predominou e hoje é posta em acção. E se bem que outras iguais já o fossem nesta localidade e de pouca dura, todavia não é isso motivo para nós, que nos achamos possuídos dos desejos ardentes de ser prestável a esta terra, não avançarmos este passo na vanguarda do progresso e da civilização, quanto mais vendo que ela, pelas suas actuais circunstâncias, bem merece tudo quanto em seu benefício se tratar.

Haja saúde!

Post scriptum: Este artigo foi igualmente publicado na edição n.º 945 do 'Jornal do Pico', de 17 de junho de 2022.

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Montanha do Pico, os humores da montanha [by National Geographic]


Todos os dias, o Pico parece diferente. Um viajante descreve a sua ascensão nocturna, procurando chegar ao cume antes de o Sol nascer.

É assim que António Luís Campos inicia a descrição, na prestigiada revista National Geographic, da sua 12.ª ascensão ao ponto mais alto de Portugal — link para artigo na íntegra.

Haja saúde!

segunda-feira, 23 de maio de 2022

A ligação marítima histórica Cais do Pico / Velas


No âmbito do lançamento para breve da nova linha sazonal da Atlânticoline — a Linha Laranja, a qual corresponde a uma ligação dedicada entre as ilhas do Pico e de São Jorge, vale a pena recordar que, no século passado, já houve algumas obrigações impostas a quem se dispunha a transportar passageiros entre a ilha montanha e a ilha das fajãs.

Mais precisamente, o Decreto n.º 40.344, de 18 de outubro de 1955, tinha como sumário "Aprova e manda pôr em execução o Regulamento para o Tráfego de Passageiros entre o Porto do Cais do Pico (Ilha do Pico) e o Porto das Velas (Ilha de S. Jorge)".

De entre os 19 artigos do regulamento supracitado, não deixa de ser curioso atentar aos seguintes pontos:
Art. 6.º O número de viagens de ida e volta entre o porto do Cais do Pico e o porto das Velas é fixado no mínimo de duas por semana durante o Inverno e de uma viagem diária durante o Verão, exceptuados os domingos, desde que as condições do tempo o permitam, o que será verificado pelas autoridades marítimas.
§ 1.° O horário é fixado pela Capitania do Porto da Horta, de acordo com o horário das carreiras de camionagem nas ilhas do Pico e S. Jorge, e será tornado público em edital e em anúncios publicados nos jornais das ilhas do Pico, Faial e S. Jorge, respectivamente pela Capitania e pelos proprietários das embarcações aprovadas para as carreiras.
(...)
§ 4.º Para transporte dos passageiros que excedam a lotação da embarcação designada para determinada viagem do horário, deverão ser efectuadas, em desdobramento, as viagens necessárias.
Art. 7.° O preço das passagens entre o porto do Cais do Pico e o porto das Velas, para as embarcações do horário, é de 12$ por pessoa (...).
Daqui retiram-se as seguintes notas relevantes: havia uma preocupação de, pelo menos no verão, haver uma ligação diária entre Pico e São Jorge (exceptuando domingos); os horários estavam ajustados a outros meios de transporte, designadamente com os horários dos autocarros públicos; eram efetuados desdobramentos para garantir que ninguém ficava em terra; e o preço de uma ida Cais do Pico / Velas (ou vice-versa) custava, calculado à data de hoje, cerca de 7 € (os 12 escudos mencionados sem inflação corresponderiam hoje a apenas 0,06 €!) [nota adicional: a mesma viagem custa agora 10,50 €, ou seja, o seu custo aumentou, em termos práticos, 50% face à década de 50 do século passado].

Por fim, referir que esta rota chegou a ser explorada pela Empresa Lanchas do Pico, Lda [recorrendo maioritariamente às embarcações "Velas" e "Calheta"], empresa esta que não só ligou outras ilhas e portos no Grupo Central dos Açores, mas também foi uma das percursoras da Transmaçor e, consequentemente, da Atlânticoline

Em suma, a nova Linha Laranja não é um capricho, mas sim o retomar de uma ligação histórica, com a curiosidade adicional de que, passados quase 70 anos, ainda é válida a informação "a travessia do canal faz-se em 60 minutos".

Haja saúde!

Post scriptum: Este artigo foi igualmente publicado na edição n.º 942 do 'Jornal do Pico', de 27 de maio de 2022.


sexta-feira, 6 de maio de 2022

Lenda de um Baleeiro


Quem viajou no passado mês de abril de 2022 a bordo da SATA / Azores Airlines teve a oportunidade de receber a sua refeição dentro de uma caixinha de papel que tinha em grande destaque, no seu exterior, a montanha do Pico e as palavras "From Pico Island, a Dream tale of a giant whale"; mais abaixo aparecia em português "A ilha do Pico e a lenda de sonho da baleia gigante".

Certamente estas palavras aguçam o apetite — notavelmente numa caixa contendo comida — sobre que lenda será esta. Ora bem, ao abrir a caixinha supramencionada, era possível encontrar uma passagem (quer em português, quer em inglês) da lenda em questão e um código QR para ler a versão completa, a qual se apresenta igualmente neste espaço:
Numa certa manhã, há muitas gerações atrás, ecoou por toda a ilha do Pico um som familiar; um barulho que representava a esperança de sustento e até de alguma fortuna para as famílias pobres da ilha. 
A palavra espalhou-se, para a maior baleia jamais avistada naqueles mares. Observados pela imponente montanha do vulcão do Pico, os homens correram aos barcos, decididos a ganhar a batalha contra aquela silhueta gigante que se afastava no horizonte. O mais valente dos arpoadores conseguiu chegar mais perto e, com a rapidez de um relâmpago, foi arrastado pela grossa corda do arpão atada à sua cintura, desaparecendo no infinito do mar. 
Depois de grande espera e sem esperança de voltar a ver o companheiro, os baleeiros voltaram para terra. 
Na manhã seguinte, o amanhecer revelou de novo no horizonte aquela figura gigante. Os homens remaram com todas as forças e, ao chegarem, tiveram a visão mais fantástica da sua vida: a baleia tinha trazido o homem de volta, que os recebeu às gargalhadas, fumando um grosso cigarro de casca de milho. 
Reza a lenda que o arpoador de baleias nunca revelou o segredo da sua vitória, nem tão-pouco como conseguiu lume para acender o cigarro.
Esta é naturalmente uma história que mistura factos com fantasia, não havendo forma de afirmar quais; contada e recontada de pais para filhos há várias gerações, não é de estranhar que existam diferentes versões desta história [link para versão alternativa]; todavia, a conclusão é sempre a mesma: o picaroto é capaz de vencer um gigante!

Haja saúde!


quarta-feira, 20 de abril de 2022

Auto da Paixão de Cristo [Lajes do Pico - 2022]


A Paixão de Jesus Cristo é o ponto alto das festividades da Páscoa e descreve os eventos e os sofrimentos físicos, espirituais e mentais de Jesus nas horas que antecederam o seu julgamento e a sua crucificação.

Neste Domingo de Páscoa de 2022 [17 de abril], a vila das Lajes do Pico encheu-se de gente para assistirem ao Auto da Paixão de Cristo, que começou junto à Igreja Matriz e terminou no Convento de São Francisco com o culminar da crucificação e ressurreição do Senhor.

Encenado por Hélder Fernandes e pelo Grupo Auto da Paixão de Cristo, da freguesia da Ribeirinha, que contou com a participação de cerca de 80 participantes, esta peça recriou os momentos mais marcantes da Semana Santa, desde a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

[Fonte: CMLP]

Em anexo apresentam-se alguns registos audiovisuais deste Auto da Paixão de Cristo de 2022, bem como de uma encenação semelhante ocorrida em 1990 na freguesia da Ribeirinha.

Haja saúde!









sexta-feira, 1 de abril de 2022

Solução para a praga de ratos que está a invadir o Pico


Uma praga de ratos está a invadir a ilha do Pico, sendo que os roedores estão a causar enormes prejuízos nas produções, nomeadamente nas agrícolas e florestais, mas também nos silos e até nas próprias habitações. A par dos prejuízos para os produtores e proprietários, também existe o risco de a população poder vir a ser contaminada, sabendo-se que a leptospirose já provocou, por mais de uma vez, vítimas nos Açores.

Considerando que os produtores e proprietários não têm meios financeiros nem capacidade técnica que lhes permitam proceder a uma desratização geral eficaz, a qual, aliás, pela sua natureza de interesse coletivo só pode e deve ser promovida pelos poderes públicos, as autoridades competentes estão em vias de implementar uma solução inovadora nos próximos dias para, de uma vez por todas, resolver este problema.

Mais concretamente, o plano passa por introduzir uma grande quantidade de gatos da raça Aoshima, a qual é vocacionada para a exterminação de ratos em ilhas e com provas dadas na matéria.

Apesar de este ser um projeto pioneiro na região, não o é no mundo, onde inúmeros exemplos de sucesso têm deixado os respetivos residentes de olhos em bico, bem como também já se tornaram em atrações turísticas.

Haja saúde!

terça-feira, 15 de março de 2022

O caracol esbranquiçado do Cais do Pico


Através de um contributo interessante prestado pela Universidade dos Açores à sociedade — relacionado com a distribuição dos moluscos terrestres da ilha do Pico [link] — é possível encontrar a seguinte passagem:
No início do século XX, o barão W. Rothschild realizou uma expedição aos Açores cujas recolhas depositou no Natural History Museum, Londres; entre o material recolhido, mas nunca trabalhado, figuram sete exemplares de Macaronapaeus imaculadamente brancos (BMNH 1903-10-8.175-181), que se crê relacionados com o endemismo terceirense Macaronapaeus alabastrinus. Nobre (1924) recolheu esta espécie nos arredores do Cais do Pico e menciona-a como Bulimus pruninus.
Ora bem, isto sugere que há um tipo de caracol que parece se dar bem para os lados do Cais do Pico, de tal forma que um cientista mencionou especificamente esta localidade!

Efetivamente, a expedição associada (em 2006) ao estudo universitário supramencionado encontrou esta espécie de caracol esbranquiçado na ilha montanha apenas e só na estação colocada no Cais do Pico (de entre 16 espalhadas pela ilha).

Esta é uma espécie também conhecida por Bulimus pruninus ou Napaeus cf.alabastrinus (para além de Macaronapaeus alabastrinus) e que só foi encontrada nas ilhas do Pico e da Terceira, sendo relativamente comum nesta última; todavia, no caso da ilha montanha, este caracol é bem mais raro, sendo que entretanto também já se conseguiu encontrar alguns poucos exemplares na Terra Alta, em Santo Amaro, e no Cabeço do Monte Escuro, na Piedade.

Em todo o caso, este caracol esbranquiçado pode ser considerado como um embaixador do Cais do Pico, pois devagarinho levou longe e de forma comprovadamente científica mais uma das particularidades e características que tornam única esta zona da ilha montanha.

Haja saúde!

terça-feira, 8 de março de 2022

A Mulher do Pico e a sua vida na Cofaco em 1974


Hoje, dia 8 de março, celebra-se o Dia Internacional da Mulher. Como forma de homenagem a todas as picarotas, à sua força, perseverança e exemplo, apresenta-se em anexo um registo audiovisual preciosíssimo que contém o relato (gravado em 1974) de três mulheres do Pico sobre a sua vida na (já encerrada) Cofaco do Pico.

Mais concretamente, e fruto de um programa dedicado à condição feminina no Arquipélago dos Açores no pós 25 de abril de 1974, a RTP veio à ilha montanha procurar saber mais sobre a relação da mulher com o mundo do trabalho e a vida familiar, e o seu acesso à educação, informação e cultura.

No vídeo em anexo, a partir do minuto 18:00, a reportagem foca-se nesta fábrica de conservas da ilha montanha, visando em particular entrevistas a trabalhadoras e à encarregada de produção, abordando assuntos como laboração fabril, carga horária, vencimento das trabalhadoras, aumento salarial, a importância do movimento sindical, e a condição social e económica das mulheres.

Os testemunhos são magníficos, verdadeiros pedaços de história que nos fazem perceber melhor pelo que passaram muitas picarotas: há a rapariga de 15 anos que estuda noutra ilha e que trabalha na fábrica durante o verão para poder pagar os estudos; há a senhora de 61 anos que, passado mais de 20 anos, ainda trabalha nesta unidade fabril pelo enorme amor e amizade que tem pela mesma; e há a encarregada, uma mulher de 38 anos que não tem razões de queixa das funcionárias e que, se fosse mais nova, iria estudar mais.

Eis assim alguns exemplos do que foi e é ser uma Mulher do Pico!

Haja saúde!

terça-feira, 1 de março de 2022

Calçado ganha vida nova na ilha do Pico


André Barreto Costa, natural das Lajes do Pico, foi estudar para a capital portuguesa. Ingressou, primeiramente, no curso de Biologia e depois mudou para Gestão Turística mas acabou por desistir por não ser aquela a área que o preenchia. Há algum tempo, decidiu recuperar o seu calçado e descobriu um gosto enorme pela atividade. Assim nasceu a A.C.Kicks.
É assim que se inicia um artigo publicado no jornal 'Açoriano Oriental' sobre um picaroto que atualmente, na ilha montanha, não tem mãos a medir no que toca a restaurar sapatos e até a personalizar ténis — link para reportagem completa.

Haja saúde!



domingo, 20 de fevereiro de 2022

Nevou no Pico e não só (será um OVNI?)


Neste fim de semana de 19/20 de fevereiro de 2022, a ilha do Pico acordou com a respetiva montanha coberta de neve. As imagens desta paisagem, sempre fantásticas e que valem mais do que mil palavras, podem ser encontradas em anexo.

Todavia, ampliando um pouco uma das fotografias, aparece um elemento não identificado; entre as inúmeras possibilidades, não é de excluir, à semelhança do que verificou em agosto de 2016, que alguém ou alguma outra forma de vida inteligente estivesse a sondar a montanha do Pico como hipotético local de aterragem, consolidando assim o seu estatuto de "cais do céu".

Haja saúde!




quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Uns envelopes para os apanhados


Do arquipélago vizinho madeirense chega-nos a seguinte notícia: um ex-funcionário dos CTT da Madeira, acusado de se ter apropriado de cerca de 37 mil euros no processo de expedição de correspondência, confessou recentemente o crime em tribunal e manifestou-se arrependido, tendo já devolvido o valor. A pergunta que os nossos leitores fazem (e com toda a razão) é necessariamente a seguinte: onde é que esta história tem a ver com a ilha do Pico? Vamos então aos factos.

O caso remonta a setembro de 2020, quando o ex-funcionário desempenhava a função de supervisor operacional do centro de distribuição de correio da Penteada, no Funchal, e se deparou com três envelopes fechados numa mala com selo de segurança, que fora remetida dos Açores para a Madeira por engano.

Os envelopes — dois do Novo Banco contendo cerca de 16.900 euros e um do Santander Totta com 20.000 euros — tinham sido expedidos na ilha do Pico para São Miguel, mas por lapso foram recebidos na Madeira.

Ao arguido competia corrigir o erro, mas decidiu apropriar-se dos valores, numa área fora do alcance das câmaras de videovigilância, e depois fabricou duplicados dos registos, remetendo-os para fora da Região.

Durante a primeira sessão do julgamento, o arguido reforçou estar "completamente arrependido" e disse ter devolvido o dinheiro todo, sendo que 30.000 euros foram apreendidos numa busca ao seu carro e os restantes transferidos da sua conta para uma referência bancária indicada pelo tribunal; por outro lado, os CTT explicaram ao tribunal ter indemnizado as entidades bancárias com base nos valores por si declarados para efeitos de seguro, nomeadamente 500 euros por cada envelope remetido pelo Novo Banco e 250 euros pelo envelope do Santander Totta, pelo que o remanescente poderá, eventualmente, reverter para a Região Autónoma da Madeira.

Estes factos vêm, em parte, mostrar como funcionam alguns serviços, justificando até certas situações que acontecem no dia a dia. Primeiro, noticiar que uns envelopes iam da ilha montanha para a ilha verde e acabaram na Madeira quase que parece uma anedota... mas não é! Aliás, este talvez não tenha sido um caso isolado, e assim se compreenda melhor o porquê de uma vez uma carta expedida na Madalena com destino a São Roque do Pico tenha demorado 18 dias a chegar!!! Dito de outra forma, foram dezoito dias para uma carta percorrer (supostamente) apenas 20 km na mesma ilha!

Mas o insólito da correspondência que acabou na Madeira não se fica por aqui: as remetentes, neste caso entidades bancárias, declararam que os envelopes tinham muito menos dinheiro lá dentro do que verdadeiramente tinham, eventualmente para... pouparem dinheiro com o seguro! Feitas as contas, um banco declarou 16 vezes menos o valor real, enquanto que o outro declarou... 80 vezes menos! Resultado: no conjunto, estas entidades bancárias acabaram perdendo mais de 35 mil euros (35.650 €, para sermos exatos), perda essa que agora terão de compensar através de mais taxas e taxinhas que ultimamente proliferam no setor bancário!

Por fim, e como corolário deste conjunto de eventos bizarros, o que resta do valor não devolvido aos bancos possivelmente se converterá numa receita extraordinária para os cofres públicos madeirenses, ou seja, é quase como se o crime compensasse para o território onde é feito!

Em suma, o funcionário pode ter sido apanhado, mas esta história vai direitinha para os apanhados!

Haja saúde!

Post scriptum: Este artigo foi igualmente publicado na edição n.º 42.711 do 'Diário dos Açores', de 20 de fevereiro de 2022.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

O Pico lunar


O Mons Pico é uma montanha lunar solitária que se situa na parte norte da bacia do Mare Imbrium, a sul da cratera de piso escuro Platão e na orla sul de uma cratera fantasma. Este pico faz parte do anel interno sobrevivente da bacia do Imbrium, continuando para noroeste com as cordilheiras dos Montes Teneriffe e Montes Recti, e provavelmente para sudeste com os Montes Spitzbergen.

Com um comprimento de 25 km (orientado noroeste-sudeste) e uma largura de 15 km, o Mons Pico atinge uma altitude de 2450 m. A própria montanha é um objeto muito reflexivo e brilhante.

Devido à sua localização isolada no mare lunar, este pico pode formar sombras proeminentes quando iluminado pela luz solar oblíqua. Por outro lado, o Mons Pico também é conhecido como um local de anomalias lunares transitórias — fenómenos temporários de luz, de cor ou de alteração da aparência da superfície da Lua.

A sudeste do Mons Pico situa-se uma montanha um pouco menor que é por vezes chamada de Mons Pico β (Beta).

O Pico lunar é um tanto ou quanto famoso no que respeita à ficção científica. Objetos estranhos aparecem perto do Pico na obra 'Blast Off at Woomera', de Hugh Walters; o seu destino é desenvolvido depois nas sequelas 'The Domes of Pico' e 'Operation Columbus'. Uma batalha espacial climática tem lugar no Pico no romance 'Earthlight', de Arthur C. Clarke; esta montanha também é mencionada de passagem no seu romance '3001: Odisseia Final' como um local de armazenamento de vírus biológicos e de computadores, bem como no conto 'The Sentinel' do mesmo autor — neste caso, o protagonista Wilson refere tem escalado a mesma. O Pico é igualmente mencionado na obra de Júlio Verne 'À Volta da Lua', onde os três principais personagens observam esta montanha a partir da sua nave espacial.

Por fim, um mistério perdura até aos dias de hoje: porque foi dado o nome 'Pico' a este mons [montanha num corpo celeste]? A teoria mais famosa internacionalmente é a de que o astrónomo alemão Johann Hieronymus Schröter nomeou esta montanha, no final do séc. XVIII / início do séc. XIX, em homenagem ao Pico de Teide, na ilha de Tenerife; todavia, se uma cordilheira lunar ali ao lado foi batizada de 'Montes Teneriffe', em homenagem à ilha homónima nas Canárias, o que faria mais sentido é que o ponto mais alto dessa cordilheira fosse o Teide lunar... Por outro lado, o Teide espanhol tem uma altitude de 3718 m, ou seja, mais de 1200 m de diferença para o Pico lunar...

Posto isto, a mais recente teoria é a de que o Mons Pico homenageia a ilha açoriana homónima, não apenas pelo nome, mas também por ambas as respetivas montanhas terem uma altitude muito próxima — mais precisamente, os 2351 m do ponto mais alto de Portugal tornam o Pico açoriano somente menos de 100 m mais baixo do que o Pico lunar!

Haja saúde!





sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Balanço do ano de 2021


Mantendo a tradição de fim de ano, ininterrupta desde a fundação do blog "Cais do Pico" e que, por essa razão, corresponde à oitava edição, é chegada a hora de fazer um balanço anual do que se passou neste blog, tendo em atenção os 346 posts anteriormente publicados durante o ano de 2021.

Agradeço, em primeiro lugar, a todos os leitores deste blog, pois só faz sentido aqui escrever se existir alguém desse lado que tenha interesse em ler. Em particular, tem sido contínuo o sentimento de que escrever sobre um pouco de tudo relacionado com a ilha montanha, sendo dado destaque à zona do Cais do Pico, à vila e ao concelho de São Roque do Pico, é tempo, esforço e dedicação bem empregues, porque o retorno é fantástico; mais precisamente, seja através de comentários neste blog, mensagens para o seu e-mail (mail@caisdopico.pt), contactos via Facebook (facebook.com/blogcaisdopico), Instagram (instagram.com/blogcaisdopico), Twitter (twitter.com/blogcaisdopico) ou abordagem pessoal, várias foram as pessoas que tiveram palavras muito simpáticas para comigo devido ao blog.

Em segundo lugar, não esqueço os internautas que recorrem a este blog para os mais variados fins e que fazem uso regular dos separadores "Barcos", "Aviões" e "Autocarros", separadores estes que mantenho permanentemente atualizados pela enorme responsabilidade que a sua informação já representa para a sociedade, comprovado pelo facto de serem das páginas mais visitadas — a título de exemplo, houve um comerciante que me indagou sobre se eu podia atualizar a previsão das escalas dos navios de mercadorias que servem o Pico ainda mais cedo, pois essa informação lhe era muito importante para dar a previsão de entrega de encomendas aos seus clientes. Outros leitores não raramente partilham e/ou comentam como os post aqui publicados "trazem a ilha montanha ao coração dos que estão longe"; há ainda os que fazem uso desta página para preparar a sua primeira visita à ilha montanha, recorrendo para isso ao separador "Informações úteis". De certa forma relacionado com o que foi mencionado anteriormente, posso revelar que, através do blog, recebi e-mails que perguntavam desde os preços de bilhetes nos barcos de passageiros até como funcionavam os testes à COVID-19 no Pico; outros houve que pediam esclarecimentos de matérias aqui abordadas ou mesmo uma autorização para divulgarem histórias relatadas neste blog, como foi exemplo um contacto vindo de Espanha. Não esqueço igualmente um antigo professor da Universidade dos Açores, o qual me procurou pessoalmente para me dar os parabéns por um artigo publicado no final de 2020 e para me transmitir, para uso futuro, mais ferramentas e técnicas de abordagem para artigos de índole semelhante.

Reitero o que aqui já mencionei no passado: o retorno obtido continua a superar tudo aquilo que alguma vez poderia imaginar; digo isto porque, à primeira vista, parece um tanto ou quanto impossível escrever regularmente só sobre uma ilha no meio do Atlântico, a qual tem menos de 15 mil habitantes (ou seja, um dos locais mais remotos e menos populosos do país), recorrendo para isso apenas ao tempo livre e tendo em consideração que passo grande parte do ano fisicamente ausente da ilha montanha... Contudo, as estatísticas têm demonstrado que esse desafio quase impossível tem sido superado com distinção: 2021 representou um novo recorde de posts num só ano, pois contando com este são 347! Por outras palavras, só em 18 dias deste ano não houve uma nova publicação neste site. Tenho a confessar uma coisa: no início do ano, mais precisamente a meio de fevereiro, notei que a média de novos posts estava muito aquém do habitual, tendo então lançado um novo desafio pessoal, o qual consistia em publicar um post diário até ao final do ano; hoje, passados 311 dias desde essa resolução, orgulho-me das respetivas 311 publicações consecutivas, onde se inclui o simbólico 2000.º post, superando assim mais um desafio, o qual tem agora o merecido remate — no próximo ano não perspetivo bater este recorde, mas daqui a um ano faremos as contas :) Do vosso lado, as estatísticas são ainda mais impressionantes, pois é graças a vocês que o blog "Cais do Pico" alcançou, no verão passado, a marca simbólica de dois milhões e meio de visualizações, sendo que atualmente já foram superadas as 2,65 milhões de visitas!

É igualmente justo reconhecer que todas estas marcas também se devem a todos aqueles que deram a conhecer este blog, mais concretamente a outros blogs que incluem o "Cais do Pico" na sua lista de leituras, a quem passou a palavra de boca em boca dos posts aqui publicados e a quem partilhou os mesmos no Facebook/Instagram/Twitter, sendo que a todas estas pessoas renovo o meu agradecimento pela divulgação efetuada.

Em termos de acesso à informação, o blog não registou alterações durante o ano de 2021: o link de acesso continua simples de memorizar — caisdopico.pt — e basta procurar por @blogcaisdopico nas sociais em voga — Facebook, Instagram ou Twitter — para poder facilmente seguir a informação aqui disponibilizada (estas redes sociais juntas somam mais de 3.000 seguidores, contabilizando cada uma 62%, 37% e 1% do total, respetivamente); em alternativa, é possível registar um e-mail e receber automaticamente uma mensagem sempre que existir um novo post (consultem a barra lateral direita ou o final da página deste blog para aderir, consoante estejam a visualizar num computador ou num telemóvel, respetivamente). Por outro lado, alguns dos temas aqui abordados tiveram direito a voz (literalmente) através das Crónicas na Rádio Pico e do Jornal da Ilha — este último um programa de rádio que une as três radiodifusoras locais do Pico, as quais tornam efetivamente esta ilha numa ilha radiofónica.

Tomando agora a liberdade de destacar algumas das publicações efetuadas durante o oitavo "ano de vida" do blog "Cais do Pico", e apesar da pandemia de COVID-19 que continuou a assolar todo o mundo (já lá irei), houve um conjunto alargado de posts que terminaram com uma frase comum (para além do habitual "Haja saúde!") e que traduziram aquilo que se sente na ilha montanha: "o Pico está na moda!" Mais precisamente, a ilha montanha está de tal forma no centro das atenções que voltou a merecer referências por parte de prestigiados jornais e revistas internacionais, tais como 'The Telegraph', 'Financial Times', 'Condé Nast Traveler', 'Forbes', 'Travel + Leisure' e 'Esquire', entre outros. Aliás, mais do que estar na moda, o Pico afirmou-se definitivamente como uma referência mundial do turismo ao ser incluído numa famosa e restrita lista dos 50 melhores destinos do mundo para visitar em 2022, isto por ser "um local sedutor de outro mundo coberto com rochas vulcânicas pretas"; outros disseram que o Pico é "a ilha que reescreve a definição de luxo e de ilha paradisíaca", tendo igualmente a televisão aberta portuguesa destacado como o Pico é caso de sucesso do turismo rural — não por acaso, fica nesta ilha o melhor alojamento português de turismo rural dos que abriram em 2021. No mundo online também não faltaram menções elogiosas à ilha montanha, desde a vinha do Pico em destaque na plataforma de Artes e Cultura da Google até recomendações de websites de pesquisa de viagens em como o Pico é um das melhores ilhas da Europa para umas férias longe das multidões — note-se que até foram feitos vídeos promocionais por parte de influencers digitais, alguns dos quais consideraram o Pico como "provavelmente, a ilha mais completa dos Açores". Tudo isto comprova o potencial turístico da ilha montanha, algo que se traduziu em números, como é exemplo o facto de o Museu do Pico ter sido o quarto espaço museológico mais visitado de Portugal, ou em visitas de figuras mais ou menos conhecidas do público em geral, desde o homem mais rico do Brasil que fundeou, no seu mega-iate, ao largo da ilha montanha até aos Duques de Bragança, passando até por um antigo astronauta da NASA — o qual disse que subir à montanha mais alta de Portugal foi mais complicado do que ir ao espaço! Em suma, e como desabafou um conhecido locutor de rádio, "ali [no Pico] está-se bem"!

Mas não só no turismo o Pico mostrou a sua pujança: esta foi a única ilha dos Açores que não registou uma quebra nos nascimentos nas últimas duas décadas, além de que, tal como revelaram os Censos 2021, ter sido a única ilha dos Açores que perdeu menos população do que a média nacional — inclusivamente, fica no Pico o único concelho dos Açores que registou crescimento da população ao longo dos últimos dez anos. Estas são algumas razões para outra estatística impressionante: o preço das casas no Pico foi o que mais disparou em Portugal!

A gastronomia picarota mereceu igualmente um elevado destaque: seguindo a ordem normal de uma refeição, pode-se começar por falar de uma manteiga de sonho (mas não só) como entrada, passando depois ao polvo guisado à moda do Pico em destaque no Brasil, tudo isto acompanhado pelos vinhos do Pico que atraem investidores estrangeiros (pois a alma desta ilha está também nos vinhos); para finalizar, porque não apreciar um licoroso excecional e/ou a melhor aguardente de Portugal, ambos produzidos na ilha montanha. Dito de outra forma, o Pico está na moda também na restauração — pois o seu estranho poder de atração coloca uma ilha à mesa e uma montanha no coração — não sendo de admirar que o Pico se tenha tornado também no novo destino "foodie" da Europa — para usufruir destas iguarias ainda é preciso ir a um restaurante ou confecionar as mesmas, isto apesar de rumores que apontavam para a iminência da chegada da Uber Eats à ilha montanha.

Houve ainda espaço para outras notícias positivas, como é exemplo a implementação de um serviço audioguia pioneiro a nível regional no Museu da Indústria Baleeira — este foi o culminar de uma das propostas vencedoras do primeiro Orçamento Participativo dos Açores (de 2018), tendo sido igualmente uma das causas deste blog [nem a propósito, no âmbito do Orçamento Participativo dos Açores 2021, duas novas propostas são patrocinadas por este site, designadamente "Bicicletas Elétricas Públicas Inteligentes na ilha do Pico" e "Aeroportos dos Açores Online", convidando todos a votar nas mesmas]; outro exemplo foi o Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores, que terá sede no Pico e que começou a ganhar forma legal. Em termos desportivos, equipas picarotas conquistaram a Taça de Portugal de ténis de mesa masculino, o Campeonato Açoriano de kickboxing e o título de Campeão Nacional também de kickboxing — de certa forma, estas equipas perpetuam o legado vencedor deixado por Manuel da Silveira, o picaroto que já foi o homem mais forte do mundo e cuja história de vida aqui se partilhou. Merece igualmente nota de destaque o que (novamente) uma pessoa com mobilidade muito reduzida demonstrou: o que é preciso para subir a montanha do Pico é força de vontade! Enfim, é por estas e por outras que uma imagem do Pico é utilizada para inspirar milhões de internautas por esse mundo fora.

No entanto, o blog "Cais do Pico" também acompanhou alguns dos azares e notícias menos boas para os picarotos, em particular, e para todos, em geral. Mais concretamente, e à semelhança do ano passado, 2021 ficou marcado pela pandemia de COVID-19, tendo os respetivos impactos na ilha montanha merecido aqui a cobertura adequada: apesar da chegada da respetiva vacina ao Pico em fevereiro, da boa adesão da população à mesma — quer numa fase inicial, quer aquando da "Operação Periferia", o que permitiu à ilha montanha alcançar a imunidade de grupo em julho, as grandes festividades de verão da ilha montanha acabaram canceladas, bem como as Festas do Divino Espírito Santo. Todavia, a estratégia de combate à COVID-19 no Pico continua a dar os seus frutos, pois esta ilha foi (e continua a ser) um dos lugares do mundo menos afetado pela pandemia, não registando (até à data) qualquer óbito relacionado — todas as estatísticas relacionadas com a COVID-19 no Pico podem ser encontradas neste link. Outro imbróglio que teima em não ter fim é o tema Cofaco: esta conserveira anunciou em março o que muitos já esperavam, nomeadamente o cancelamento da construção de uma nova fábrica no Pico; surgiu então, nem um mês depois, uma substituta, a Conseran, a qual apresentou em setembro o seu projeto industrial. No entanto, e apesar de o Conselho de Ministros ter finalmente aprovado a majoração de apoios aos ex-trabalhadores da Cofaco em agosto, até à data estes continuam sem acesso a esses apoios, isto mais de três anos depois dessa promessa política.

Em todo o caso, e à semelhança dos anos anteriores, houve um tema que continuou a merecer destaque aqui: o Aeroporto da ilha do Pico e o movimento aéreo que serve a ilha montanha. O ano começou com alguma turbulência, onde teve lugar um voo descancelado e um bailinho da Madeira a quatro ilhas dos Açores, isto para não falar dos rumores de que a gateway do Pico estaria em risco por estar incerto o futuro no que respeita às Obrigações de Serviço Público do Transporte Aéreo entre Lisboa e Açores. Entretanto, passaram a existir ventos mais favoráveis, os quais levaram a uma relação próxima e profícua com a transportadora aérea regional; a partir daí os resultados foram deveras muito positivos e até surpreendentes: pela primeira vez, o Pico teve cinco ligações semanais aéreas com Lisboa, no que resultou num momento histórico associado a 2021, pois existiram mais voos diretos Lisboa/Pico do que antes da pandemia! Ademais, a ilha montanha foi o destino em destaque aquando do surgimento da "Tarifa Açores", comprovando assim a procura interna pelo Pico, bem como não foram raros os dias onde se gerou uma autêntica hora de ponta na infraestrutura aeroportuária da ilha montanha. Tudo somado, o aeroporto do Pico acabou batendo o recorde de voos programados num só dia, registando igualmente uma procura acima do habitual em termos de jatos privados.

Ainda dentro do tema das acessibilidade aéreas para o Pico, durante o primeiro trimestre nada de novo se soube sobre o estudo de operacionalidade da pista do aeroporto do Pico... Mas eis que de repente tudo mudou: em abril foram reveladas as partes essenciais do estudo supracitado, nomeadamente que custa 30 milhões a solução adequada para a pista do aeroporto do Pico; com base nestas informações, foi aqui apresentado uma análise comparativa de soluções possíveis para a pista do aeroporto do Pico, a partir da qual se concluiu que a solução adequada consiste no aumento desta pista em cerca de 700 m para oeste, solução esta que criaria um aeroporto capaz de servir condignamente as necessidades atuais e futuras da ilha montanha; seguidamente, e com o apoio deste blog, o Grupo 'Aeroporto do Pico' promoveu um debate online sobre a infraestrutura aeroportuária da ilha montanha aberto a toda a sociedade, bem como uma ronda de reuniões com representantes políticos — designadamente com o Presidente do Governo Regional dos Açores, com os deputados regionais eleitos pela ilha do Pico e com os presidentes dos municípios da ilha montanha. Quiçá fruto destes contactos, a verdade é que a ampliação da pista do aeroporto do Pico veio mencionada explicitamente na proposta do Plano Anual Regional para 2022. Por outro lado, a SATA admitiu num parecer que a proposta de ampliação da pista do Pico, apresentada igualmente na Assembleia Regional sob a forma de projeto de resolução, permite a operação das aeronaves daquela companhia sem limitações de perfomance.

O Porto do Cais do Pico e o seu movimento também não foram esquecidos, tema este que tem sido recorrente neste blog desde a sua fundação. A primeira nota vai para o facto de que este ano não houve qualquer tipo de operação por parte de barcos associados ao transporte marítimo regular de passageiros, pois ainda se encontra a decorrer a construção do novo Terminal Marítimo de Passageiros de São Roque do Pico (gare e espaços envolventes) — uma empreitada que tem sido acompanhada fotograficamente aqui (incluindo a respetiva grua dançante). No entanto, não faltaram (as já habituais) promessas de melhoria das condições de operacionalidade neste porto; mais concretamente, primeiro surgiu (em abril) uma menção para um "estudo de ordenamento da baía e proteção da orla marítima do Cais do Pico" no Plano da Região 2021; depois soube-se (também em abril) que a frente marítima do Cais do Pico está em risco de inundação, necessitando por isso de proteção num futuro próximo [como curiosidade, a comissão consultiva do Plano de Gestão de Riscos de Inundações não incluía inicialmente o município de São Roque do Pico, um lapso entretanto corrigido mas que foi denunciado publicamente e em primeira mão neste blog]; por fim, (em setembro) foi lançado o projeto de execução de proteção da orla marítima e ordenamento da baía do Cais do Pico — o que por sua vez significa, traduzindo por miúdos, mais um estudo! Todavia, há a destacar um momento que teve lugar em 2021 e que fica para a história do Porto do Cais do Pico: com 138,77 metros de comprimento de fora-a-fora, 22,29 metros de ‘boca’ e 16.100 toneladas de arqueação bruta, o "Hanseatic Inspiration" acostou no Cais do Pico em outubro e assim se tornou, até à data, o maior navio a atracar na ilha do Pico.

Aproximando-me do final deste balanço anual, quero ainda mencionar alguns posts relacionados com o património e a história da ilha montanha, nomeadamente os três órgãos históricos do Pico (incluindo o mais antigo dos Açores) classificados como bem móvel de interesse público, a nova espécie do mar profundo descoberta ao largo da ilha montanha e o laurocho — o escaravelho endémico em conservação no Pico — por falar em animais, uma das notícias do ano foi o resgate de uma baleia junto à costa da ilha montanha; outros artigos versaram a Longitudinal — a estrada mais bonita de Portugal e a extinta Caixa Económica Picoense, bem como estudos científicos que sugerem que os vikings foram os primeiros humanos a chegar ao Pico e que a ilha montanha é geologicamente africana.

Gostaria ainda realçar uns posts que me despertaram alguma curiosidade e/ou de índole mais humorística; em concreto, refiro-me a "A ironia de era uma vez o muro da escola", "Picarotos são as pessoas mais pacientes do mundo", "Caminhos de ferro do Cais do Pico", "Também D. Dinis o diz: Força Sporting Allez!", "Será a ilha do Pico a mais quente dos Açores?" e "A química da ilha montanha". Quero igualmente fazer referência a outros posts que pretenderam ser um contributo para que se perceba melhor, sobretudo para quem é de fora, a realidade picarota: "Teleférico na montanha do Pico?!", "Estará uma delegação da IROA a caminho do Pico?" e "A insciência da televisão pública sobre onde fica o Pico".

Mesmo antes de terminar, gostaria de (voltar a) desafiar os leitores deste blog a consultarem o separador "Sabia que..." e a verificarem se já tinham conhecimento das curiosidades lá apresentadas, pois eu próprio desconhecia a maioria delas! Além disso, tomo a liberdade de partilhar de novo uma das fotos originais aqui apresentadas durante 2021 (uma espécie de "imagem do ano", tal como foi feito em balanços anteriores): um beijo da Lua na montanha do Pico, para mim uma bela metáfora deste ano que agora termina, onde no meio da "escuridão" da pandemia foi possível encontrar belos momentos, partilhar os mesmo com quem mais se gosta, e saber que num futuro não muito distante (esperemos que já para o ano) irá surgir um "novo dia", desta vez pós-COVID [imagem em anexo].

Finalmente, e concluindo este longo post, quero desejar a todos um Feliz Ano Novo de 2022, com muita saúde e boa disposição!

Haja saúde!