Estes factores contribuem para que a ilha montanha tenha uma densidade de 31,8 habitantes por km², ou seja, a terceira mais baixa dos Açores (apenas nas ilhas das Flores e do Corvo a densidade populacional é inferior).
Por outras palavras, a ilha do Pico tem vastas áreas inabitadas (incluindo algumas que provavelmente nenhum ser humano por lá passou!), sendo que a esmagadora maioria da população vive junto ao mar. Mas ainda melhor do que descrever onde residem as pessoas na ilha montanha, nada como visualizar a sua dispersão pela ilha.
Com a recente tomada de posse do XII Governo da Região Autónoma dos Açores, seguiu-se a apresentação da respetiva Proposta de Programa de Governo, a qual foi aprovada no passado dia 18 de novembro de 2016 [link para consultar este programa na íntegra]. Este é o documento que contém as linhas estratégicas e orientadoras para as várias áreas da ação governativa nos próximos quatro anos.
Atendendo à ilha do Pico, o Programa de Governo contém as seguintes medidas concretas:
Continuar com a política de requalificação de quartéis de bombeiros, nomeadamente, do Nordeste e das Lajes do Pico.
Reavaliar a delimitação das massas de água subterrâneas das ilhas do Pico e Graciosa.
Prosseguir com a implementação dos Planos de Ordenamento das Bacias Hidrográficas das Lagoas das ilhas de São Miguel, Pico e Flores.
Desenvolver um programa de monitorização regular, através de amostragens físico-químicas, da qualidade da água das lagoas das ilhas de São Miguel, Pico, Flores e Corvo.
Concluir a modernização da rede de cuidados de saúde primários, nomeadamente com as obras nos Centros de Saúde das Lajes do Pico, das Velas, da Calheta, de Santa Cruz das Flores e novo Centro de Saúde da Horta.
Reforçar a operacionalidade das infraestruturas dos portos da região, concluindo as empreitadas já iniciadas (Porto da Casa, Porto das Poças, Porto das Velas, Porto de Ponta Delgada), iniciando as empreitadas com os procedimentos já lançados (2.ª fase da Frente Marítima da Cidade da Horta e rampa ro-ro no Porto da Calheta) e lançando novos procedimentos para os projetos já aprovados ou em fase de conclusão (Terminal de Passageiros de São Roque do Pico e a Requalificação e Ampliação do Porto das Pipas).
Requalificar e dinamizar os Estaleiros da Madalena com o envolvimento de privados no investimento e dinamização daquela unidade industrial naval.
A Atlânticoline, S.A. informa que o ferry “Mestre Simão” será alvo de inspeção obrigatória aos meios de salvação, no âmbito dos requisitos de segurança legalmente exigidos para este tipo de embarcações. Esta inspeção será realizada em São Miguel, onde se localiza a única instalação certificada para o efeito na Região.
Assim, o “Mestre Simão” ficará impedido de dar o seu contributo à operação regular da Atlânticoline a partir de segunda-feira, 21 de novembro, pelo período estimado de uma semana. Prevê-se que o navio regresse à operação no dia 27.
Durante esse período, serão asseguradas todas as viagens previstas, sem alterações nos horários. No entanto, algumas das viagens passarão, neste período, a ser realizadas pelo navio “Cruzeiro do Canal”, o que impossibilitará o transporte de viaturas.
Assim, durante a semana, a viagem matinal da Linha Verde, que liga Faial, Pico e São Jorge, será realizada pelo “Cruzeiro do Canal”, e as três primeiras viagens da Linha Azul (Horta/Madalena) serão feitas pelo “Gilberto Mariano”. Na segunda, quarta e sexta-feira, o “Cruzeiro do Canal” fará a última viagem do dia na Linha Azul, e o “Gilberto Mariano” fará a viagem da tarde na Linha Verde. Na terça e na quinta-feira, o ferry fará também a última viagem entre Horta e Madalena já que nesses dias não há viagem à tarde na Linha Verde. No sábado, o “Gilberto Mariano” realiza todas as viagens da Linha Azul enquanto o “Cruzeiro do Canal” realiza a viagem da Linha Verde.
No início do próximo ano, será a vez do “Gilberto Mariano” viajar até São Miguel para esta inspeção.
A Atlânticoline lamenta quaisquer inconvenientes que esta situação possa causar aos passageiros, solicitando a sua compreensão para o facto destes procedimentos serem obrigatórios e absolutamente necessários para garantir todos os requisitos de segurança exigíveis neste tipo de embarcações.
Recorde-se que no separador "Barcos" deste blog é possível encontrar os horários dos navios de passageiros que servem a ilha do Pico de forma regular e dos navios de mercadorias que escalam o principal porto comercial da ilha do Pico.
A reportagem indica que este destino "procura melhorar as suas infraestruturas sem provocar danos aos tesouros tangíveis e intangíveis que tornam o arquipélago açoriano único no mundo". São também referidas as ligações aéreas a várias cidades mundiais, através da Azores Airlines, bem como que devem ser visitadas várias ilhas, as quais oferecem "lindas paisagens que não requerem filtro nas fotos".
Sendo a ilha de São Miguel a mais acessível do exterior, são várias as referências turísticas apresentadas para esta ilha. Contudo, o autor deste artigo da Bloomberg, Brandon Presser, escreve também o seguinte:
Se puder ir a apenas uma das demais ilhas, dê prioridade ao Pico. Oferece um poderoso contraponto a São Miguel, com cerca de um décimo da população e um enorme pico vulcânico cuja sombra se move pela paisagem como um relógio de sol.
Escalar até a cúpula do Pico, com forma de chapéu de bruxa, continua a ser a experiência mais icónica da ilha — uma caminhada que leva cerca de seis horas até o topo, ida e volta — mas há muitas outras atividades que fazem a visita valer a pena.
No século XIX, o Pico era um dos grandes produtores de vinho da Europa e servia a aristocracia com uma bebida forte que não se podia encontrar em nenhuma parte no continente. E embora uma praga tenha praticamente aniquilado a indústria nos anos 1850, esta está agora a recuperar. A ilha mantém uma cultura de adegas, nas quais os visitantes podem parar para provar bebidas fortificadas e comprar algumas garrafas.
O Pico é também um local de excelência para fazer whale watching, pois é um ponto de encontro transatlântico para inúmeras espécies de mamíferos marinhos. A época começa em abril e termina em outubro, sendo apenas limitada por alguns dias de mar bravo nos meses mais frios.
A candidatura da Madalena destacou-se das restantes quatro concorrentes (Alenquer/Torres Vedras, Moura, Pinhel e Vila Nova de Foz Côa) pela sua singularidade, evidenciando-se pelas suas características únicas, nomeadamente pela Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, aclamada em 2004 Património da Humanidade, pela UNESCO, que a considerou uma das mais complexas estruturas alguma vez criadas pelo Homem, bem como pela representatividade e evidente crescimento da vitivinicultura, potenciando outras áreas de atividade a montante e a jusante deste setor, muito em particular do enoturismo.
Ao longo do próximo ano, o município da Madalena propõe realizar um vasto conjunto de eventos "que irão fazer da Madalena o principal núcleo da vitivinicultura na região e no país".
O ano de 2016 está a ser histórico no que toca aos passageiros aéreos de e para a ilha do Pico. Segundo os dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores relativos ao transporte aéreo, e à semelhança dos dados conhecidos para o movimento de passageiros aéreos (desembarcados e embarcados) em meses anteriores, no passado mês de outubro per se, bem como desde janeiro até outubro (e comparando com os respetivos períodos homólogos do ano passado), a ilha do Pico não só voltou a crescer acima da média regional, como mais uma vez obteve o maior crescimento percentual a nível Açores!
Analisando o movimento de passageiros aéreos nos aeroportos açorianos apenas em outubro, atrás da ilha montanha (51,1%) mas acima da média regional (26,0%) ficaram Terceira (34,9%) e Faial (30,9%). Considerando agora todo o tempo já decorrido em 2016, apenas duas ilhas superaram a média regional (21,6%): Pico (38,7%) e Terceira (24,7%). Nota ainda para o facto de todas as ilhas açorianas continuarem a registar um crescimento no que toca ao movimento dos passageiros aéreos face ao que ocorreu em 2015.
Mas a ilha do Pico e o seu aeroporto estão também de parabéns por outro motivo: pela primeira vez na história deste aeroporto foi superada a marca dos 100 mil passageiros aéreos num só ano (e o ano ainda não acabou)! Este é um marco histórico que já se antevia, dada a evolução registada nos últimos anos no aeroporto da ilha montanha.
Comparando os dados deste ano (incompleto) de 2016 face ao registado em (todo ano de) 2003, o movimento de passageiros aéreos quase que triplicou (191,7%), com um aumento absoluto de 73.997 passageiros. Aliás, e considerando o todo regional, este é o maior aumento em termos percentuais e o terceiro maior crescimento em termos absolutos (apenas atrás de São Miguel e Terceira).
Em suma, esta análise estatística permite comprovar o que todas as pessoas que estão ou visitam a ilha montanha sentem: "o Pico está na moda"!
Semanalmente são exportados pelo menos três contentores de carne (chegando por vezes aos seis contentores), o que significa que esta atividade económica é de extrema importância para a ilha do Pico, em particular, e para os Açores, em geral.
Garantir a qualidade deste produto alimentar passa não só pelo trabalho dos exportadores de carne, mas também por tentar assegurar a frescura da carne quando esta chega ao seu destino. Assim, é importante que toda a logística associada contribua para a valorização deste produto açoriano de excelência.
Considerando tudo o que foi mencionado anteriormente, compreende-se e justifica-se as preocupações dos exportadores de carne da ilha montanha derivadas da recente calendarização das escalas de navios porta-contentores na ilha do Pico (ver vídeo em anexo). Mais concretamente, devido ao facto do toque semanal no Porto do Cais do Pico passar a ser feito à terça-feira em algumas semanas (ao invés de quinta-feira), os negócios com os compradores de carne poderão estar em risco devido à frescura da carne (com esta alteração, a carne chega ao destino 10 dias depois do abate, enquanto se a mercadoria fosse carregada à quinta-feira, era possível reduzir esse intervalo de tempo para 7 dias).
Caso não seja encontrada uma solução para este problema, irá ocorrer um efeito dominó prejudicial para todas as partes envolvidas:
Os exportadores de carne deixarão de vender uma grande parte da sua produção, reduzindo significativamente o seu rendimento;
A Região passará a gerar menos riqueza, consequentemente passando a depender ainda mais do exterior;
As empresas associadas ao transporte marítimo de mercadoria também perderão parte do seu negócio, implicando um provável aumento de custos na exploração da rota Continente/Açores.
Urge então tentar resolver as preocupações dos exportadores de carne do Pico, pois, tal como ficou aqui demonstrado, a solução trará vantagens para todos!
Haja saúde!
Post scriptum: Nota para um agradecimento ao amigo Rui Pedro Ávila, por ter ajudado a divulgar este post através do seu espaço de opinião no 'Jornal do Pico', edição n.º 655, de 18 de novembro de 2016.
Escrever sobre um pouco de tudo relacionado com a ilha montanha, dando destaque à zona do Cais do Pico, à vila e ao concelho de São Roque do Pico, é um enorme prazer. Contudo, é ainda mais motivador sentir que do outro lado existem inúmeros leitores do blog "Cais do Pico".
O meu muito obrigado a todos os visitantes do blog "Cais do Pico", especialmente àqueles que o seguem diariamente e a todas as pessoas que têm ajudado a divulgar o mesmo.
Foram mais de 150 viagens que permitiram que esta enorme quantidade de pedra fosse carregada várias vezes ao dia no Porto do Cais do Pico e descarregada diretamente no mar da baía de Velas. Contudo, e apesar de o Porto do Cais do Pico já ter sido batizado como "um porto do outro mundo", as mais de 90 mil toneladas de pedra deixaram "feridas" no porto picoense, tal como as imagens em anexo comprovam.
Olhando para toda esta operação logística por outro prisma, não deixa de ser contraditório o que aconteceu:
Passaram toneladas e toneladas de pedra junto ao molhe deste mesmo porto, mostrando que não é de todo impossível fazer chegar esta matéria-prima ao local ideal para a expansão de um qualquer porto;
Se, a partir da ponta da doca, foi possível carregar estas toneladas de pedra num navio de carga e transportá-las para outra ilha a 20 km de distância, em viagens por vezes tri-diárias, com certeza seria ainda mais económico fazer deslocar as pedras para distâncias da ordem das dezenas de metros;
Por fim, ao invés de se melhorar as condições de operacionalidade do Porto do Cais do Pico, de forma a reduzir os constrangimentos e a "agitação marítima" na zona de atracagem, os quais provocam inúmeros cancelamentos no transporte marítimo de passageiros, esta infraestrutura portuária é que acabou ficando danificada!