No último dia de março de 2016, uma grande quantidade de chuva caiu um pouco por toda a ilha montanha. Estavam assim reunidas as condições para um dia bastante molhado, escuro e desmotivador.
Mais eis que na vila de São Roque do Pico, mais concretamente na baía do Cais do Pico, a natureza conseguiu surpreender tudo e todos ao proporcionar um magnífico arco-íris duplo - uma autêntica beleza em dia de mau tempo!
O Censo de Milhafres é uma iniciativa de Citizen Science - Cidadania na Ciência, coordenada anualmente pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) desde de 2006 e que ocorre nos Açores e na Madeira. Este censo propõe a participação dos cidadãos num projeto que visa a obtenção de mais dados sobre as populações de milhafres existentes nestes arquipélagos, permitindo assim obter informações que de outra forma seriam impossíveis.
Neste ano de 2016, a SPEA volta lançar o apelo à participação neste censo que irá decorrer nos dias 9 e 10 de abril. Para participar basta efetuar a sua inscrição através de uma das seguintes formas:
A inscrição serve para pré-definir a sua rota, ou seja, diga o percurso que deseja fazer e ajude a saber um pouco mais sobre a única ave de rapina diurna dos Açores - o milhafre.
A Transinsular publicou no seu site a escala para o mês de abril de 2016 dos navios de carga que efetuam a ligação Continente - Açores (clique na imagem seguinte para conhecer esta escala).
Os navios e as datas em que vão visitar o porto do Cais do Pico, na vila de São Roque do Pico, encontram-se indicados na tabela seguinte (clicando no nome do navio abre uma nova janela com a localização atual do mesmo).
A SATAAzores Airlines efetua, ao abrigo das obrigações de serviço público, duas ligações semanais entre Lisboa e a ilha do Pico. Adicionalmente, e considerando a época baixa, esta rota aérea é combinada com a rota Lisboa/Terceira/Lisboa, resultando no final no voo S4 4043, o qual faz Lisboa/Pico/Terceira/Lisboa.
Apesar do inconveniente de haver escalas intermédias para alguns passageiros (escala na Terceira para quem sai do Pico com destino a Lisboa e escala no Pico para quem sai de Lisboa com destino à Terceira), o voo S4 4043 pretende servir duas ilhas açorianas: Pico e Terceira. Será mesmo isso que está a acontecer?
Em anexo encontram-se algumas simulações para as quatro situações de compra de bilhete para o voo S4 4043 do dia 11 de abril de 2016. Estas simulações revelam algo incompreensível: existem lugares disponíveis em classe económica, e até com preços promocionais, nos percursos Lisboa/Pico e Terceira/Lisboa, mas as restantes situações estão esgotadas (Pico/Lisboa e Lisboa/Terceira)! O esquema seguinte resume a situação caricata verificada.
Infelizmente, esta não é a primeira vez que o voo S4 4043 está esgotado sem o estar na realidade [ver textos sobre "O voo Lisboa-Pico que (não) está cheio..." e "O voo Pico-Lisboa que (não) está cheio..."]. Regra geral, a ilha montanha era a única prejudicada quando ocorria esta situação insólita, mas agora verifica-se que a companhia aérea açoriana foi mais além e conseguiu num só voo prejudicar duas ilhas açorianas: Pico e Terceira!
Haja saúde!
[De seguida apresentam-se as simulações efetuadas no site da SATA, datadas de 3 de abril de 2016, que deram origem a este post, comprovando-se assim mais uma das variações da SATA.]
[Post scriptum: Durante o dia 4 de abril, a SATA corrigiu esta situação e já é possível comprar passagem para os percursos que se encontravam artificialmente esgotados.]
[Post post scriptum: Este artigo teve direito a notícia na edição n.º 21.768 do jornal 'Diário Insular', de 5 de abril de 2016.]
Nota: o voo S4 4043 não aparece disponível para compra nesta lista, o que significa que supostamente está esgotado.
A lista das mais diversas atividades que acontecem em São Roque do Pico, no mês de abril de 2016, encontra-se disponível na Agenda Cultural de São Roque do Pico, a qual se apresenta de seguida.
No fim deste post apresentam-se, por ordem cronológica, os cartazes de alguns dos eventos que terão lugar neste mês de abril.
Haja saúde!
[Nota: este post irá sendo atualizado à medida que forem surgindo mais cartazes, sendo também adicionados links para fotos/vídeos disponibilizados após os eventos (última atualização: 21 de maio de 2016).]
Azores Granfondo (prova de ciclismo à volta da ilha do Pico, 2 de abril):
As ilhas do Pico e de São Jorge vão passar a contar com novas ligações marítimas diretas e regulares entre si, mais concretamente entre as vilas de São Roque do Pico e de Velas, respetivamente, já a partir de maio deste ano de 2016.
A nova empresa que vai operar nesta rota prevê efetuar, por dia, duas viagens de ida e volta. Adicionalmente, os portos que vão receber as respetivas escalas (porto do Cais do Pico e porto de Velas) terão zonas exclusivas só para esta operação, de forma a garantir rapidez e eficiência no embarque e desembarque.
Tudo isto parece ser uma peta do dia 1 de abril, mas não é, acreditem. Só falta é referir um pequeno pormenor: toda esta operação será montada para transportar... pedra do Pico para a empreitada de prolongamento do porto de Velas!
A Portaria n.º 36/2016, de 31 de março, procedeu à identificação das Zonas Balneares Oficiais dos Açores para 2016. Para o caso da ilha do Pico, as zonas identificadas são:
Todas estas zonas têm como época balnear o período compreendido entre 1 de junho e 30 de setembro. Alguns dados sobre a qualidade da água nestas zonas balneares (e em todas as outras de Portugal) podem ser encontrados no site do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos [http://snirh.pt/].
Face a 2015, é de salientar a inclusão de uma nova zona balnear oficial para o caso da ilha do Pico, mais concretamente a zona da Furna de Santo António, sendo que a nível Açores apenas outras duas novas zonas balneares foram adicionadas à lista oficial.
Nota final para um bom exemplo de funcionamento da consulta pública: tal como noticiado na edição n.º 619 do 'Jornal do Pico' (de 11 de março de 2016), as zonas balneares de São Roque do Pico foram renomeadas com o intuito de ser fácil associar o nome ao local, tendo contribuído para essa situação através de várias sugestões dadas ao abrigo da consulta pública da lista de águas balneares açorianas a identificar em 2016.
Recentemente foi lançada uma aplicação móvel gratuita, a "Prociv Azores", a qual pretende aproximar Proteção Civil dos Açores e cidadãos.
Disponível para smartphones [links para descarga: iTunes | Google Play], a "Prociv Azores" é uma aplicação pioneira a nível nacional e fornece, de forma bastante intuitiva, várias informações:
Alertas em tempo real de avisos meteorológicos, comunicados sismológicos e outro tipo de comunicação, bem como permite ao utilizador ficar a par de zonas de perigo, derrocadas, cortes de estradas e, em simultâneo, percursos alternativos;
Saber onde fica a farmácia mais próxima, os bombeiros ou pontos de desfibrilação automáticos externos em qualquer uma das nove ilhas dos Açores;
Aquando da ocorrência de catástrofes, indicações à população do que fazer, para onde se dirigir, que cuidados deve ter, entre outros aspetos;
Explicação do manuseamento de extintores e a forma de agir em caso de primeiros socorros para vários tipos de situação (desmaios, convulsões, queimaduras, feridas, quedas/acidentes e intoxicações).
Em suma, oxalá que a necessidade de uso desta aplicação seja reduzida, mas, como "mais vale prevenir do que remediar", a "Prociv Azores" é uma app que vale a pena ter à mão!
Contudo, a obra agora inaugurada, e que foi realizada num espaço com tradição, está a provocar alguma contradição nas gentes da ilha montanha. Vamos então tentar perceber o que se passa...
A visita ao Centro possibilita ainda a realização de uma visita guiada no exterior aos "currais" de vinha e de figueira, ao interior de um Armazém e de um Alambique tradicionais ainda em funcionamento, bem como percorrer todo o núcleo do Lajido, e assim compreender como este edificado está intimamente associado à cultura da vinha e da figueira.
Como o novo espaço do Centro de Interpretação da Paisagem da Cultura da Vinha do Pico fica localizado dentro do referido Armazém, acontece que agora os turistas ficaram privados de conhecer grande parte do antigo interior (o lagar ainda se mantém) de um armazém verdadeiramente típico na cultura da vinha e da figueira: um chão todo em brita, uns balseiros de madeira com um tamanho considerável, um carro de bois que ajudou a moldar as relheiras no basalto picoense, enfim, um espaço místico que permitia aos visitantes sentir outros aspetos que contribuíram para a classificação de toda a Cultura da Vinha do Pico como Património Mundial.
Também não deixa de ser altamente contraditório a seguinte situação: no novo espaço agora inaugurado encontra-se em exposição o conjunto de fotografias submetidas para o concurso "Um olhar sobre a Paisagem da Cultura da Vinha – Património Mundial", o qual foi lançado em 2014 para comemorar os 10 anos de classificação como Património da Humanidade; a foto vencedora (e que está em anexo) foi... aquela que destaca o antigo interior do Armazém em questão!
Não está em causa a qualidade da exposição de interpretação da cultura da vinha, a qual explica muito bem como é possível "da pedra fazer vinho". Também não está em questão a necessidade de os serviços precisarem de mais espaço e por isso terem ocupado o local onde se situava o antigo Centro de Interpretação da Paisagem da Cultura da Vinha do Pico. É pena é "ter sido necessário" modificar o interior de um Armazém Património Mundial.
Em suma, a verdade é que agora algum do Património Mundial já está modernizado e não preservado como era antigamente. Isto significa que ao invés da preservação e da explicação andarem de mãos dadas, tem-se a substituição do "pode se observar e sentir como era" por "estes textos e imagens explicam como era"!