A Transinsular publicou no seu site a escala para o mês de novembro de 2018 dos navios de carga que efetuam a ligação Continente - Açores (clique na tabela seguinte para conhecer esta escala).
Os navios e as datas em que os mesmos vão visitar o Porto do Cais do Pico, na vila de São Roque do Pico, encontram-se indicados na tabela seguinte (clicando no nome do navio abre uma nova janela com a localização atual do mesmo).
No coração da vila de São Roque do Pico, sob o olhar do D. Dinis, encontra-se o "Cais Velho", aquele que foi outrora "Porto do Cais do Pico" e que durante décadas serviu de porta de entrada e saída da ilha montanha.
Atualmente, a designação "Porto do Cais do Pico" pode ter sido transferida para o principal porto comercial picoense (que lhe fica próximo e que foi construído sobre a antiga Ponta da Laje em meados do século passado), mas a história do "Cais Velho" não se perdeu; este pequeno porto é, sem qualquer dúvida, um dos principais responsáveis no reforço do simbolismo do nome atribuído ao lugar do Cais do Pico há mais de quatro séculos, lugar este que tem desempenhado, ao longo dos tempos, um papel de relevo no contexto da ilha montanha.
Graças a uma partilha do amigo Francisco Medeiros, a quem agradeço, apresenta-se, em anexo, umas memórias sobre o "Cais Velho". Adicionalmente, também se apresentam imagens e vídeos relacionados, os quais foram extraídos dos seguintes posts:
A freguesia de São Roque do Pico está dividida em três lugares: a sede do concelho no lugar do Cais o Pico, onde está sediada toda a Administração Publica; São Roque, onde se situa a Igreja Paroquial; e São Miguel Arcanjo, em local mais elevado, onde está situada a ermida do Santo do mesmo nome. Com a frente virada a Nordeste, esta freguesia é um dos locais mais próximo da ilha de São Jorge, distando cerca de 10 milhas náuticas da Vila das Velas.
Quando eu cheguei ao Cais do Pico, em 1959, o porto era uma enseada, bastante ampla, que tinha a Norte uma ponta, chamada Ponta da Laje, e ao Sul a Ponta Rasa, onde tinha um moinho de vento bastante antigo, o qual já não estava em funcionamento. A base antiga do moinho foi recentemente aproveitada e o moinho reconstruído, o que dá ao local uma paisagem pitoresca bastante agradável. Em São Miguel Arcanjo há um miradouro de onde se avista toda a freguesia de São Roque do Pico, bem como a parte da freguesia de Santo António que fica mais a Noroeste.
Ao fundo da enseada tem o Porto do Cais do Pico em forma de triângulo escaleno, com um angulo virado a Nordeste arredondado, o lado Norte acostável é mais comprido com 29 metros e tem uma escaleira. O outro lado, virado ao Sul, tem também uma escaleira. Este lado, o segundo em comprimento, com a pedra da costa formam um caneiro que dá acesso a um varadouro em pedra, muito amplo e bem construído, resistente a todos os mares e às enxurradas das chuvas.
O maior barco que atracava no Cais era o "Terra Alta", tinha 31 metros aproximadamente e o cais tinha só 29 metros. Entretanto, alteraram o cais e este já não está como era quando cheguei!
O cais foi melhorado em 1942, para uma cota mais elevada, pois com pouco mar ficava todo alagado e pela ponta arriavam os botes quando aparecia baleia. Dado à sua baixa cota aconteceu que uma pequena lancha das Velas de São Jorge, com passageiros, quando atracou veio uma vaga de mar e pô-la sobre o cais, nisto os passageiros saíram, e noutra vaga os marítimos que ali estavam empurraram-na novamente para o mar.
A chalupa "Helena", no período em que passou na pesca do atum, varou ali num dia que havia mar do Noroeste. Bateu com a roda de proa numas pedras existentes do lado de fora do Cais, começou a meter água e teve que ser varada rapidamente. Era seu mestre José Ramos da Silva.
O mar de Norte e Noroeste, de vez em quando, era dono e senhor do varadouro e obrigava a retirar todas as embarcações ali varadas. Além disso, os proprietários dos prédios vizinhos tinham que pôr tapumes nas portas do rés do chão.
Ali varavam-se dois barcos de carga e duas lanchas para passageiros, duas lanchas da baleia e perto de 20 embarcações de pesca local. Quando o mar do Norte ou do Noroeste dificultavam as operações de embarque ou desembarque de passageiros, as lanchas ficavam a pairar próximo do Cais e era pela observação da rebentação do mar na Ponta da Laje que se faziam os sinais para as embarcações atracarem ou se afastarem do cais, indicações estas dadas pelos marítimos mais antigos da localidade, com experiência de muitos anos.
Hoje o varadouro é parque de viaturas automóveis!
Conheci muitos e bons marítimos no Cais do Pico, mestres da pesca e da caça à baleia, com a face tisnada pela água salgada. Não me refiro a todos porque eram muitos, mas vou citar os das famílias mais numerosas: os Canecas, os Aldeias, os Januários e os Fulas — Gente com um pé em terra e outro no mar.
Hoje já não é assim, pois as embarcações quando chegam fora dos portos, e há vagas de mar alteroso, vão entrando sempre; às vezes embrulham-se os dois e vão parar ao mesmo sítio...
Francisco Medeiros
Whaling 1946 Cais do Pico
Posted by Paul B Da Rosa on Wednesday, March 7, 2018
Whaling. days 1946 (This video may be upsetting to some.)
Posted by Paul B Da Rosa on Sunday, March 11, 2018
A mudança para a hora de inverno (último domingo de outubro) coincide também com o início da estação "Inverno IATA", onde são praticados novos horários nas ligações aéreas com a ilha do Pico.
Mais concretamente, o aeroporto da ilha montanha passa agora a ter (até 30 de março de 2019):
Uma ligação diária com a ilha Terceira;
Quatro ligações semanais com a ilha de São Miguel (domingo, segunda, quarta e sexta);
Duas ligações semanais com Lisboa (segunda e sábado).
Todos horários dos aviões que servem a ilha do Pico de forma regular encontram-se disponíveis no separador "Aviões" deste blog.
Haja saúde!
Voos regulares (clique na origem/destino para mais detalhes)
Em 1965 despenhou-se, na ilha montanha, um pequeno avião que fazia um voo ferry sobre o Atlântico, partindo da América em direção a leste, sendo que este acidente não consta da literatura aérea.
Contudo, e graças a um trabalho de investigação que se encontra mencionado no blog "Vista Aérea", é possível ficar-se a saber um pouco mais sobre esta queda de uma aeronave na ilha do Pico, incluindo um registo fotográfico que documenta o avião sinistrado.
Para mais informações, basta clicar nos links seguintes:
Decorreu nos dias 12 e 13 de outubro de 2018 o VII PICO PLAY/AUTOAÇOREANA RALI, sendo o penúltimo rali pontuável para o Campeonato Ralis dos Açores, pontuável também para o Troféu do Canal e para o Troféu de Ralis de Asfalto dos Açores.
Esta edição ficou marcada por um acidente que levou à desistência dos principais candidatos ao título regional, acabando Ruben Rodrigues / Estevão Rodrigues como a dupla vencedora do rali do Pico [tempos e classificações das várias etapas].
Um resumo vídeo deste rali, elaborado pela RTP-Açores, pode ser visionado online através do seguinte link:
A Campanha SOS Cagarro 2018 já está em marcha em todas as ilhas açorianas! Esta campanha, que decorre até 15 de novembro, tem como principal objetivo envolver as populações e entidades no salvamento dos cagarros juvenis encontrados junto às estradas e na sua proximidade.
O cagarro é uma ave procelariforme migratória (ou seja, que habita o oceano aberto), sendo também a ave marinha mais abundante nos Açores. Aliás, é nas ilhas açorianas que se encontra a maior concentração mundial de cagarros (cerca de 75% da população mundial desta espécie Calonectris borealis nidifica nos Açores).
Sabia que todos os anos, por volta de março, os cagarros regressam à mesma ilha e ao mesmo ninho onde se reproduziram pela primeira vez? O parceiro é sempre o mesmo todos os anos e os rituais de reconhecimento e acasalamento são complexos. As crias nascem em maio, sendo que em outubro abandonam os ninhos rumo ao mar. Estas só regressam para se reproduzir passados 5 anos.
A conduta a seguir para o salvamento de um cagarro juvenil encontrado é:
Aproximar-se lentamente da ave (de preferência por trás), para não a assustar;
Com calma e segurança, cobrir o corpo do cagarro com um casaco, toalha ou manta;
Sem magoar a ave, segurá-la pelo pescoço e pela cauda, de modo a envolver todo o seu corpo;
Com cuidado, colocar o cagarro numa caixa de cartão (de preferência com furos para permitir a ventilação) e mantê-lo dentro da caixa durante a noite, em local tranquilo e escuro;
Libertar a ave na manhã seguinte, junto ao mar, pousando-a com cuidado no chão (não se preocupe se o cagarro levar algum tempo a reagir e a voar para o mar, pois ele continuará a sua viagem quando se sentir preparado).
O projeto de investimento do Centro de Saúde das Lajes do Pico acaba de ser aprovado ao abrigo da comparticipação financeira pelo fundo estrutural FEDER, no âmbito do Programa Operacional dos Açores (PO Açores 2020).
A intervenção no Centro de Saúde das Lajes do Pico, no valor total de cerca de 850 mil euros, é o mais recente projeto homologado pela Vice-Presidência do Governo.
Trata-se de uma remodelação significativa que vai permitir criar condições de resposta adequada às necessidades de cuidados continuados, bem como as condições para a certificação de qualidade desta unidade de saúde.
O projeto prevê a reabilitação geral do internamento e a criação de um centro de fisioterapia, com um ginásio e boxes individuais, assistido com vestiários e sanitários com duche.
Serão intervencionadas também as áreas do serviço de refeições, de ambulatório em geral, incluindo um gabinete destinado à medicina dentária.
A consignação está agendada para 22 de outubro, seguindo-se a imediata transferência dos serviços para a antiga escola secundária para se proceder ao início das obras.
No âmbito do regular funcionamento do Centro de Saúde já decorreram intervenções de adaptação no edifício alternativo, que irá acomodar a generalidade dos serviços enquanto decorrerem as obras na unidade de saúde.
Apresenta-se, em anexo, um vídeo do projeto em curso da construção de navio ROPAX para a Atlânticoline, o qual irá substituir o ferry "Mestre Simão" [link para vídeo mais recente].
Recorde-se que, em janeiro de 2018, o navio "Mestre Simão" encalhou dentro da bacia do Porto da Madalena, isto quando estava prestes a atracar na ilha do Pico, ficando inutilizado e, consequentemente, foi desmantelado — link para mais informações.
Em breve a "Espalamaca" deverá voltar a ter motores. O objetivo da Associação Amigos do Canal é que a lancha volte a navegar já este verão.
Esta semana, foi dado mais um passo para que a histórica lancha "Espalamaca" volte a navegar. Os motores do salva-vidas cedido pela Marinha à Região foram retirados na terça-feira e estão à espera da construção dos tanques para que sejam colocados na lancha, segundo revelou ao Diário Insular o presidente da Associação Amigos do Canal, Manuel Tomás. “Os motores foram colocados numa oficina para serem revistos, porque não podem ir de imediato para a "Espalamaca". Antes, têm de ser colocados os tanques de combustível e de água”, adiantou, acrescentando que, segundo os técnicos, os motores “estão boas condições”.
Os tanques já começaram a ser construídos, mas só deverão estar concluídos dentro de um mês. Também as hélices foram enviadas para Lisboa para serem afinadas e a associação aguarda agora por um orçamento para saber quanto custará a restante operação.
No verão do ano passado, a Marinha cedeu à Região o salva-vidas “Sota-patrão António Crista”, que seria abatido e que teria dois motores que poderiam ser aproveitados pela "Espalamaca" [link para mais informações]. Só agora, no entanto, a Associação Amigos do Canal conseguiu angariar verbas para avançar com a transferência dos motores, graças a donativos anónimos.
O objetivo da associação é que a lancha regresse ao mar no próximo verão, mas para que isso seja possível precisa de angariar mais fundos. Segundo Manuel Tomás, para que o processo continue a avançar é também “indispensável” que a "Espalamaca" seja classificada como Património Marítimo Regional, porque disso depende a aquisição de equipamentos e as licenças, por exemplo. “Temos expectativas de que a nova diretora regional da Cultura resolva este assunto mais depressa”, frisou, alegando que a associação já aguarda pela classificação desde janeiro. O que se pretende não é que a lancha volte a navegar para transporte regular de passageiros, mas que tenha uma atividade turístico-cultural.
Inicialmente, estava previsto que a "Espalamaca" fosse recuperada apenas para “fins museológicos e expositivos”, mas várias vozes se levantaram contra a colocação da lancha em terra, incluindo o mestre responsável pela restauração, João Alberto Neves, que alertou para a possibilidade de ela se degradar no espaço de dois anos.
[Fonte: Diário Insular | em anexo vídeo e imagens do processo de retirada dos motores do salva-vidas “Sota-patrão António Crista”]
Recorde-se que a "Espalamaca" encontra-se a ser restaurada nos estaleiros navais de Santo Amaro, ilha do Pico [link para fotos] — vale a pena relembrar que, durante muitos anos, grande parte das ligações marítimas entre as três ilhas do "Triângulo" (Pico, Faial e São Jorge) foram efetuadas pela "Espalamaca", uma embarcação construída em madeira, com 17 metros de comprimento e quatro de largura, e que tinha capacidade para transportar cerca de uma centena de passageiros (com bom tempo), com uma tripulação de apenas quatro homens.
O projeto "Taste Atlas" [www.tasteatlas.com] propõe uma viagem visual e explicativa pelos comeres de centenas de países. São mais de mais de nove mil pratos e produtos que estão apresentados de forma interativa num mapa do mundo.
Entre todas estas iguarias emblemáticas encontra-se o Queijo do Pico, comprovando-se, assim, a qualidade a nível mundial deste produto da ilha montanha.
Destaque ainda para a presença da Carne dos Açores neste atlas, um produto que tem no Pico a grande maioria das explorações associadas, bem como registe-se a presença do Mel dos Açores, um produto com forte tradição na ilha montanha.
Em suma, quando alguém afirmar que um qualquer prato confecionado com produtos dos Açores é dos melhores do mundo, possivelmente não estará a exagerar!